quarta-feira, 14 de julho de 2010

O dia em que Paulinho reescreveu a sua história


Hoje era uma etapa ideal para fugas. Depois de uma etapa de média montanha e duas de alta, hoje os ciclistas queriam evitar mais um dia desgastante e, além disso, a dureza do percurso tornava impossível que os sprinters aguentassem o ritmo do pelotão se este fosse relativamente alto. A solução passava por dar a etapa a um grupo de fugitivos que não se interessassem pela geral, possibilitando que todos (fugitivos e pelotão) andassem em ritmo de passeio. Por isso, uma etapa sem dificuldades de maior no percurso, tornou-se a mais lenta desde a 17ª de 2008, onde tinham 210 km e três contagens de extra categoria, incluindo o final em L’Alpe d’Huez, vencido por Carlos Sastre.
Sabendo tudo isto, a Caisse d’Epargne tentou meter um homem em fuga e, como José Azevedo disse durante a transmissão da RTP N, a estratégia da RadioShack passava por marcar os homens da equipa espanhola, não os deixando ganhar tempo para a classificação colectiva, o novo objectivo depois de Lance Armstrong dizer adeus à luta pelos primeiros lugares. Felizmente para o ciclismo português, foi o Sérgio Paulinho quem conseguiu entrar na fuga certa. Foi também o Sérgio quem desferiu o ataque que reduziu a frente de corrida a dois e foi ele quem venceu, tornando-se no quarto português a vencer individualmente na Volta a França.
Curiosamente, a primeira vitória da RadioShack aconteceu na Volta ao Algarve (Rosseler em Tavira), a segunda foi de Tiago Machado (contra-relógio do Circuit de la Sarthe) e agora foi um português o primeiro a dar uma vitória em etapa à equipa norte-americana. Outra curiosidade, a vitória do Sérgio Paulinho aconteceu no dia em que se voltou a passar pela descida onde Joseba Beloki caiu e disse adeus aos seus melhores dias como ciclista, não nos esquecendo nós das imagens de José Azevedo parado na estrada junto ao seu colega de então, na ONCE.
Depois dos Jogos Olímpicos e da vitória na Vuelta, o Sérgio tornou-se um ciclista que tem como principal qualidade não se importar de passar toda a época a ir buscar abastecimento ao carro e apanhar um saco para os líderes no abastecimento apeado. Hoje, tornou-se num dos melhores portugueses da história da Volta a França. Reescreveu a sua história e, por isso, os meus parabéns.

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