sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Volta: A história do costume


Depois de um prólogo sem interesse desportivo, a primeira etapa foi precisamente o contrário devido à fuga do Chuzhda. Ao contrário do que muita gente defende, eu não acho que dar 15 minutos a três ciclistas a 140 quilómetros da meta, seja um perigo. O problema foi depois, quando chegou a hora de anular a diferença e nenhuma equipa (excepto a Palmeiras) se mostrou interessada em assumir a perseguição. E a Palmeiras, por ter o Blanco, não era a única a ter que trabalhar. Sendo a Palmeiras a equipa mais forte, é aquela que, à partida, terá mais possibilidades de ganhar etapas e a geral. Por isso mesmo, sendo a chegada como era, a Madeinox tinha que trabalhar para o Petrov poder vencer, a LA-Paredes para o Filipe Cardoso poder chegar à amarela e a Barbot porque tinha o Sérgio Ribeiro. Para além disto, se a Barbot quer ganhar com o Bernabeu e o Loulé com o Santi Pérez, não podem facilitar tanto. Infelizmente, já estamos habituados a isto das equipas portuguesas sacudirem as responsabilidades umas para as outras. Excepção tem sido a Palmeiras, que nos últimos anos, sempre que teve que trabalhar, trabalhou.
E a maior derrotada acabou por ser mesmo a Barbot, porque tinha um homem na fuga certa e ele não aguentou e porque perdeu a possibilidade do Sérgio Ribeiro vencer uma etapa. Caso o tivesse conseguido, garantia de imediato o saldo positivo da Volta, mas assim habilitou-se a não ter tão boa oportunidade até ao final. Felizmente para eles, o Sérgio conseguiu aguentar hoje a subida, vencer a etapa (a sua primeira na Volta) e safar, desde já, esta participação da equipa.
A subida para a Srª da Assunção foi sempre controlada pela Palmeiras, que tinha, com Cândido Barbosa, fortes possibilidades de vencer e, para isso, levou o grupo principal num ritmo constante. Eles sabiam que não tinham que ir ao choque mas sim manter o ritmo para que o Cândido estivesse lá na parte final e pudesse lançar o seu sprint. Mas, ao levar o grupo em ritmo constante, também saiu beneficiado o Serginho, que não é um trepador mas passa bem as subidas curtas.
Se, por um lado, o Cândido não deu a etapa aos de Tavira, o Blanco ganhou 6 segundos de bonificação, mais alguns a todos os adversários e meteu tudo em sentido. Entre aqueles que eram apontados pela comunicação social como favoritos, o Pardilla perdeu 8s (a contar com bonificações) para o Blanco, o Bernabeu 11s e Santi Pérez 14s. Surpreendeu-me o Vítor Rodrigues em 5º, pois é um excelente corredor mas tem tido uma temporada atribulada e eu não sabia até que ponto ele estaria em forma. Felizmente, está. Também gostei de ver o Broco em 7º e o João Benta em 9º, a mostrarem que estão em forma para lutar pelos seus objectivos. Assim como gostei de ver o Sérgio Sousa ao ataque na parte final e, antes dele, o Gustavo Rodriguez, que já passou por Portugal sem conseguirem aproveitar todo o seu valor. E muito bem também o Joni Brandão, um sub-23 de 3º anos que hoje foi 17º. Ao contrário, esperava mais do Hugo Sabido e do Bruno Pires.
Amanhã, etapa para sprint ou fuga, com os favoritos à geral a pouparem-se para a Srª da Graça no dia seguinte.
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Ontem foi impossível escrever algo pois foi dia de viagem para vir acompanhar a Volta a Portugal de Cadetes. Hoje vi algo incrível. Um miúdo caiu nos primeiros 10 km, desistiu logo, fez toda a etapa no carro de apoio neutro e, quando se preparava para ir ao hospital, foi chamado para ir ao controlo anti-doping porque lhe tinha calhado no sorteio. Não seria melhor o sorteio ser só para os primeiros 15 ou 20? É que, uma vez que não se pode controlar todos, mais vale controlar quem anda na frente.
Outra coisa que me vez rir. A organização protestou (e com razão) que o policiamento é caro, mas havia uma forma simples de poupar. A etapa de hoje tinha, teoricamente 77 km. Os conta-quilómetros dos miúdos marcaram 69. Ou seja, hoje pagaram 8 km extra de policiamento, já para não falar da quantidade de motas que anda antes da cabeça de corrida, sabe-se lá para quê.
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Nos Mundiais de Juniores, a disputar na Itália, o Rafael Reis foi hoje sexto no contra-relógio. Independentemente do que acontecer no futuro, é um júnior de classe mundial.

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