sábado, 8 de fevereiro de 2014

Volta ao Algarve 2014: o percurso

Falta uma semana e meia para a maior parada de estrelas do ciclismo em Portugal, a Volta ao Algarve. Altura ideal para olhar cada uma das etapas que se avizinham.

Etapa 1: Faro-Albufeira, 160 km
A Volta ao Algarve arrancará da capital da região para uma etapa tranquila. Tem apenas uma contagem de montanha (Barranco do Velho, 3ª categoria) e o pelotão deverá chegar praticamente compacto a Albufeira, para uma primeira passagem pela linha de meta ainda com 26 quilómetros por cumprir.

Os quilómetros finais serão iguais aos da etapa inaugural do ano passado, ligeiramente diferentes dos anos anteriores. Os ciclistas terão apenas uma das duas colinas que marcam a entrada em Albufeira, uma vez que não passam pela Marina. Para entrarem na Avenida dos Descobrimentos têm uma rotunda à esquerda que terão que contornar na integra para virar à esquerda e que deu confusão há um ano. Depois uma subida de aproximadamente 600 metros chata para os sprinters e os últimos 500 metros em descida.

Apesar de ser uma etapa acessível, os quilómetros finais são muito difíceis de controlar. Nenhuma equipa consegue terminar a última rampa com gente suficiente para lançar o seu sprinter nas melhores condições e por isso mesmo costuma haver ataques bem sucedidos no final. Foi assim com Benoît Vaugrenard em 2010, Philippe Gilbert em 2011, Gianni Meersman em 2012 e Paul Martens em 2013.

Etapa 2: Lagoa-Monchique, 196 km

Os ciclistas sairão de Lagoa em direção ao Atlântico, pedalando depois até à Costa Vicentina. Até aí a etapa será tranquila. De Aljezur seguem em direção à Serra de Monchique e não terão mais descanso.

O pelotão passará uma primeira vez na vila de Monchique a cerca de 30 quilómetros da meta e sairão em direção ao ponto mais alto do Algarve, ainda que não cheguem lá. Voltarão a descer para a vila e terão a primeira passagem pela meta, já com 180 quilómetros nas pernas. O pelotão deverá estar ainda bem composto, mas também desgastado.

Seguem-se alguns quilómetros em terreno mais favorável até entrarem na última dificuldade, com aproximadamente 4,5 quilómetros a 7% de inclinação média. É 3ª categoria mas poderia perfeitamente ser 2ª. A partir daí os ciclistas terão seis quilómetros maioritariamente em descida até à meta.

É uma etapa para ataques e que poderá proporcionar um bonito espetáculo (oxalá tenhamos transmissão televisiva em direto). Uma etapa em que se poderá ver quem está com vontade. Rui Costa, Tiago Machado... veremos.

Etapa 3: Vila do Bispo-Sagres, 13,6 km (contrarrelógio)

Contrarrelógio mais curto que nos últimos anos, sobretudo em relação ao ano passado (quase 35 km).

Um crono nesta fase da temporada torna as provas mais apetecíveis para os voltistas que querem desde já começar a afinar o seu motor para os grandes objetivos, e neste campo a Volta ao Algarve perde este ano interesse para alguns ciclistas. Ainda assim, continua com mais quilómetros de contrarrelógio que as suas concorrentes Omã e Andaluzia. Ainda assim, é mais uma vez importante realçar que não dá para jogar muito com a distância do contrarrelógio. Depende das localidades interessadas em receber a prova e não se pode fechar as estradas principais durante muito tempo. Esta foi a melhor opção, uma vez que Portimão ficou de fora (onde terminou o crono em 2010, 11 e 12) e também Castro Marim (onde começou em 2008, 09 e 13).

O contrarrelógio é essencialmente plano, mas os primeiros dois quilómetros e os últimos dois são algo técnicos, com várias viragens apertadas.

Alto do Malhão 2011

Etapa 4: Almodôvar-Alto do Malhão, 164,5 km

Jornada rainha.

Durante vários anos a Associação de Ciclismo do Algarve apostou por um percurso que incluía as rampas da Portela do Barranco, Vermelhos e Cavalos já na parte final, subidas de pouca extensão mas com grandes inclinações. Em 2012 acrescentou uma outra rampa muito dura a 15 quilómetros da meta, onde a Sky endureceu a corrida para aquela que seria uma grande vitória de Richie Porte. No ano passado os novos organizadores optaram pelo formato de dupla passagem pelo Malhão, que já tinha sido utilizado em 2005 com vitória de Hugo Sabido.

Este ano a etapa antevê-se mais dura que nas edições anteriores. Será toda ela disputada na serra algarvia, a primeira passagem pela meta será já a 43 km do final, haverá uma dura rampa a 11,5 quilómetros da meta, a subida final é suficientemente conhecida e quem quiser recuperar o atraso do contrarrelógio terá que assumir uma postura ofensiva.

Relativamente à penúltima subida, referir que não é uma estreia na prova. Em 2012 (pelo menos em 2012) fez parte do percurso, ainda que na altura não tivesse qualquer contagem de montanha.

Etapa 5: Tavira-Vilamoura, 155,8 km

Final da Volta ao Algarve em circuito, um novidade.

Será o único dia que os ciclistas vão ao lado Este do Algarve, partindo de Tavira em direção a Vila Real de Santo António pelo litoral e invertendo aí o sentido para Loulé, pelo interior. Os últimos sessenta quilómetros serão num circuito de 12 quilómetros, com o pelotão a passar cinco vezes pela meta.

O circuito é para a consagração, sem dificuldades, e a última curva está a 1500m da meta, o que representará uma grande oportunidade para os sprinters testarem os seus comboios.

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Na próxima sexta-feira fará dez anos desde a morte de Marco Pantani. E porque um dos objetivos do Carro Vassoura é levar aos leitores temas diferentes do que se encontra noutros espaços, ao longo da próxima semana será publicada uma crónica (dividida em três partes) sobre a vida e morte do italiano.

Não será uma homenagem a um herói (que não era) nem a acusação de um vilão (que também não era). Será sim a história de um dos ciclistas mais marcantes da sua geração, que rivalizou com Indurain e com Armstrong e entre os dois terá mesmo sido o mais marcante. Será também o retrato dessa geração que marcou.

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