quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

A "nova" Volta ao Algarve

Sergio Henao venceu no Alto do Malhão em 2013
Em busca de um modelo que torne a prova sustentável e rentável, a Volta ao Algarve regressa este ano às cinco etapas, mas apresenta várias novidades, com um contrarrelógio mais curto e o regresso de concelhos ausentes nos últimos anos.

À semelhança de Portugal, a Volta ao Algarve está em crise desde sempre. Todos os anos surge na comunicação social a ameaça de que a prova não se realizará mas aí está ela, ano após ano. Nunca foi fácil, desde o dia em que a PAD deu a escolher à Associação de Ciclismo do Algarve se entregava a organização sem custos ou se queriam ser eles a organizar. A poucas semanas de arrancar a edição de 2003, a PAD (através de um diretor que já saiu de lá há anos) deixou a ACA sem margem de manobra e pensava que esta iria tremer e dar a prova de mão beijada. Mas a ACA não estava disposta a isso e assumiu o comando. Foi a partir daí que as estrelas começaram a visitar o Algarve em grande número.

Entrou-se num período em que as provas floresciam no Algarve. Em poucos anos a Associação de Ciclismo do Algarve arrancou com a Volta ao Sotavento Algarvio e depois com a Volta ao Concelho de Albufeira, ao qual se juntava a Algarvia, a Prova de Abertura e o Circuito do Alpendre. Havia também uma prova da Taça de Portugal de cadetes e/ou juniores e a Volta ao Município de Loulé de juniores. Um enorme trabalho da direção da ACA, enquanto a PAD tentava implementar o GP Costa Azul para rivalizar com a prova mais a Sul, sem grande sucesso. Incapaz de chegar a uma lista de participantes tão apelativa, a prova acabou por cair ao fim de duas edições.

Contudo, apesar do grande trabalho feito, a Volta ao Algarve tomou uma dimensão incapaz de lidar com os problemas de tesouraria que afe,ctaram grande parte das autarquias algarvias. As grandes cidades descobriram que não tinham dinheiro para pagar tudo aquilo com que se tinha comprometido e algumas autarquias de menor "dimensão" acharam por bem apertar o cinto e evitar que as contas se descontrolassem. Várias autarquias começaram a entrar em incumprimento e, sem receber, a Volta ao Algarve também entrou em incumprimento, nomeadamente com a GNR/Brigada de Trânsito. Deveria ter apertado o cinto e deixado de fora algumas autarquias endividadas, mas não o fez, acreditando que estas acabaria por pagar se continuassem a receber a prova. Terá errado aí.

E foi por aí que os novos organizadores (começaram em 2013) pegaram este ano, deixando de fora a cidade de Portimão, uma das mais endividadas de Portugal e uma das que mais devia à ACA (até há alguns meses, pelo menos).

As já habituais cidades de Faro e Albufeira recebem a partida e o final da primeira etapa, partindo a segunda de Lagoa, também sempre visitada pelos ciclistas nos últimos anos. A primeira novidade chega nesse dia, com o final em Monchique. O concelho de Monchique tem o ponto mais alto do Algarve, a Fóia, onde não termina uma etapa desde 2002 (vencida por Alex Zulle). Esteve em incumprimento durante muito tempo mas agora volta a colher um final, desta vez no centro da vila. Os últimos sessenta quilómetros serão disputados na serra, em constante sobe-e-desce, e a seis quilómetros da meta há armadilha, com uma contagem de montanha de terceira categoria que em termos de dificuldade andará próxima do Malhão. Fará estragos no pelotão, até porque a temporada está a começar e o estado de forma atrasado.

Segue-se um contrarrelógio na Costa Vicentina. O concelho de Vila do Bispo recebeu partidas da Algarvia ininterruptamente entre 2005 e 2010 e este ano receberá o contrarrelógio na integra. Um crono mais curto, de apenas 13,6 quilómetros entre Vila do Bispo e Sagres. Tal como no dia anterior, o público deve ser escasso. Durante a semana, longe das grandes cidades... mas quem tiver a possibilidade de marcar presença terá um grande espetáculo.

A quarta etapa partirá de Almodôvar, no distrito de Beja. Não é a primeira vez que uma etapa começa ou acaba fora do Algarve mas é uma situação que não se verificava há mais de uma década. Uma decisão que não me parece censurável. A Volta ao Algarve precisa de encontrar solução de financiamento e Almodôvar e já ali, até mais próximo do centro do Algarve que Sagres. E também não me surpreende, porque há alguns anos já tinha estado em estudo a hipótese da Algarvia ter o seu início em Lisboa. O final será no Malhão, com um traçado diferente dos últimos anos.

Para terminar, a ligação entre Tavira e Vilamoura, onde haverá um belo circuito para percorrer.

Conclusão

A análise do ponto de vista desportivo, aos participantes e ao percurso, ficará para outro dia. Mas esta é uma Volta ao Algarve que desde logo surpreende pela ausência de Portimão e pela visita a locais que têm estado afastadas da prova e por isso terão algo novo a apresentar.

Espero que seja este o caminho certo e que garanta a sustentabilidade da Volta ao Algarve, ainda que atraia menor número de estrelas e equipas World Tour que em anos anteriores.

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A Suécia desistiu de sua candidatura aos Jogos Olímpicos de inverno 2022 para não gastar o dinheiro dos contribuintes. Por outro lado, há países que mesmo à beira da falência concorreram para sede dos Mundiais de futebol 2018 e 2022. Foram os casos dos longínquos Portugalistão e Espanistão. 

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