sexta-feira, 25 de abril de 2014

Liège-Bastogne-Liège, a 100ª edição da mais histórica

LBL 2013 decidida entre Dan Martin, Purito Rodríguez e um panda
Parece que foi ontem que saíram de Milão e já estão a chegar a Liège, o que significa que a época das clássicas está a terminar. E não há clássica mais clássica que a Liège-Bastogne-Liège, disputada pela primeira vez no final do século XIX, muito antes das transmissões eletrónicas e dos ciclocomputadores.

Percurso

Depois de Amstel Gold Race e Flèche Wallonne, o tríptico das Ardenas termina no domingo com a Liège-Bastogne-Liège, a mais dura das três. Serão 263 quilómetros com dez colinas, algumas mais longas e de um modo geral mais inclinadas que na Amstel Gold Race, motivo pelo qual a prova se torna mais propícia a trepadores e grande-voltistas que perseguem aqui uma vitória emblemática.

Nos últimos cinquenta quilómetros serão quatro colinas, este ano com o regresso da Côte de la Roche-aux-Faucons (1500m a 9,3%), que no ano passado estava em obras. Será a penúltima, ficando a faltar a Côte de Saint-Nicolas (1200m a 8,6%), a 5,5 quilómetros da meta.

A chegada a Ans, na periferia de Liège, é também ela em subida mas não contabilizada pela organização. O último quilómetro e meio tem uma inclinação média superior a 5%.

Favoritos

Valverde e Gilbert partem como principais candidatos numa prova que já venceram. E numa semana que já venceram.

Alejandro Valverde mostrou na quarta-feira algo que muitas vezes lhe faltou ao longo da carreira: inteligência e frieza. Enquanto os seus mais fortes adversários fizeram alguma aceleração nas partes mais duras, Valverde esperou e arrancou  a 150m da meta, justamente antes de se iniciar a fase final menos inclinada, fazendo valer a sua velocidade como naquela Vuelta de 2003 em que venceu duas etapas (e foi 3º com 23 anos). No Tríptico das Ardenas tem quatro vitórias num total de nove pódios (mais um anulado). Não fosse a sua fixação com o Tour (onde nunca esteve sequer na luta pelo pódio) e podia ser um dos melhores de sempre na história destas provas. Talvez domingo seja a terceira LBL para um ciclista com pernas de vencedor e inteligência que nem chega a top-10.

A Amstel Gold Race é a prova que melhor assenta a Philippe Gilbert e por isso já leva quatro vitórias naquele final (incluindo Mundial), esteja a meta um pouco mais à frente ou mais atrás. Mas também já venceu a LBL... em 2011, claro. No domingo passado mostrou-se em grande forma e agora poderá voltar a vencer.

Michal Kwiatkowski foi quinto no domingo e terceiro no Mur d'Huy. Já mostrou que tem características e qualidade para estar entre os primeiros e o mesmo se pode dizer de Bauke Mollema, que nos últimos três anos de Ardenas apenas falhou o top-10 uma vez (em 8). Falta-lhe a velocidade para bater os adversários antes citados, mas Dan Martin mostrou que tal característica não é fundamental. Há muitas formas de se ganhar a Liège-Bastogne-Liège.

Pelas suas características, a vitória no ano passado e a forma mostrada na quarta-feira, Dan Martin é outro dos grandes candidatos a vencer. E a Garmin tem também Tom-Jelte Slagter (5º na FW) e Ryder Hesjedal, do qual nunca se sabe o que esperar mas teve um papel fundamental para a vitória de Martin no ano passado.

Se não cair, Joaquim Rodríguez pode aspirar a tudo, numa prova em que já foi segundo por duas vezes. Se não poder contar com Rodríguez para discutir a prova, a Katusha tem Daniel Moreno.

Por vários fatores, a Lampre ainda não conseguiu fazer valer a qualidade dos seus homens esta semana, mas Rui Costa, Damiano Cunego e Diego Ulissi são ciclistas a ter em conta. Esta prova é mais tática que as duas anteriores e por isso também a que melhor se adapta ao Rui Costa.

A Lotto chega a Liége com um Jelle Vanendert em grande forma e a aspirar à vitória e a Orica-Greenedge com as suas esperanças em Simon Gerrans. O australiano adapta-se melhor à Amstel Gold Race (três vezes terceiro) mas também tem legítimas aspirações na Valónia.

Vincenzo Nibali (2º em 2012) vem atrás do seu sonho de vencer um Monumento, numa Astana que tem ainda Enrico Gasparotto (a semana mais importante do ano para ele) e o ex-vencedor Maxim Iglinskiy.

A participação portuguesa fica completa com Nelson Oliveira, Bruno Pires, José Mendes e Tiago Machado, que vem de ser sexto no montanhoso Giro del Trentino.

***** Valverde e Gilbert
**** Kwiatkowski, Dan Martin e Rodríguez
*** Mollema, Gerrans, Vanendert e Slagter
** Moreno, Gasparotto, Costa, Ulissi, Cunego, Kreuziger e Nibali

Chave-da-corrida

Tal como dito para a Amstel Gold Race, não é fácil prever uma corrida que nos últimos anos teve vencedores tão distintos como Andy Schleck, Philippe Gilbert ou Maxim Iglinskiy.

As subidas não são montanhas alpinas mas são 260 km de prova e muitos destes ciclistas vêm de uma longa série de competições, com Paris-Nice/Tirreno-Adriático, Catalunha e/ou País Basco. Por isso é frequente que alguns homens que estiveram bem na Amstel Gold Race e na Flèche Wallonne simplesmente passem anónimos aqui.

É uma prova muito mais seletiva que a Amstel Gold Race e muito mais imprevisível que a Flèche Wallonne. Por isso é uma das melhores clássicas da temporada.

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