domingo, 18 de julho de 2010

Um ponto para Andy Schleck


Dir-me-ão que o Contador está em vantagem face ao Andy Schleck porque, no contra-relógio é mais forte e só tem que recuperar 31 segundos. Sim, é verdade, mas mais verdade é que o Contador tem que recuperar esses 31 segundos e no ciclismo não existem certezas a priori. Um exemplo recente disso aconteceu em 2008, quando Cadel Evans partiu para o contra-relógio final no quarto lugar mas a apenas 1.34 minutos de Carlos Sastre, o camisola amarela. No contra-relógio da 4ª etapa, com 30 km, o australiano tinha ganho 1’16’’ e por isso era esperado que, agora com 53 km, recuperasse muito boa parte do atraso que tinha e lutasse pela vitória final. Acabou por ganhar apenas 29 segundos. Esta é a situação mais evidente porque envolve a camisola amarela do Tour, mas outros casos houve, nos últimos anos, de surpresas nos últimos contra-relógios, por motivos físicos e/ou psicológicos. Por um lado, temos a recuperação que é necessária fazer todos os dias durante três semanas e que uns ciclistas fazem melhor do que outros. Por outro lado, temos a reacção à pressão, a motivação e a força extra que a camisola amarela dá. Hoje Schleck venceu Contador pelo psicológico.
Antes desta etapa, Contador disse que, nos Pirenéus, queria passar para a frente de Andy. Além disso, estava motivado pelos dez segundos recuperados na etapa de sexta-feira. Não pela quantidade de tempo mas por ter mostrado que podia deixar o principal adversário para trás, depois de ter sido ele a ficar para trás em Avoriaz.
Hoje a Astana trabalhou e Contador atacou uma e duas vezes sem sucesso. Andy Schleck perdeu 14 segundos para Samuel Sánchez e Denis Menchov, mas mostrou que conseguia aguentar na roda de Contador e que está melhor do que em Mende. Independentemente do que acontecer nos próximos dias, hoje a vitória foi para Schleck, ainda que seja uma vitória curta.
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Quem teve uma vitória clara e justa foi o Christophe Riblon, num daqueles dias que justifica todos os esforços vividos em cima da bicicleta e vale um trunfo importantíssimo para a equipa em relação aos patrocinadores. A Française des Jeux com Sandy Casar e a Ag2r com Riblon já garantiram uma grande Volta a França, como garantirá a Bouygues Telecom se o Anthony Charteau vencer a classificação da montanha. Mas atenção ao Schleck e ao Samuel Sánchez, embora eu não me admire muito se, entre estes três, o vencedor for… outro ciclista.
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E como se não bastasse a vitória do Paulinho em Gap, a selecção nacional arrasou no Campeonato da Europa, disputado na asiática cidade de Ankara, na Turquia. Nos contra-relógio, Rafael Reis foi o melhor tuga em juniores (sexto) e Nelson Oliveira conquistou a medalha de bronze nos sub-23, a 5ª do ciclismo de estrada nacional em Europeus, Mundiais e Jogos Olímpicos. Ontem, na prova em linha de juniores, Rafael Reis conquistou mais uma de bronze e hoje Nelson Oliveira levou a prata. Uma semana incrível para o ciclismo português. Mas não tenham ilusões. O dinheiro será sempre para o triste futebol duma selecção que nunca ganhou nada.

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