sábado, 13 de julho de 2013

Volta a França: antevisão do Mont Ventoux

Uma semana depois dos Pirenéus, o Tour enfrenta a chegada ao Mont Ventoux, uma das subidas mais emblemáticas do ciclismo. Chris Frome chega de amarelo mas com uma equipa muito mais débil do que se esperava.

Os primeiros 220 quilómetros da etapa apresentam algum sobe e desce mas nada que se compare à subida final. São três contagens de quarta categoria e uma de terceira, ao longo de mais de duas centenas de quilómetros para os quais não se prevê a existência de vento, pelo menos não ao ponto de provocar surpresas como em etapas anteriores.

O pelotão deverá chegar numeroso ao início da subida para o Mont Ventoux (20,8 km a 7,5%) ou, pelo menos, com todos os favoritos juntos. Ainda assim, tal como as previsões económicas devem ser acompanhadas de um "salvo erro", as previsões para este Tour devem ser acompanhadas de um "salvo surpresas".

Em termos de quantidade, Froome tem tantos colegas para a montanha como Wiggins no ano passado. Com a desistência de Hagen e a eliminação de Kiryienka (fora de controlo), sobram seis colegas, tantos como Wiggins tinha no ano passado depois da desistência de Siutsou (3ª etapa), visto de Cavendish não entrava nestas contas na montanha. A diferença é sobretudo qualitativa, pois a Sky está a um nível inferior ao do ano passado e ao que se viu por exemplo no Tirreno-Adriático.

Não existindo surpresas até ao Mont Ventoux, Froome necessitará amanhã de alguém para os primeiros quilómetros de subida (Kennaugh talvez) e depois um Richie Porte que consiga controlar o grupo... enquanto der. Não mais.

A Saxo-Tinkoff deverá tentar rebentar com a Sky e para isso terá Nicolas Roche e Michael Rogers, talvez também Jesús Hernández, que ontem não conseguiu ajudar na formação dos abanicos mas na montanha poderá ser mais útil. "Obrigar" Roman Kreuziger a também ele impor um ritmo elevado em prol de Alberto Contador, para já, não me parece certo. O checo esteve muito próximo do espanhol do contrarrelógio, na chegada a Ax 3 Domaines pareceu superior e é um candidato ao pódio. Talvez o mais indicado seja dar-lhe liberdade para atacar.

Uma opção muito comentada desde o início do Tour (ou desde o início do ano) passa por uma aliança da Armada Espanhola para bater Froome. A Armada Espanhola não existe desta forma, não existe enquanto bloco. Como poderiam Contador, Rodríguez e Valverde (independentemente do que aconteceu ontem) unir-se para derrotar Froome? Não vale a pena acreditar que os espanhóis iriam atacar à vez e forçar Froome a responder a um, dois, cinco, dez, vinte ataques. Se Froome estiver debilitado (como na última Vuelta), não é necessário que haja união de Contador, Rodríguez e Valverde para que ceda. Se Froome for o mais forte, antes que os outros consigam chegar ao terceiro ataque, já ele contra-atacou e se isolou na frente. Principalmente em etapas mono-montanha, nem a melhor estratégia do mundo fará um ciclista inferior bater um que lhe seja claramente superior (a não ser em caso de fuga prévia, claro). Em etapas de várias montanhas, aí sim, é mais complicado controlar apenas com base na força individual.

Todos os ciclistas quererão vencer no Mont Ventoux, mas Contador, Mollema e todos os que ocupam lugares cimeiros na classificação geral não têm margem para arriscar. Em caso de dúvida, preferirão assumir uma postura mais conservadora. Já Valverde, que não tem nada a perder na geral, poderá arriscar e atacar de longe, tentando aproveitar que não é ameaça para Froome e companhia e por isso goza de uma maior liberdade (que preferiria não ter). Valverde foi segundo numa chegada ao Mont Ventoux no Dauphiné Libéré de 2009, perdendo para o seu atual colega de equipa Sylweser Szmyd. O outro ciclista ainda no ativo que já venceu no topo de Mont Ventoux é Juan Manuel Gárate (Tour 2009), também ele ausente deste Tour.

Froome, Mollema, Contador e Kreuziger são por agora os mais sérios candidatos ao pódio final, mas ainda faltam três chegadas ao alto e um contrarrelógio de montanha. Se Laurens Ten Dam estiver ao mesmo nível de Ax 3 Domaines poderá também ele entrar nestas contas. Mesmo Nairo Quintana, que agora não estará condicionado pelos interesses de Valverde, poderá subir na classificação geral já amanhã. Na classificação da juventude tem como adversário Michal Kwiatkowski, um dos nomes mais difíceis de pronunciar do pelotão e um dos 15 jovens indicados para serem seguidos ao longo de 2013. Depois de Betancur e Majka no Giro e de Rohan Dennis no Critérium do Dauphiné, Kwiatkowski é o embaixador desta nobre lista no Tour.

Relativamente ao top-10, ainda há muito por decidir. Além da montanha e do contrarrelógio, há espaço para fugas, e por exemplo hoje Andrew Talansky ganhou sete minutos ao pelotão, subindo para 12º. Apesar de não ser esse o objetivo de Valverde, ainda poderá reentrar nos dez melhores deste Tour.

Não será o dia ideal para Rui Costa procurar uma vitória. Os dias mais favoráveis a fugas era o de hoje e serão os da próxima semana.

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