segunda-feira, 26 de julho de 2010

A manhã seguinte


Sendo o Tour a prova mais importante da temporada, para muitos ciclistas é nele que se decide se a época é boa ou má. E tendo o último acabado há menos de 24 horas, é hora de fazer o balanço de um Tour onde Contador e Andy Schleck estiveram muito superiores aos restantes. Ainda se deram ao “luxo” de abdicar de uma chegada em alto para fazer diferenças para os restantes, limitando-se nesse dia a uma triste marcação. O primeiro dos “outros” foi o Menchov, um dos melhores voltistas desta década, que obteve o justíssimo prémio de subir ao pódio de Paris. Já tinha sido terceiro pela desclassificação de Kohl e foi também por uma desclassificação (Heras) que ganhou a sua primeira Vuelta, a de 2005. Seguiu-se a de 2007 e o Giro 2009.
O Samuel Sánchez esteve muito forte nos Alpes mas nos Pirenéus foi incapaz de ganhar tempo ao Menchov para se defender no contra-relógio; o Van Den Broeck e o Gesink foram regulares e confirmaram ser dois ciclistas a ter em conta para o futuro; o Hesjedal foi o Homem Garmin, como o Vandevelde em 2008 e o Wiggins em 2009; o Rodríguez mostrou que, aos 31 anos, já deveria ter mais Tours; o Kreuziger teve duas versões, uma que podia lutar por muito mais do que o 9º lugar, outra que o impediu de faze-lo; o Horner perdeu muito tempo a esperar pelo Armstrong na primeira etapa de montanha mas sem isso não lhe seria concedida a fuga que o meteu nos dez primeiros.
O Luis León Sánchez é um excelente ciclista para provas de uma semana e não tão excelente para provas de três semanas mas luta sempre por uma etapa; o Roche estaria na luta pelo top-10 se não fosse um furo num momento inoportuno.
O Cavendish venceu mais cinco etapas e já leva 15 no Tour, a caminho das 34 de Merckx, mas o Petacchi foi mais regular e levou a camisola verde que o britânico tanto queria. O Charteau levou a camisola da montanha e deixou os organizadores a pensar o que fazer da vida para dar vida a esta camisola e a RadioShack conseguiu, com a vitória na classificação colectiva, fazer com que o balanço se ficasse pelo “muito fraquinho”, já que individualmente, além do Horner, só o Sérgio Paulinho teve nota positiva graças à vitória alcançada. E a camisola branca foi para o Andy Schleck, claro, a terceira consecutiva, a igualar o recorde de Jan Ullrich.
Com duas etapas e dois dias de camisola amarela, Sylvain Chavanel foi o melhor francês num Tour muito positivo para os franceses. Além dele, mais quatro franceses venceram, e desde 1997 que não venciam seis etapas.
Curiosamente, no meio de tantas vitórias gaulesas, foi o Sérgio Paulinho a vencer no dia do feriado nacional francês. Por isso o balanço da sua Volta a França tem que ser positivo. Também o de Rui Costa, porque, apesar de não ter conseguido entrar em grandes fugas como tentou, conseguiu cumprir o seu objectivo: terminar a prova. E na hora de fazer balanços, o que conta é o cumprimento ou não dos objectivos.
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Estamos a partir de hoje no Pós-Lance Armstrong II. O Pós-Lance Armstrong I foi degradante mas este espera-se que seja melhor. Para falar disso, outro dia.
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A Volta a Portugal do Futuro foi mesmo para o Efimkin. Ou melhor, para o Ryabkin, ao estilo Efimkin ’05. Também ao estilo Blanco ’06. As equipas portuguesas a olharem umas para as outras e uma equipa estrangeira a fazer a festa.

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