sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Il Lombardia 2014: percurso e favoritos

Purito Rodríguez venceu nos dois últimos anos
Em relação às outras quatro grandes clássicas (Sanremo, Flandres, Roubaix e Liège), disputadas ainda antes das grandes voltas, o Il Lombardia está bastante deslocado no calendário, mas nada em prestígio. Se as restantes representam o primeiro grande objetivo da época para muitos ciclistas, esta representa o último. Durante muitos anos foi inclusive a última grande corrida do calendário, fechando a Taça do Mundo enquanto esta existiu (e quando o Paris-Tours se disputava antes da Lombardia).

Percurso

Falar do percurso das clássicas costuma tornar-se algo bastante aborrecido e repetitivo face à lógica manutenção destes. O Il Lombardia destaca-se neste aspeto. Nos últimos 20 anos apresentou nove mudanças de cidade de partida e/ou chegada, a última das quais agora. No próximo domingo a prova sairá da cidade de Como, banhado pelo lago com o mesmo nome, cuja sua beleza, bem como a qualidade de vida que proporciona, atrai celebridades de Hollywood e outras personalidades menos célebres mas igualmente de classe económica alta (ou altíssima). É também um local de eleição para férias de ciclismo.

A primeira dificuldade do dia será a subida ao Santuário da Madonna del Ghisallo, padroeira dos ciclistas, ainda que a dificuldade seja atenuada por estar numa fase tão inicial da corrida. Servirá isso sim para desgastar o pelotão, à semelhança das subidas seguintes. A prova terminará em Bergamo, onde terminou pela última vez em 2003, então com Michele Bartoli a conquistar a última grande vitória da sua carreira. De facto, a última vitória em absoluto da sua carreira profissional.

Já às portas de Bergamo estará aquela que será a derradeira oportunidade para os trepadores, com uma colina de quilómetro a 8% de inclinação média. Daí até à meta serão cerca de três quilómetros muito rápidos, quase na totalidade em descida.

Favoritos

Pela exibição protagonizada na semana passada e porque é uma prova que se adapta às suas características, Michal Kwiatkowski poderia ter aqui uma excelente oportunidade para conquistar o seu primeiro Monumento. Mas tal como escrevi no ano passado em relação a Rui Costa, creio que na semana seguinte a um título mundial há demasiadas distrações para que se consiga apresentar na melhor forma na Lombardia. É verdade que já houve ciclistas a vencerem o Campeonato do Mundo e o Giro di Lombardia no mesmo ano, o último dos quais Paolo Bettini em 2006, mas isso foi quando havia três semanas entre as duas provas.

O principal favorito parece-me sim Alejandro Valverde, que será dos mais aptos para as subidas e ainda com uma velocidade bem evidenciada no domingo passado ao bater Breschel, Van Avermaet e Gallopin. Foi segundo no ano passado e está na luta pela vitória no World Tour.

Joaquim Rodríguez deve lamentar a mudança de percurso, depois dos triunfos nas duas últimas edições. O percurso anterior assentava-lhe melhor mas não deixará de tentar a sua sorte. A Katusha tem ainda Daniel Moreno e Giampaolo Caruso, recente vencedor da Milano-Torino. De qualquer forma, Joaquim Rodríguez é muito líder e, quando está em cena, não costuma haver Plano B. Por norma, é tudo montado em seu redor.

Tony Gallopin e Philippe Gilbert mostraram-se em excelente forma no Mundial (6º e 7º) e também poderão ter uma palavra a dizer na Lombardia. Gilbert, que venceu em 2009 e 2010, desta vez não terá a companhia de Van Avermaet, para o qual fez um muito bom trabalho em Ponferrada.

Rui Costa, por outro lado, não esteve na sua melhor versão física no Campeonato do Mundo, mas tem características e condições para, na sua melhor forma, disputar os primeiros lugares na Lombardia. Aliás, esta parece-me ser a grande clássica para a qual mais se perfila. Apesar das constantes mudanças de percurso, desde que estas se mantenha dentro padrão, parece-me mais adequada às suas características inclusive que a Liège-Bastgone-Liège.

Para Fabio Aru poderá faltar montanha, mas na semana passada esteve muito agressivo num terreno que não parecia ser o seu. Vem de ser quarto em Turim, onde Rinaldo Nocentini foi segundo, outro italiano capaz de uma boa prestação na Lombardia. Bauke Mollema e Daniel Martin passaram desapercebidos na classificação final do Mundial mas poderão atacar nas subidas mais longas dentro de dois dias. Alberto Contador e Samuel Sánchez são igualmente ciclistas a considerar depois das suas prestações na Vuelta.

***** Valverde
**** Kwiatkowski, Gallopin e Rodríguez
*** Gilbert, Rui Costa, Aru e Nocentini
** Moreno, Caruso, Mollema, Dan Martin, Samuel Sánchez e Contador

Presente estará toda a "seleção portuguesa": Rui Costa, Nelson Oliveira, André Cardoso, Tiago Machado, José Mendes e Sérgio Paulinho. Claro está, que desta feita estará cada um em representação da sua equipa.

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