domingo, 15 de agosto de 2010

Para os comissários corarem de vergonha


A etapa de hoje tinha tudo para não ter interesse e eu já tinha pensado em dedicar pouco espaço à etapa e deixar para mais tarde um balanço geral. Afinal, os comissários deram um interesse suplementar à tirada. Possivelmente, esta é a primeira vez (pelo menos nos últimos muitos anos) em que há uma desclassificação de alguém que vem de trás. Normalmente, o sprint irregular é de alguém que vai na frente e corta a trajectória dos seus adversários. Hoje, o sprint foi irregular por algo que só os comissários saberão. Enfim, o Cândido tinha que ganhar de alguma forma. Pena ser de uma forma tão estapafúrdia, apesar dele não ter culpa (a não ser que tenha protestado).
Uma análise mas detalhada deixarei para amanhã, porque há muito para dizer. Por agora, parabéns aos vencedores e todos aqueles que têm motivos para festejar. Principalmente ao David Blanco, que vence a sua 4ª Volta por mérito próprio e com classe. A minha favorita continua a ser a de 2008, vencida na Torre, embora tenha deixado em 2º lugar um grande amigo meu.
Hoje, opto por abordar outros temas. Como as Lições de Carácter por um Puertista Suspenso por Doping e o regresso dum campeão português.
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Os irmãos Nozal são duas figuras engraçadas, não por gostarem de fazer piadas mas sim porque têm tendência para, mesmo falando sério, darem vontade de rir. O mais novo, Carlos, não nasceu com grande talento para ciclista, mas como o irmão tinha jeito e estava na ONCE, o Carlos foi para a filial sub-23 da equipa. O afastamento da empresa ONCE do ciclismo foi a sorte do Nozal mais novo. A empresa Liberty Seguros pegou na equipa de Manolo Saiz e entrou como patrocinador da equipa de Américo Silva, levando Sérgio Paulinho e Nuno Ribeiro para Espanha e trazendo para Portugal dois jovens da cantera. Um deles foi o tal pouco prendado Nozal e o outro o Jordi Grau, um ciclista de qualidade que foi afastado da equipa por motivos que nunca cheguei a conhecer.
Sempre medíocre, dava nas vistas de vez em quando numa fuga, tendo inclusive vencido uma etapa da Volta a Portugal em 2006, uma Volta pessimamente disputada no seu geral. Mesmo assim, o Carlitos achava-se bom demais para o pelotão português, onde, segundo ele, se corre como amadores. Quanto a mim, acho que o pelotão português é que era demais para este Nozal.
Quanto ao irmão Isidro, era realmente um ciclista de qualidade até 2004. Inexplicavelmente, em 2005 deixou de render e no ano seguinte a sua carreira começou a caminhar rumo à auto-destruição quando o seu nome surgiu na Operação Puerto associado a hormona de crescimento e EPO. Por isso, foi corrido da equipa no final do ano e só a Karpin-Galicia o quis. Como nas principais provas ninguém queria os Puertistas (excepto o Valverde), teve que ficar de fora da Vuelta e, como não podia correr a Vuelta, não servia para a equipa. No ano seguinte livraram-se dele e veio ter a um país onde sempre se aceitou bem os espanhóis marcados pelo Index do doping. A única vez que o Isidro deu nas vistas foi quando se soube do controlo positivo de CERA na Volta do ano passado.
Agora vem acusar o Hernâni Brôco de falta de carácter porque, segundo ele, não dava garantias de trabalhar para a equipa. Isto tudo porque várias vezes perguntaram ao Hernâni se ficava de fora da Volta na Liberty por se recusar a consumir substâncias dopantes e ele se recusar sempre a responder. Se foi por recusar o doping que o Brôco ficou de fora da Volta, não sei, mas certamente não foi por ter menos qualidade que os irmãos Nozal. Nem por não trabalhar para os seus colegas, porque todos nos lembraremos de quem levou o Cândido às costas na Senhora da Graça em 2005. E na Volta de 2007 (2006 falhou por lesão) também trabalhou, embora dando menos nas vistas porque a equipa era mais forte. E nesta Volta trabalhou logo na 1ª etapa para os sprinters e na 2ª para lançar o Hugo Sabido para uma meta volante e o colocar para a subida final… e além disso, que moral têm os Nozal para falar de carácter?
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Correu-se hoje a Vattenfall Cyclassics, em Hamburgo, com Manuel Cardoso a voltar à competição depois da queda no Tour. Estava bem colocado no pelotão na parte final mas ficou fechado (nada irregular, porém) e foi 26º. Serviu para ver que está a recuperar bem e talvez faça uma boa Vuelta. Vitória para Farrar.

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