domingo, 21 de fevereiro de 2016

Contador rompeu pela multidão, Thomas bisou

Se durante as quatro primeiras etapas o público foi muito nas partidas e chegadas mas também em cada cidade, vila e aldeia visitada pela Volta ao Algarve, outra coisa não se podia esperar para o Alto do Malhão. E o público, claro, não defraudou. Foi por entre uma multidão que Alberto Contador venceu pela terceira vez no Malhão, desta feita com impressionantes vinte segundos, a maior vantagem registada desde que a subida é local de chegada.

O trabalho desenvolvido pela Tinkoff ao longo da segunda etapa foi assim pago na última. Alberto Contador falhou na Fóia e hipotecou aí as suas hipóteses de vencedor a classificação geral da Volta ao Algarve, uma prova que não tem espaço para grandes recuperações e por isso não permite falhas.

Mas se na Fóia Contador defraudou, no dia seguinte, no contrarrelógio de Sagres, já se mostrou melhor. Não estando super, o décimo terceiro lugar no contrarrelógio já era um bom indicador, considerando as suas características e as do crono, colocando-lo como um dos principais favoritos à vitória de etapa a par de Fábio Aru (Astana) e Geraint Thomas (Sky). O galês era, de resto, o principal candidato ao triunfo final. Para poder vencer a classificação geral, Tony Martin (Etixx) necessitava de sair de Sagres com uma vantagem mais confortável, sendo três segundos muito pouco. Afinal, não foram mesmo nada, com Martin a ter um dia muito aquém das suas capacidades e a ceder logo na primeira passagem pelo Malhão. Depois, percebendo que não tinha pernas para os da frente (nem para o segundo grupo), sofrer para perder cinco minutos ou levantar o pé e perder vinte é igual.

A subida ao Malhão começou espicaçada, com Rigoberto Urán e Contador na frente, e quando o colombiano percebeu que tinha mais ganas que pernas, já Contador estava lançado para uma vitória espetacular, com largos vinte segundos de vantagem. Com a camisola amarela fora de alcance, o espanhol rebentou com a corrida e venceu onde havia vencido em 2010 e 2014. Fabio Aru e Thibaut Pinot foram segundo e terceiro batendo ao sprint Amaro Antunes, surpreendendo todos, subindo como nunca antes. Em quinto, Geraint Thomas confirmou a vitória, a sua segunda, e Ion Izagirre (Movistar) foi segundo classificado. Vencedor da Volta à Polónia e terceiro no País Basco, Izagirre tem desenvolvido um progresso gradual e constante. Contador subiu ao terceiro posto.

Contador, Aru, Thomas, todos. Foram aplaudidos e ovacionados por uma multidão, espalhada pela estrada e pelos montes, inclusive maior que no ano passado. Uma multidão de aficcionados do ciclismo, que conhece o pelotão internacional e engrandece esta corrida.

A Federação Portuguesa de Ciclismo está de parabéns por uma Volta ao Algarve que, parece-me, foi um rotundo êxito. Tem um potencial publicitário para a região que não foi aproveitado mas essa é responsabilidade do Turismo (e tema para outro dia).

No tocante à FPC, teve que pegar na Volta ao Algarve para garantir a sua continuidade, trabalhou-a com tempo, pés e cabeça e estes cinco dias foram o resultado desse trabalho. Não consegui ouvir qualquer crítica à competição. Tivemos uma Volta ao Algarve organizada com competência e, caso não encontre nenhuma entidade que garanta a continuidade da prova com o mesmo nível de competição e organização, deverá a Federação Portuguesa continuar a organiza-la. Ganha o ciclismo português, ganha o Algarve e ganham todos os que gostam de ciclismo. Os algarvios e os muitos que se deslocaram.

Viva a Volta ao Algarve!


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