quinta-feira, 12 de junho de 2014

Volta à Suíça: percurso, favoritos e antevisão

Começa no sábado a Volta à Suíça, prova que não será transmitida por nenhum canal disponível na televisão nacional mas que todos aguardamos com expectativa e quereremos assistir depois de Rui Costa ter vencido uma e outra vez.

Percurso

Com um percurso muito completo, a Volta à Suíça atrai sempre um bom lote de grande-voltistas que aqui procuram ultimar ou testar o seu estado de forma com vista o Tour. A edição deste ano não é exceção.

A Volta à Suíça 2014 arranca com um contrarrelógio de 9,4 quilómetros, com uma curta mas inclinada subida que fará o primeiro teste de forma aos favoritos. São cerca de 2600m a 7% de inclinação, ainda mais difíceis por serem feitos em bicicleta de contrarrelógio. Segue-se uma descida muito técnica que poderá beneficiar Cancellara e prejudicar Wiggins na luta pela etapa.

A segunda etapa é de alta montanha. Não para vitória de um trepador porque as dificuldades ainda estão distantes da meta, mas haverá cerca de sessenta quilómetros consecutivos sobre os 1500 metros de altitude e com o ponto máximo a 2400. A terceira etapa terá os últimos 3,4 quilómetros a 5,6% de inclinação média, sem contagem de montanha mas onde alguém deverá acelerar. Seguem-se os três dias mais fáceis, onde os (poucos) sprinters presentes poderão também eles testar a sua forma e afinar os seus comboios a caminho do Tour.

As últimas três etapas deverão ser as mais importantes para as contas finais, a começar com um contrarrelógio de 24,7 quilómetros. Não é demasiado duro mas as subidas que existem fazem com que os voltistas possam aproximar-se dos croners puros como Fabian Cancellara ou Tony Martin.

No último sábado, com os portugueses a assistir pela internet, chegada a Verbier (HC), depois de 219 quilómetros percorridos. A subida a Verbier tem 8,2 km de extensão a 7,6% de inclinação e foi lá que Rui Costa vestiu pela primeira vez a camisola amarela da prova, depois de vencer a segunda etapa de 2012, para não mais a despir. A competição termina em altitude, com a chegada a Saas-Fee, outra montanha de especial categoria, desta vez com vinte quilómetros de extensão a 5,4% de inclinação média. Na penúltima etapa há 1800m entre a contagem de montanha final e a meta, na última é exactamente um quilómetro de ligeira subida entre a contagem e a linha de meta.

Favoritos

Rui Costa parte como um dos principais candidatos à vitória. As vitórias nos dois últimos anos (e não só) dão-lhe esse estatuto, mas não lhe dão a obrigação de ganhar. Em primeiro lugar, porque a concorrência é muito forte (e é isso que engrandece as vitórias), em segundo porque este nem é o seu principal objetivo da temporada. De qualquer forma, o percurso equilibrado assenta muito bem ao português.

Outro grande favorito é Bradley Wiggins. Talvez até o máximo favorito, uma vez que os contrarrelógios jogam a seu favor e na Volta à Califórnia mostrou-se muito forte. Com a presença no Tour praticamente excluída, não quererá deixar passar a oportunidade de lutar pela Volta á Suíça. Terá a companhia de Sergio Henao, regressado à competição.

Tal como para Rui Costa, este não será o principal objetivo de Roman Kreuziger e Bauke Mollema, quinto e sexto do último Tour, terceiro e segundo na edição do ano passado da prova helvética. Ou talvez o melhor para Kreuziger seja concentrar-se na Suíça, pois no Tour terá que fazer papel semelhante ao ano passado, quando esperava por Contador nas montanhas. Bom, este ano não terá que esperar, pois Contador reaprendeu a voar. Ambos poderão estar na disputa pela primeiro lugar na próxima semana e a Belkin conta também com o 13º do Tour 2013, Laurens Ten Dam.

A Garmin tem aqui segundo da Volta à Califórnia, Rohan Dennis, o bom trepador Janier Acevedo e Tom-Jelte Slagter, do qual aguardo com alguma curiosidade para ver do que é capaz na alta montanha com esta concorrência. 

A Ag2r pretendia levar à Suíça Carlos Betancur antes do seu ataque à classificação da juventude do Tour, mas o colombiano ainda não recebeu visto para vir para a Europa, tem a presença no Tour em dúvida e, entretanto, faz fortíssimas investinas na mesa de jantar. E de almoço. E qualquer outro sítio que tenha comida. Parece que está novamente com excesso de peso e o seu diretor desportivo diz que é muito difícil de geri-lo. Domenico Pozzovivo será a esperança da equipa depois do bom Giro. Cadel Evans é outro ciclista que vem do Giro mas é necessário muita fé para acreditar que lutará pela vitória depois da última semana da Corsa Rosa lhe ter pesado tanto nas pernas.

Ion Izagirre, Warren Barguil, Esteban Chaves e Peter Kennaugh são jovens a seguir com atenção. Também o sul-africano Louis Meintjes, vice-campeão mundial sub-23 e 5º no Giro del Trentino, que tem aqui o maior teste às suas capacidade até à data, mas com 22 anos apenas, não se pode exigir demasiado.

Thibaut Pinot (como seria bom voltar a tê-lo ao melhor nível no Tour!) Tem realizado uma boa temporada e veremos o que faz na próxima semana, um ano depois de ter mostrado ao mundo o seu pavor de velocidade e descidas velozes. Matthias Frank, que ano passado liderou a prova até ao último dia é outro homem a seguir com atenção, bem como Frank Schleck, que pode aspirar ao top-10 aqui e inclusive no Tour, muito diferente do seu irmão Andy, que não tem feito absolutamente nada que mereça a ida ao Tour.

***** Wiggins e Costa
**** Mollema e Kreuziger
*** Dennis, Pozzovivo e Frank
** Pinot, Frank Schleck e Ten Dam

A Omega Pharma leva à Suíça um comboio de luxo para Mark Cavendish, entre eles Tom Boonen, que ainda não tem certa a sua participação no Tour. Os principais oponentes nos sprints deverão ser o vencedor da Milão-San Remo Alexander Kristoff, o vencedor da Gent-Wevelgem John Degekolb, Sacha Modolo, Andrea Guardini, Bryan Coquard e Peter Sagan, vencedor da classificação por pontos e de oito etapas.

A Suíça poderá proporcionar também um bom confronte entre os três melhores contrarrelogistas da atualidade. Wiggins, Fabian Cancellara e Tony Martin, três primeiros do último Campeonato do Mundo.

Em prova estarão ainda os portugueses Nelson Oliveira e André Cardoso.


Chave-da-corrida

Ao contrário das edições anteriores, desta vez o percurso não tem espaço para grandes surpresas. São dois contrarrelógios e dois finais em alto para fazer as maiores diferenças, possivelmente com Bradley Wiggins a entrar no último fim de semana na frente dos restantes aspirante à vitória final.


Indicador para o Tour?

Durante o mês de junho são muito frequentes as antevisões do Tour com base no rendimento dos ciclistas no Critérium du Dauphiné e na Volta à Suíça, como se o tempo aqui ganho ou perdido contasse para a Volta a França.

"Fulano está muito forte e vai arrasar o Tour", "Beltrano está demasiado forte e vai quebrar no Tour", "Este está fraco e vai quebrar no Tour", "Aquele está fraco e vai arrasar no Tour porque chega fresco"... Enfim, cada um escolhe a sua teoria favorita, mas ao longo dos últimos anos temos tido casos que confirmam todas elas e, uma vez que são contraditórias, os mesmos casos contrariam cada uma delas.

O Critérium du Dauphiné e a Volta à Suíça servem sim para tirar ilações para o Tour, mas nada de muito certo e não é recomendável apostar a casa e o carro porque alguém andou bem ou mal numa ou noutra prova. Para o Tour os tempos começam a zero.

Transmissão televisiva

Não haverá transmissão televisiva em nenhum canal português, mas quem seguiu as últimas duas vitórias do Rui Costa, já sabe o que fazer: estar atento aos links disponibilizados todos os dias em www.facebook.com/CarroVassoura para assistir a prova.


Velogames

Tal como no Giro, haverá Liga do Carro Vassoura no Velogames para esta Volta à Suíça e já se podem inscrever com o código 11215949.

Para quem não conhece e não sabe no que consiste, não tem nada que enganar. Entram no site do Velogames, registam-se (create a new account) de forma gratuita, podem ver o sistema de pontuações (aqui) e escolher nove ciclistas para a equipa (aqui). Depois, na página da vossa equipa, têm "Join or Create League", entram e é ai que colocam o código 11215949 para entrar na liga Preparação para o Tour nos Alpes, powered by Carro Vassoura. Depois, quantos mais pontos os vossos ciclistas somarem, melhor a vossa classificação.


No Giro eramos 113 participantes e no Tour queremos ser mais de 150 por isso, nada como partilhar com os amigos.

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