sábado, 22 de fevereiro de 2014

Pacote completo: estrelas, espetáculo e público

Quando os ciclistas saíram de Almodôvar, Chris Froome estava prestes a vencer a etapa rainha da Volta a Omã e assumir a liderança de uma prova que já venceu no ano passado. Mas por cá, Alberto Contador não se ficou atrás e conquistou também ele a primeira vitória da temporada, no Alto do Malhão, onde muito público compareceu à chamada.

O público esteve ao nível de 2004. Em 2004, o principal chamariz era o então pentavencedor do Tour Lance Armstrong. Dez anos depois esse papel pertence ao campeão do mundo, que é também o melhor ciclista português de sempre mas que não tem tiques de vedeta. Aliás, Rui Costa tem a simpatia e a paciência para os (muitíssimos) fãs que o abordam, características que faltam a Alberto Contador, Mark Cavendish e outras estrelas que têm passado pelo Algarve. E é também por ter essa enorme abertura para os fãs que tem uma enorme multidão atrás de si e que chama para as estradas muita gente que de outra forma ficaria em casa.

Retirar a camisola amarela a Michal Kwiatkowski parecia tarefa impossível, depois de ontem o polaco ter confirmado que a vitória em Monchique não tinha nada de acaso e que é o ciclista mais forte nesta Volta ao Algarve. A única alternativa passava por tentar isolar o camisola amarela, aproveitando que três dos oito ciclistas que a Omega Pharma-Quick Step traz ao Algarve são sprinters e que, mesmo entre os restante, faltava um bom trepador para acompanhar Kwiatkowski no dia de hoje.

Na primeira passagem pelo Malhão, Chris Horner atacou e apenas Tony Martin restava para apoiar o seu chefe-de-fila. Porém ninguém se conseguiu isolar, o campeão do mundo de contrarrelógio manteve a corrida controlada até perto do último quilómetro e Kwiatkowski tinha tudo para segurar a camisola amarela.

Ricardo Vilela atacou logo no início da ascensão e foi um osso duro de roer, até porque Kwiatkowski, Contador e Costa (com o pódio quase certo e os três principais candidatos à etapa) estavam a marcar-se uns aos outros. Contador e Costa esperavam o momento ideal para lançar o último ataque.

Rafal Majka endureceu a corrida para o ataque de Contador mas foi Rui Costa o primeiro dos três a atacar, com resposta pronta dos rivais. Seguiu-se uma primeira investida do espanhol, sempre com o camisola amarela no seu encalce e Vilela estava alcançado. Costa tentou mais uma vez, mas a última investida de Alberto Contador foi mais forte que toda a concorrência, voltando assim a vencer num ponto em que já se tinha coroado em 2010.

2013 correu mal para o Alberto Contador, que este ano decidiu regressar a uma preparação mais tradicional com vista o Tour. Nos seus melhores ano, Contador ganhava a Volta ao Algave. Foi assim em 2009 e 2010 e por isso se aguardava com uma maior expetativa para ver o que rendia o madrileno.

Rui Costa foi segundo pela terceira vez em quatro dias e, ainda que o sorriso se mantenha, é impossível não ficar o amargo de boca e a sensação de que faltou uma ponta de sorte para vencer. Sobretudo em Albufeira e hoje. Kwiatkowski foi terceiro e defendeu-se muito bem, numa Volta ao Algarve que ainda não terminou mas lhe está entregue.

Eduard Prades repetiu o quarto lugar da segunda etapa e Tiago Machado, depois de dois maus dias, esteve hoje ao seu nível, sendo 5º na etapa à frente de Chris Horner.

Além do vencedor, outros jovens destacaram-se, como Wilco Kelderman (5º na geral) que apenas faz 23 anos em março e Ruben Fernández (6º), o vencedor da última Volta a França do Futuro. Também Edgar Pinto sobressai ocupando o 10º lugar na classificação geral.

Falta apenas uma etapa para o culminar de uma Volta ao Algarve de excelente nível e a cereja no topo do bolo seria a vitória de um dos melhores sprinters do mundo, como Mark Cavendish. Ou como o ex-campeão mundial sub-23 Arnaud Démare, que fechou a Volta ao Qatar com chave-de-oura e pode repetir no Algarve.

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