segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Porque Nairo Quintana encanta?

Quintana, vencedor do Tour de San Luis
Todos têm preferências. Quem faz informação para a televisão, para a rádio, para a imprensa, para a internet, tem que ser imparcial e esconder essas preferências, seja na política, no desporto, ou no que seja. Quem escreve opinião não. Por isso aqui posso escrever (mais uma vez) que Nairo Quintana é desses ciclistas que gosto. E que atrai a atenção de cada vez mais fãs pelo mundo.

Quintana representa a excelência dos trepadores e do ciclismo de ataque. E por muito que se queira, não é possível evitar as comparações com outro trepador que surgiu duas décadas antes. Em 2010 Contador venceu o Tour fazendo a diferença nos contrarrelógios (e na corrente de Andy Schleck), em 2011 foi no contrarrelógio que Evans saltou para a liderança, em 2012 Wiggins esmagou os seus adversários nos cronos e em 2013 Froome também foi claramente o melhor dos homens da geral nessa especialdiade (tal como na montanha, mas com menor margem). Quintana vem opor-se à supremacia dos contrarrelogistas e da tecnologia com um ciclismo de ataque, como Marco Pantani nos anos 90.

Por motivos óbvios, ninguém quer uma comparação completa com o pirata. E quando perguntam ao colombiano com quem se compara, responde categoricamente que é Nairo Quitana. Nem Pantani, nem Lucho Herrera, nem ninguém para além dele próprio.

É assim que vai marcando a sua posição. Humilde, mas não quer que ninguém tenha pena dele. Da sua infância não se queixa e diz que não foi dura, que os colombianos não são genericamente pobres como contam e que nunca lhe faltou nada. Se começou a trabalhar muito cedo foi porque faz parte da vida. O sentido da vida é para a frente e como tal só olha para o futuro.

Contundo, nesta fase do ano ainda não sabe qual será o seu principal objetivo a curto prazo. Ainda não sabe se estará na Volta a Itália ou na Volta à França, onde foi segundo no ano passado.

O Tour é a corrida maior, a corrida que faz ídolos, e Quintana gostaria de lá estar. Por outro lado, tem um contrarrelógio de 54 quilómetros no penúltimo dia onde Froome e Nibali levarão vantagem. É o Tour com menos quilómetros de contrarrelógio (entre individuais e coletivos) das últimas largar décadas e está no penúltimo dia, o que geralmente favorece os voltistas que recuperam melhor, mas há ainda a tal etapa de pavé. Quintana pode ser a maior baixa no Tour devido ao pavé, ainda antes deste começar. E a baixa não é só para ele nem para a Movistar, é sobretudo para a prova e para os adeptos, que perdem a oportunidade de ver o melhor trepador da atualidade no maior palco.

A decisão está nas mãos da direção desportiva da equipa e dos patrocinadores, que juntos decidirão onde estará Nairo Quintana. Valverde esse é certo no Tour e na Vuelta. Não é que o espanhol seja mais candidato ao Tour que Quintana, mas é ele quem decide. E Valverde foge do Giro porque foram os italianos que ligarão ao seu ADN ao ADN de Valv.Piti, cliente de Fuentes. Cumpriu suspensão, pagou o que tinha a pagar mas no Giro não alinha.

E o que diz Quintana sobre esta indecisão? Que está a ficar louco com a dúvida mas que a decisão é dos patrocinadores, porque são eles que metem o dinheiro, que lhe pagam e, como tal, decidem. E onde decidirem, ele lá estará. Giro ou Tour, um sairá enriquecido com a sua presença.

Certo é que já começou 2014 em grande nível.

A primeira etapa do Tour de San Luís teve uma fuga bidão que permitiu ao norte-americano Phillip Gaimon chegar à liderança com quatro minutos e meio de vantagem sobre os favoritos, integrados no pelotão. A fazer a estreia pela Garmin, depois de vários anos em equipas continentais dos EUA, Gaimon foi o último resistente de um quarteto que contou com a apatia do pelotão. Na primeira chegada em alto (2ª etapa) Quintana foi terceiro e na etapa rainha (4ª) esmagou a concorrência, metendo 50s ao segundo (o argentino Sergio Godoy) e ficando apenas a quatro segundos da liderança.

No contrarrelógio da quinta etapa Quintana foi 16º, com apenas mais 8 segundos que Van Den Broeck e 4 que Nibali. Tomou assim a liderança e no dia seguinte consolidou-a ao ser terceiro em mais uma chegada em alto. Foi no Mirador del Sol, onde Contador conquistou a sua última vitória (passou um ano) e onde Xavier Tondo liderava em 2011, meses antes de falecer.

Depois de um 2013 fantástico, Nairo Quintana está decidido a aumentar o nível. O Tour de San Luís não é o indicador mais importante para as grandes provas, mas vale o que vale. E este é o jovem que atacou na primeira grande montanha do seu Tour de estreia. Estava a meio do Col de Pailhères e a 36 quilómetros da meta. A sua primeira meta nos Alpes no primeiro Tour!

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Noutro fuso horário mas também no Hemisfério Sul, Simon Gerrans venceu o Tour Down Under pela terceira vez. Venceu a primeira etapa, viu Cadel Evans tomar-lhe a liderança ao terceiro dia mas ao quinto voltou para o comando da classificação geral. Evans foi segundo, Diego Ulissi terceiro e Richie Porte quarto. Curiosamente, todos eles venceram etapas. As outras duas foram para André Greipel.

As bonificações e uma excelente prestação coletiva da Orica foram determinantes.

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Foram hoje anunciadas as etapas da Volta ao Algarve. Começará com Faro-Albufeira, segue-se Lagoa-Monchique e ao terceiro dia um curto contrarrelógio entre Vila do Bispo e Sagres. A etapa rainha começa no Alentejo (Almodôvar) e termina no Malhão e a prova termina com Tavira-Vilamoura.

Será tema para aprofundar em breve.

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