quarta-feira, 5 de março de 2014

À conversa com... Rui Costa

Quando as oportunidades surgem não as podemos deixar passar. É uma máxima universal mas no ciclismo poucos a conseguem aplicar como Rui Costa. O português campeão do mundo é conhecido internacionalmente pela sua leitura de corrida e pelo seu instinto de vencedor. É que quando está perante uma boa oportunidade de vencer, Rui Costa não a deixa passar.

Foi assim, por exemplo, na Volta a Chihuahua de 2009, no final do seu primeiro ano ao serviço da Movistar, em que integrou uma fuga, venceu a etapa e foi terceiro na classificação geral. Dessa Volta a Chihuahua trouxe também um pequeno chihuahua de quatro patas que se tornou presença habitual nas provas em que o dono (e a dona) estavam presentes.

E foi assim também quatro anos depois, no Campeonato do Mundo de 2013. Daí trouxe a camisola arco-íris.

Mas se Rui Costa é um caso sério a agarrar as suas oportunidades, desta vez fui eu quem agarrei a oportunidade. A oportunidade que o campeão do mundo respondesse a algumas perguntas para o Carro Vassoura, antes de partir para Mantes-la-Jolie, onde domingo iniciará o Paris-Nice.

Aqui fica o resultado:

RQ: Comecemos por fazer uma viagem ao passado… se em 2007, no teu primeiro estágio como ciclista profissional ao serviço do Benfica, dissessem que sete anos depois serias um dos melhores do mundo e vestirias de arco-íris, qual seria a reação do Rui Costa de 20 anos?
RC: Claro que não ia acreditar. Nem depois de ganhar o Mundial se parecia verdade. Era como se estivesse a viver um sonho, sonho que tinha desde pequenino quando via as corridas ainda pela TV com os meus pais.

RQ: E saltemos para Florença. À partida para um Campeonato do Mundo todos devem sonhar com o título, mesmo que as hipóteses de tal acontecer sejam remotas. A partir de que momento começaste a perceber que a vitória era mais do que um sonho?
RC: Em nenhum momento, porque já dentro dos últimos 500 metros, quando alcancei o Purito, vinha tão exausto que eu só pensava em respirar e quase nem ouvi o que ele me dizia. Depois foi tudo automático e o instinto vencedor que agiu por si. Ali não foi nada premeditado. Naqueles últimos metros já só via o arco-íris à minha frente e dei tudo para o alcançar. Foi a minha força extra.

RQ: Portugal é um país muito centrado no futebol e muitos grandes campeões de outras modalidades são praticamente esquecidos, mas por várias vezes já levaste muita gente ao Aeroporto para te esperar depois das tuas conquistas. Como sentes esse carinho dos portugueses?
RC: É de louvar todo o carinho que recebo das pessoas. Sou um sortudo porque todos os dias recebo palavras de incentivo, não só na estrada por esse mundo fora, mas também na internet. Enviam-me inúmeras mensagens de apoio na minha página de atleta no facebook. É por isso que sempre digo: eu não tenho fãs, tenho amigos. Quem me apoia, meu amigo é. A todas essas pessoas, muito obrigado!

RQÉs considerado globalmente um dos ciclistas mais inteligentes do pelotão World Tour. Quando estás fora de competição, vês muito ciclismo ou apenas te concentras na tua preparação e nas tuas provas?
RC: Quando posso vejo ciclismo, claro, mas não para estudar táticas. Vejo por gosto. O meu instinto ganhador nasceu comigo, não é algo que eu trabalhe, nem saio de casa com a corrida estudada. Surge tudo na hora, consoante o desenrolar da corrida.

RQ: Preferes um contrarrelógio ou uma etapa de montanha? E onde sentes que tens mais a evoluir?
RC: Sem dúvida a montanha. Mas se for uma cronoescalada também me costumo dar bem. Acho que tenho mais que evoluir no contrarrelógio.

Sempre confessaste o teu desejo de vencer a Liège-Bastogne-Liège mas o top-10 da Volta a França parece ser o principal objetivo traçado para 2014. Se te dessem a escolher entre a vitória na LBL e um top-10 no Tour, qual escolhias?
RC: Ganhar é sempre ganhar. Até as duas etapas que ganhei no Tour acho mais importante que o top-10. Mas algum dia tenho de me arriscar à geral e perceber, finalmente, se sou ou não um corredor que pode discutir uma grande volta. É que nem eu sei isso ainda.

RQ: Aos 27 anos é de acreditar que ainda tens espaço (e tempo) para evoluir e estar vários anos ao mais anto nível. Qual o objetivo que colocas (sem prazo definito) para os anos que tens pela frente? Qual o maior sonho?
RC: Um dos meus maiores sonhos já realizei, era ser Campeão do Mundo, mas é claro que não quero ficar por aqui. Gostava de estar entre os melhores nos Jogos Olímpicos e no Tour.



Em meu nome, agradeço a disponibilidade do Rui Costa. E certamente os leitores também agradecerão. Muito obrigado!

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