segunda-feira, 25 de março de 2013

Revista da Semana: Dobradinha da Sky em França


Como resumir uma semana tão rica em competições? Daniel Martin causou uma meia surpresa e venceu a Volta à Catalunha à frente de gente como Joaquim Rodríguez ou Bradley Wiggins, a Sky conseguiu a dobradinha no Critérium Internacional com Froome e Porte, Fabian Cancellara e Peter Sagan deram duas demonstrações de classe na Bélgica e Fábio Silvestre venceu uma etapa em França. Tudo isto em análise na 8ª edição da Revista da Semana.

Critérium Internacional

Depois de anunciada a não participação de Alberto Contador, Chris Froome tornou-se o claríssimo candidato à vitória no Critérium Internacional, onde também alinharia o vencedor do Paris-Nice Richie Porte, Tejay Van Garderen, Andrew Talansky, Jean-Cristophe Peraud e Bauke  Mollema.

Na etapa de sábado de manhã, Theo Bos conquistou mais um triunfo para a sua conta pessoal e da Blanco, que já vai em 11 e apenas é superada pela Omega Pharma. No começo da temporada Bos colocou como objetivo obter o máximo de vitórias e pontos de mérito, mesmo que para isso tivesse que abdicar das três grandes voltas, e para já está no bom caminho.

Richie Porte venceu o contra-relógio da parte da tarde e, apesar das diferenças serem curtas, instaurava a dúvida sobre quem seria o líder da Sky para a última e decisiva etapa, com chegada ao Col de l'Ospedale: o camisola amarela Porte ou o líder inicial e líder para o Tour Froome.

Pelo alinhamento da Sky na frente do pelotão rapidamente se percebeu que a aposta seria Porte, o que acabava por ser mais lógico. O australiano está em grande forma e dar-lhe liberdade nestas provas contribui para a sua satisfação e realização pessoal, importante quando em Julho lhe tocar retribuir os "favores" à equipa e a Froome. Ainda assim, Porte teve um enorme espírito de equipa e colocou os objetivos do coletivo acima dos seus.

A 5,5 km, enquanto liderava o grupo dos favoritos em prol do camisola amarela, Froome entusiasmou-se e colocou um ritmo superior ao que todos esperavam e desejavam. Consciente de que o ritmo do colega causaria estragos, Porte abrandou, criando um espaço entre si e Froome que ninguém conseguiria fechar, primeiro por desatenção e surpresa, depois porque Froome viu que tinha carta branca do companheiro e iniciou a sua cavalgada para a vitória.

Não estavam em causa ordens da equipa, até porque os rádios apenas são permitidos nas corridas World Tour e não é o caso do Criterium Internacional. Foi Porte quem tomou a iniciativa de deixar o seu colega ir por ali fora à espera de ver o que fariam os seus adversários, um pouco à imagem do que Tom Boonen fez para Stijn Devolver na Volta a Flandres 2008.

Chris Froome foi para a vitória na etapa e na classificação geral e Richie Porte deixou que os seus adversários tentassem a perseguição para depois atacar ele para o segundo lugar. Tejay Van Garderen, cada vez melhor trepador, fechou o pódio da prova.

É a Sky invencível? Não e mais uma prova disso tivemos na Volta à Catalunha.

Volta à Catalunha

Com duas chegadas ao alto e uma equipa que incluía Uran, Cataldo e David López, Bradley Wiggins parecia o mais forte candidato à vitória na Volta à Catalunha, um favoritismo que aumentou no primeiro dia quando, a descer, fez uso da sua potência para formar um grupo de apenas treze ciclistas. Entre o grupo da frente, Valverde, Joaquim Rodriguez, Daniel Martin, Gesink e Scarponi pareciam ser os principais adversários.

Gianni Meersman venceu as duas primeiras etapas e foi como líder para a primeira chegada ao alto, onde a Sky controlou o pelotão mas sem um ritmo demasiado alto, permitindo vários ataques. Wiggins atacou à entrada do último quilómetro e deixou o grupo dos favoritos ainda mais alongado do que já estava. Nairo Quintana, com um olho em Wiggins e outro a procurar Valverde atrás de si, foi quem respondeu mais facilmente e a 300m da meta contra-atacou para a vitória. Valverde era segundo e assumia a liderança da prova.

Na quarta etapa, nova chegada ao alto onde muito provavelmente se decidiria a prova. Valverde caiu e abandonou a meio da tirada, ficando o pelotão sem líder e com uma fuga de 25 unidades por anular. Nesse grupo, o vencedor do último Giro Ryder Hesjedal sacrificou-se por Daniel Martin, que entrou na ascensão final com vantagem sobre os favoritos e conseguiu finalizar 36 segundos à frente de Joaquim Rodríguez e Nairo Quintana, segundo e terceiro respetivamente. Dan Martin assumia assim a liderança da prova para não mais a perder, melhorando o segundo posto das edições de 2009 e 2011.

François Parisien, Simon Gerrans e Thomas De Gendt venceram as últimas três etapas, Rodríguez foi segundo na geral e Scarponi terceiro. Quintana deve ter ficado a bater com a cabeça nas paredes pelos 28s perdidos no primeiro dia, exatamente a distância que o separou do segundo lugar. Ainda assim, deu mais duas demonstrações da sua enorme qualidade e muita atenção para este fantástico trepador colombiano.

Dwars door Vlaanderen, Prijs E3 Vlaanderen, Gent-Wevelgem

Fábian Cancellara deu uma fantástica demonstração de poder na sexta-feira e impôs-se no Prijs E3 Vlaanderen (Prémio E3 de Flandres), com Peter Sagan em segundo e Daniel Oss terceiro. O eslovaco, que já tinha sido segundo em Sanremo, vingou-se ontem e cumpriu um dos objetivos da temporada na Gent-Wevelgem, desta vez sendo ele a dar uma grande demonstração de classe. Borut Bozic e Greg Van Avermaet completaram o pódio de uma prova em que Tom Boonen caiu e viu a sua preparação para a Volta a Flandres e o Paris-Roubaix ainda mais atrasada.

Antes do E3, na quarta-feira Oscar Gatto venceu a Dwars door Vlaanderen, alcançando Thomas Voeckler a poucas pedaladas da linha de meta, depois do francês andar durante vários quilómetros isolado na frente. As clássicas belgas voltarão a ser faladas dentro de dias, na antevisão da Volta a Flandres.

Volta à Normandia (vitória de etapa de Fábio Silvestre)

Fábio Silvestre voltou a estar em evidência esta semana, ao vencer a primeira etapa em linha da Volta à Normandia, liderar por dois dias a prova e terminar no quarto posto final. Fica um sabor amargo por falhar o pódio, mas esta foi uma grande prestação do português, numa prova recheada de jovens valores.

O Fábio é o tipo de ciclista que agrada às equipas World Tour, não só pela qualidade neste ou naquele tipo de terreno mas também pela versatilidade. Muito bom sprinter, muito bom contra-relogista e resistente às dificuldades das colinas, pode ser uma boa opção para provas de um dia ou provas por etapas. Continue a temporada a correr bem e, quem sabe, teremos mais um português no World Tour em 2014.

Semana Coppi e Bartali

Semana Coppi e Bartali, prova de homenagem a esses dois grandes símbolos da história do ciclismo italiano, foi dominada pelos jovens valores transalpinos. Fabio Felline (1990), Diego Ulissi (1989), Adriano Malori (1988) e Damiano Caruso (1987) venceram uma etapa cada um, com outra para Damiano Cunego (Lampre) e o contra-relógio por equipas para a Katusha. A classificação geral foi para Diego Ulissi, de quem se espera muito desde que foi bicampeão mundial de juniores (2006 e 07).

O contra-relógio coletivo foi feito por equipas de quatro ciclistas (cada equipa era dividida em duas), o que é muito raro mas não é uma estreia. Aconteceu por exemplo na Vuelta 1991, com um prólogo disputado por trios.

Volta a Flandres à vista

No domingo disputa-se a Volta a Flandres, segundo monumento da temporada e um sonho para muitos ciclistas. A sua antevisão será feita na sexta-feira, depois de terminados os 3 Dias de De Panne (dias 26-28), onde alguns ciclistas aproveitam para ultimar a sua preparação, como será o caso de Tom Boonen.

No fim de semana haverá também o GP Miguel Indurain e a Volta à Rioja em Espanha e Route Adélie de Vitré em França, provas que vão contar com a presença de ciclistas portugueses.

Em Portugal, tempo para a Volta ao Município de Loulé, uma prova de referência no ciclismo de formação nacional.

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Já está criado o jogo da Volta a Flandres do Zweeler. São 1000€ garantidos de prémios e podem entrar aqui.

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