domingo, 10 de janeiro de 2016

Aí está 2016

Quase tudo está pronto para o arranque de mais uma temporada, mais uma vez entre San Luís, na Argentina, e Adelaide, nas terras do Sul, Down Under. Depois virão para a Europa, onde se espera uma excelente Volta ao Algarve, talvez a melhor desde… sempre.

Tudo pronto são novos equipamentos, novas cores, algumas mudanças de equipa. Foi um defeso morno a nível internacional e nenhum dos ciclistas dominantes de 2015 mudou de equipa, pese alguns corredores de referência o terem feito.

Etixx, Cannondale e Sky são três das equipas que tiveram mudanças mais significativas para 2016. A histórica belga deixou sair dois ex-campeões mundiais, Kwiatkowski e Cavendish. O polaco pretende apostar nas provas de três semanas mas o diretor geral Patrick Lefevere não lhe augura grande futuro nessa rota. Amigos como antes, mas Kwiatkowski e a Etixx-Quick Step seguem por caminhos diferentes. Michal Kwiatkowski vai para a Sky. E Mark Cavendish vai para a Dimension Data, ex-MTN-Qhubeka, mostrando que a formação belga também já não está disposta a apostar em Cav tudo o que este precisava e pedia. Para o seu lugar entra Marcel Kittel, um dos grandes dominadores de 2014 mas que em 2015 não pôde correr grandes provas. Também sai Rigoberto Urán para a Cannondale e da Cannondale chega Daniel Martin. Urán precisava de uma equipa disposta a encarar as grandes voltas com um bloco em seu redor, algo que nunca teve na Quick Step, e esta precisava de alguém mais disposto a correr sozinho as grandes voltas e de um líder para as Ardenas. Esse é Daniel Martin.

À parte da qualidade, interessam as características, e o que não serve para os ineresses de um serve para outro. A Cannondale procurava uma nova aposta para as grandes voltas e encontrou-a com Rigoberto Urán e Pierre Rolland, deixou sair Daniel Martin e Ryder Hesjedal, o 5º no último Giro mas já com 35 anos. Também sai o campeão mundial sub-23 de 2013, Matej Mohoric.

A Sky perde Richie Porte. E em troca entram Michal Kwiatkowski, Mikel Landa, Beñat Intxausti e alguns jovens de quem a Sky espera muito… mesmo que a Sky tenha alguns maus exemplos com jovens talentos (Joe Dombrowski à cabeça, Joshua Edmondson, Andrew Fenn…).

Richie Porte, cansado de ser o braço-direito de Froome (ou o esquerdo de Wiggins), sai em busca do seu espaço próprio. Será na BMC de Tejay Van Garderen. A BMC já fez saber que Porte não se mudou para ser líder no Giro, mas no Tour, onde dividirá essa liderança com o norte-americano que estava a ser um dos melhores no Tour até ao segundo dia de descanso (malditos dias de descanso).

Muito desfalcada ficou a Lampre. Entrou Louis Meintjes mas a equipa viu sair muitas das principais figuras: Nelson Oliveira, Rafa Valls (Lotto), Ruben Plaza (Orica), Niccolo Bonifazio (Trek) e Filippo Pozzato (Southest).

Nelson Oliveira ruma à Movistar, onde entram também Daniel Moreno e Carlos Betancur, o colombiano à procura de voltar à sua versão mais leve. Já Daniel Moreno chega depois de romper com a Katusha.

Na equipa russa também sai Yuri Trofimov (para a Tinkoff), 10º no Giro e figura de destaque nas ruas de Copacabana. Entra Rein Taaramae depois de uma época de bom nível na Astana e Jurgen Van Den Broeck, outro que procura reencontrar-se.

A Giant perdeu Kittel mas confia em John Degenkolb para ser a maior figura. E em Tom Dumoulin. Para ajudar o holandês foi buscar o seu amigo Laurens Ten Dam. A Trek apostou nas contratações do jovem Bonifazio e em Hesjedal.

Não há novas equipas porque os atuais regulamentos da UCI tornam muito difícil que alguém esteja disposto a tudo o que é necessário para criar uma formação de raiz e coloca-la no topo. Mas ao World Tour chega a sul-africana Dimension Data, quase obrigada pela UCI. Além de Mark Cavendish e do seu comboio, à antiga MTN chegam Igor Antón, Konstantin Siutsou, Cameron Meyer, Omar Fraile e Nathan Haas.

No escalão secundária, a Europcar passa a ser Direct Energie. Perdeu Rolland e Cyril Gauthier mas reforçou-se com Sylvain Chavanel para juntar a Bryan Coquard e Thomas Voeckler. E no Brasil a Funvic sobe a Continental Profissional. Ainda que o plantel não permita grandes aspirações.

Portugueses, Domingos Gonçalves junta-se ao irmão José na Caja Rural. O campeão nacional sub-23 Nuno Bico vai para a Klein Constantia, equipa continental satélite da Etixx.

Termina carreira um dos ciclistas mais dominantes da última década e meia, Ivan Basso, agora com 38 anos. Também Campbell Flakemore, de 23 anos. Foi campeão mundial sub-23 de contrarrelógio em 2014 e tinha contrato com a BMC, mas, vai-se lá saber porquê, não terá gostado do ciclismo profissional. Como Dan Olivier (23 anos, Giant), que abandonou em junho.

Outros veteranos que deixam é Pablo Lastras (19 anos na mesma estrutura) e Alexander Kolobnev – dois vice títulos mundiais, bronze nos Jogos de Pequim e sócio de Vinokourov. E acaba a Team Colombia.
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