quarta-feira, 24 de junho de 2015

Volta a França 2015: perfis e antevisão de todas as etapas


O Carro Vassoura retoma à marcha para a Volta a França, com a antevisão das 21 etapas que animarão a próxima semana. Um artigo para ler já, ou para ir lendo aos poucos, com o passar dos dias e das montanhas. E dos contrarrelógios. E dos pavés. E das outras etapas.


Sábado, 4 de julho: 1ª etapa - Utrecht (Holanda) - Utrecht (Holanda) (13,8 km, contrarelógio individual)

De Utrecht, cidade com uma das mais prestigiadas universidades da Holanda e Europa, sai uma Volta à França repleta de graduados. Três ex-vencedores do Tour - Nibali, Froome e Contador - e ainda Quintana, vencedor do Giro do último ano.
Este será o único contrarrelógio individual de um Tour feito para trepadores. Técnico, sobre as pontes e canais de Utrecht, para os trepadores se defenderem e os homens mais à-vontade nesta especialidade a procurarem aproveitar as retas existentes para ganhar segundos. Demasiado longo para sprinters, mas não o suficiente para retirar da discussão da etapa alguns contrarrelogistas mais talhados para esforços curtos, podendo rivalizar com os de longo curso, como Tony Martin ou Cancellara.
(Uma vez que a etapa tem mais de oito quilómetros, não é prólogo, mas sim "primeira etapa")

Domingo, 5 de julho: 2ª etapa - Utrecht (Holanda) - Zeeland (Holanda) (166 km

Não haveria muitos locais mais sui generis para terminar esta etapa de Zeeland (Zelândia) do que a ilha artificial de Neeltje Jans. Não faltam ilhas artificiais na Holanda, mas esta foi construída como parte de um programa para prevenir cheias.
Mais uma vez o pelotão pedalará sobre as pontes que atravessam os canais dos Países Baixos, num dia que passam pela cidade de Roterdão, onde está instalado o maior porto da Europa.
O final plano favorece os sprinters, com os quilómetros finais a preverem-se muito nervosos.

Segunda-feira, 6 de julho: 3ª etapa - Anvers (Bélgica) - Huy (Bélgica) (159,5km)

O emblemático Mur de Huy, onde desde 1983 termina a Flèche Wallonne, prova também ela organizada pela ASO, receberá o final da terceira etapa da Volta a França 2015. A contagem de quarta categoria que lhe antecede, ainda que não motive ataques dos principais candidatos ao Tour, será importante para reduzir o pelotão, uma vez que a subida final é feita numa estrada estreita e o seu começo poderá tornar-se perigoso.
São 1300 metros a 9,6% de inclinação média, e máxima a rondar os 20%. Conhecida de muitos ciclistas, Valverde por três vezes ali venceu e Joaquim Rodríguez uma, os únicos dois dos presentes que já o fizeram.

Terça-feira, 7 de julho: 4ª etapa - Seraing (Bélgica) - Cambrai (223,5 km)

"A etapa dos pavés". O Tour terá pelo segundo ano consecutivo no Norte de França uma etapa de pavés, algo que era muito frequente até aos final dos anos 70, mas nessa altura também era normal ter quatro ou cinco contrarrelógios ao longo da prova, duas etapas no mesmo dia (ou até três) e bonificações nos cronos. Mesmo nos coletivos.
São sete setores de paralelo, com um total de 13,3 quilómetros, o primeiro ainda na primeira metade, os seis restantes nos 46 quilómetros finais. Um dos dias mais importantes da temporada para os classicomanos presentes mas também para os homens da geral. Uns para ganharem tempo à la Nibali, outros para resistirem.

Quarta-feira, 8 de julho: 5ª etapa - Arras Communauté Urbaine - Amiens (189,5 km)

Nova oportunidade para uma vitória ao sprint, como a de Mario Cipollini em Amiens em 1999. Ou para uma surpresa, como Johan Bruyneel seis anos antes. Cabe às equipas dos homens mais rápidos trabalharem para que se repita o primeiro cenário, e cabe aos seus finalizadores carimbarem a obra feita.

Quinta-feira, 9 de julho: 6ª etapa - Abbeville - Le Havre (191,5 km)

Se até há pouco tempo havia a ideia de que a primeira semana de Tour era para os sprinters, não há dúvida que este dogma se tem vindo a perder. A chegada a Le Havre, não sendo teoricamente suficiente para causar diferenças entre os aspirantes ao pódio final, tem 850m a 7% a terminar a cerca de meio quilómetro do risco final.
Alguns homens rápidos mais versáteis (como Sagan) tentarão chegar aqui ao triunfo que dificilmente terão em confronto com Cavendish, Greipel e Kittel (se este estiver como no ano passado, não a versão de 2015).

Sexta-feira, 10 de julho: 7ª etapa - Livarot - Fougères (190,5 km)

O vento poderá causar surpresas, mas à priori perspetiva-se uma discussão entre os melhores sprinters presentes.
Há 30 anos, em Fougères, a La Vie Claire de Bernard Hinault e Greg LeMond venceu um contrarrelógio coletivo, e duas semanas e meia depois Hinault conquistou o seu último Tour. O quinto. Melhor que ele, somente Merckx.

Sábado, 11 de julho: 8ª etapa - Rennes - Mûr-de-Bretagne (181,5 km)

Para o único final de etapa no Mûr-de-Bretagne não é necessário recuar tanto. Foi em 2011, com vitória de Cadel Evans, que viria a arrebatar esse Tour.
São 2 km a 6,9%, com a primeira metade a 10%. Não é longa, não é demasiado inclinada, mas para algum candidato ao pódio será demasiado explosiva. Algum dos que preferem subidas mais extensas e feitas num ritmo mais constante perderá aqui segundos.

Domingo, 12 de julho: 9ª etapa - Vannes - Plumelec (28 km, contrarrelógio coletivo)

Contrarrelógio coletivo em relação ao qual sou completamente contra, pois ao nono dia de prova já haverá vários abandonos e equipas significativamente desfalcadas, o que poderá levar ao caso de vermos candidatos ao triunfo final ainda com os oito companheiros e outros apenas com seis, por motivos que lhes serão alheios. Aliás, demonstração da falta de senso deste crono, é o próprio regulamento da UCI proibir contrarrelógios coletivos depois de ultrapassado o primeiro terço de prova. Como 21 a dividir por 3 são 7 e a 9ª etapa já é depois disso, o organizador teve que solicitar autorização especial à UCI, a qual foi concedida. Com a UCI, nunca sabemos quais as regras que são para aplicar e quais para enfeitar.
Relativamente ao crono, além das baixas que se poderão verificar nalgumas formações, há a destacar o relevo. Num CRE tão curto geralmente são importantes (além naturalmente de contrarrelogistas), homens rápidos, com explosão. Neste, sendo em constante sobe-e-desce, os sprinters apenas servirão para os primeiros quilómetros. É verdade que as subidas não são demasiado duras, mas os homens a lutar pela geral não podem esperar pelos seus companheiros menos talhados para este terreno, com a agravante do peso suplementar das bicicletas de contrarrelógio.

Segunda-feira, 13 de julho: dia de descanso
Dia para descansar e para o camisola amarela tirar uma fotografia a ler o L'Equipe.

Terça-feira, 14 de julho: 10ª etapa - Tarbes - La Pierre-Saint-Martin (167 km)

Os ciclistas chegam aos Pirenéus no Dia de França, com a primeira chegada em alto, na estação de ski de Le Pierre-Saint-Martin, após uma subida de 15,3 quilómetros a 7,4% de inclinação média, mais do que suficiente para colocar a nu a má preparação de algum dos candidatos à camisola amarela.

Quarta-feira, 15 de julho: 11ª etapa - Pau - Cauterets (188 km)

Aspin e Tourmalet, dois pontos emblemáticos do Tour, descobertos para a prova francesa há mais de 100 anos, são os destaques das 11ª etapa, ainda que o final esteja em Cauterets, onde em 1995 venceu Richard Virenque, num dia que ficará lembrado pela morte de Fabio Casartelli.
No final são apenas 6,4 quilómetros a 5% de inclinação média. Mas vamos fazer cruzar os dedos para que alguém ataque logo no Tourmalet. Ou no Aspin.

Quinta-feira, 16 de julho: 12ª etapa - Lannemezan - Plateau de Beille (195 km)

Dizia a lenda que quem vencia em Plateau de Beille, vencia o Tour. Foi assim com Marco Pantani em 98, Armstrong em 2002 e 04 e Alberto Contador em 2007. Mas a vitória de Jelle Vanendert em 2011 destruiu a lenda.
O Col de la Core (14 km, 5,7%) e o Port de Lers (13km, 6%) servirão para eliminar muita gente, mas não para ataques de maior importância, pois estão ambas as dificuldades distantes de Plateau de Beille (15,8 km a 7,9%).

Sexta-feira, 17 de julho: 13ª etapa - Muret - Rodez (198,5 km)

Depois de três chegadas em alto nos Pirenéus, o pelotão deixa a cordilheira fronteiriça com Espanha em direção ao Maciço Central (e depois aos Alpes), com lugar para algumas etapas com espaço para a fuga do dia vingar. O final em Rodez é um desses para homens combativos.

Sábado, 18 de julho: 14ª etapa - Rodez - Mende (178,5 km)

Parece que este ano a subida de Mende já não se chama Monte Jalabert, talvez porque o ex-ciclista francês passou da lista de suspeitos para a lista de apanhados. Além de Jalabert, em 95, também Marcos Serrano em 2005 e Joaquim Rodríguez em 2010 venceram em Mende, uma curta mas muito inclinada rampa. São 3 km a 10,1%. Dois Mur de Huy. Um tipo de subida em que nem todos os grandes trepadores se adaptam da melhor forma.

Domingo, 19 de julho: 15ª etapa - Mende - Valence (183 km)

Desde o Col de l'Escrinet até à meta são 56 quilómetros. As equipas dos sprinters quererão manter a corrida minimamente controlada, mas sabem que não podem desgastar demasiado os seus velocistas antes desta contagem de segunda categoria e que durante ela terão que adoptar um ritmo mais moderado, para que sobrevivam. Resta então pouco menos de sessenta quilómetros para anular alguma fuga.
Por outro lado, algumas equipas, como a Orica de Matthews, poderá tentar eliminar os sprinters como Cavendish, Greipel ou Kittel. Ou a Tinkoff de Sagan e a Katusha de Kristoff, dependendo de como estiverem Contador e Rodríguez. 

Segunda-feira, 20 de julho: 16ª etapa - Bourg-de-Péage - Gap (201 km)

Gap, sempre Gap, ali onde ganhou Rui Costa e antes dele Sérgio Paulinho. Havendo sempre Gap, ano após ano, haverá ainda algo que nunca ali se viu?
Poderá ser mais uma etapa para algum fugitivo, ou para algum favorito tentar a sua sorte no Col de Manse (8,9 km, 5,6%). Na subida, ou na descida.

Terça-feira, 21 de julho: dia de descanso 

Dia para repor energias. Sugestão do chefe: bife do lombo.

Quarta-feira, 22 de julho: 17ª etapa - Digne-les-Bains - Pra Loup (161 km)

Testou-se recentemente no Dauphiné esta etapa, com Romain Bardet a atacar muito próximo do Col d'Allos, para ganhar espaço na descida e carimbar a vitória em Pra Loup, ali onde 40 anos antes, em 1975, Bernard Thévenet desbancou o camisola amarela Eddy Merckx, para dizer que não mais venceria o Tour o Canibal.
Subida dura para Col d'Allos (14 km, 5,5%), descida técnica, e então a ascensão para Pra Loup (6,2 km, 6,5%).

Quinta-feira, 23 de julho: 18ª etapa - Gap - Saint-Jean-de-Maurienne (186,5 km)

Esta será daquelas etapas com um arranque de loucos. Representa para muitos ciclistas e muitas equipas a derradeira oportunidade de vencer uma etapa, considerando que as duas seguintes são para trepadores e a final para sprinters. Veremos uma grande disputa para marcar presença na fuga do dia, mas dificilmente uma tão intensa luta pela classificação geral, com alguma economia de energias.

Sexta-feira, 24 de julho: 19ª etapa - Saint-Jean-de-Maurienne - La Toussuire (138 km)

Só colossos nestes dois dias de Alpes, tão bonitos para quem vê, tão duros para quem os sobe. Começam a subir o Col du Chaussy (15,4 km, 6,3%), o lendário Col de la Croix de Fer está depois de 22,4 km de subida a uma inclinação média de 6,9%, com o Col du Mollard de passagem e final em La Toussuire (18 km, 6,1%). Expectativa em alta para esta etapa. Oxalá não esteja a vitória já decidida.

Sábado, 25 de julho: 20ª etapa - Modane Valfréjus - Alpe d'Huez (110,5 km)

E oxalá também ainda esteja em aberto a luta pela camisola amarela à partida para este curta mas sofrível jornada, de tão só 110 km mas com final no Alpe d'Huez.
Em vez do Télégraphe e Galibier inicialmente previstos mas alterados devido a um deslizamento de terras, os ciclistas subirão pelo segundo dia consecutivo ao Col de la Croix de Fer, desta feita por outra vertente. Serão 29 quilómetros de subida a 5,2% de inclinação média, antes do Alpe d'Huez, com 13,8 km, 8,1% de inclinação média e 21 curvas.

Domingo, 26 de julho: 21ª etapa - Sèvres - Paris (109 km)

Paris. Finalmente Paris.

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Até ao Tour: haverá aqui artigos para favoritos, outros ciclistas a ter em atenção, revisão a um livro muito bom e mais alguma coisa. Se o tempo assim o permitir.

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