quarta-feira, 22 de junho de 2011

Volta à Suíça: mais sinais para o Tour

Tal como aconteceu com o Critérium du Dauphiné, está em boa hora de olharmos para a Volta à Suíça que se disputou durante a passada semana (até domingo) e dela retirarmos algumas notas sobre aquilo que podemos esperar para a Volta a França que dentro de dez dias se inicia.

Damiano Cunego foi o mais forte na montanha, Levi Leipheimer foi o vencedor final e presentes estiveram outros ciclistas que nos interessam, como os irmãos Schleck, Peter Sagan, Thor Hushovd e o nosso português Nelson Oliveira.


4 segundos entre Cunego e Leipheimer

Damiano Cunego não venceu nenhuma etapa mas foi o ciclista que mais se evidenciou nesta Volta à Suíça, com dois segundos lugares em etapas, um terceiro e seis dias com uma camisola amarela perdida no final por apenas quatro segundos. Para definir o Cunego em pouco tempo, pode dizer-se que é um dos melhores ciclistas do mundo quando está no seu melhor mas raramente o está. A vitória na Volta a Itália já foi há demasiado tempo, mas as vitórias no Giro da Lombardia, na Amstel Gold Race e o vice-título mundial de 2008 comprovam o que digo. Não o vejo como ciclista para andar na disputa dos primeiros lugares do Tour até ao final mas, com a forma que apresentou nesta Volta à Suíça, é bem possível que seja um dos grandes animadores das duas primeiras semanas da prova, principalmente tendo etapas como a Mont des Alouettes, a de Mûr-de-Bretagne e a de Super-Besse, respectivamente primeira, quarta e oitava. Na alta montanha já não deverá ter tão boas hipóteses de vitória, mas ainda assim poderá estar entre os melhores, pelo menos nos primeiros dias.

Levi Leipheimer, foi o grande vencedor da prova, uma das mais importantes que venceu a par da Volta à Alemanha de 2005 e o Dauphiné Libéré de 2006. Nunca foi explosivo na montanha mas, nos seus melhores tempos, era dos mais regulares a ir na roda e tinha no contra-relógio a sua outra arma. A julgar pelo que nos mostrou nesta Volta à Suíça, a caminho dos seus 38 anos, já não tem pernas para ficar nos cinco primeiros do Tour, apesar de continuar um grande contra-relogista, um dos melhores do mundo.

Leopard-Trek

A prestação do Andy Schleck terá desiludido muita gente. A mim, não. Antes de mais, porque o Andy é um ciclista bem diferente do Contador e não anda a época toda a discutir vitórias, mas sim foca-se nos seus objectivos (Clássicas de Abril e Tour) e é aí que está no topo. Já nos dois últimos anos esteve longe de discutir a vitória na prova suíça e, apesar de no ano passado ter estado melhor ao ser 14º, este ano não esteve nada mal. Primeiro, porque se percebeu desde cedo que estava lá para trabalhar para o seu irmão Frank (mais tarde Jakob Fuglsang acabou por também ter liberdade), depois porque andou virado para a classificação da montanha (para não sair de lá sem nada) e porque ainda se deu ao luxo de algumas “brincadeiras” para tentar ganhar etapas, como a de Serfaus em que foi segundo. Tendo em conta o que é normal em si, acho-o muito bem com vista o Tour.
Como já disse, o Andy é diferente do Contador. O que faltou dizer é que a Leopard é uma equipa única e não vejo outra com tanta qualidade a trabalhar para outros e ainda assim satisfeitos. O Cancellara que aqui ganhou prólogo e contra-relógio final, é o mesmo que no Tour vai ser fundamental para o contra-relógio colectivo, tentará ganhar o contra-relógio do penúltimo dia e de resto trabalhará para os seus líderes como qualquer gregário. Há ainda Fuglsang, Gerdemann e Monfort, três excelentes contra-relogistas e bons trepadores (no caso de Fuglsang, muito bom), que, sabendo que em Julho terão que trabalhar afincadamente para os irmãos Schlecks, desfrutaram de alguma liberdade até agora, como Gerdemann na Volta ao Luxemburgo (que ganhou) e Fuglsang nesta V. Suíça.

O futuro da Rabobank

Se se pensava que a Rabobank tinha um futuro promissor em termos de grandes voltas com Robert Gesink, ultimamente temos visto que os próximos anos poderão ser ainda mais risonhos para a equipa holandesa, um exemplo a todos os níveis. Bauke Mollema e Steven Kruijswijk têm mostrado que também entrarão nas contas e a Rabobank terá três grande-voltistas para os próximos anos.

Outro que indiscutivelmente tem tudo para ser uma das grandes figuras desta década é Peter Sagan, sprinter que passa muito bem a média montanha e é muito bom em prólogos. Talvez uma nova versão de Laurent Jalabert. Venceu duas etapas esta semana e falhou a terceira porque Thor Hushovd esteve impecável, conseguindo a ansiada vitória com a camisola arco-íris, o que lhe tranquilizará para a Volta a França.

E o nosso futuro (agora através de Nelson Oliveira)

Se no Critérium du Dauphiné os portugueses se animaram com a prestação de Rui Costa, concluída a Volta à Suíça temos motivos para se animar com a prestação de Nelson Oliveira. Com apenas 22 anos (sim, ainda é sub-23), ainda é cedo para o Nelson confirmar diante de profissionais a qualidade que mostrou quando correu entre sub-23, escalão em que também se adaptava às montanhas e até conquistou a medalha de prata nuns Europeus planos como os do ano passado.
Mas se há algo que o Nelson tem vindo a demonstrar, é que poderá ser um grande contra-relogista para qualquer que seja a prova. Não digo que será um dominador ao nível de Cancellara, até porque o suíço é o recordista de Campeonatos do Mundo da especialidade e representa uma fasquia muito elevada para qualquer um, mas acredito que o Nelson Oliveira poderá ganhar contra-relógios em qualquer lado, incluindo em Campeonatos do Mundo, e terá um papel de destaque nesta que parece ser a geração de ouro do ciclismo português.
Isto claro, se nenhum problema o prejudicar, como este ano em que a Xacobeo terminou e teve que andar à procura de equipa em período já tardio.

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Confirmado na Volta a França está Sérgio Paulinho, que assim a correrá pela quarta vez. Aproveito para deixar uma chamada de atenção para o seu blog: www.sergiopaulinho.blogspot.com. Desde o Critérium do Dauphiné, tem sido muito actualizado e, quanto assim for, será certamente um blog interessante de seguir para os adeptos da modalidade.

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