quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Geraint Thomas seguiu a receita de Kwiatkowski

A Volta ao Algarve serve de preparação para outras provas, mas não como brincadeira, e quem tenha estado presente hoje pôde testemunhar a forma séria como foi encarada a tirada por algumas das equipas World Tour.

A Etixx era a equipa mais procurada à partida pelos jornalistas e pelos adeptos nas suas várias nacionalidades, fosse pelo arco-íris de Kwiatkowski, por Tony Martin (em forma, com uma leveza que se destaca) ou pela camisola amarela de Gianni Meersman. Têm uma excelente equipa no Algarve, ainda com Stybar presente, e nem trouxeram Boonen, Cavendish, Urán ou Terpstra. Patrick Lefevere tem uma das equipas mais poderosas, aqui comandada por Tom Steels, também com experiência de correr a Algarvia, de cá vencer e andar de amarelo.

Ainda que a liderança de Meersman fosse a prazo, a Etixx assumiu desde o começo a perseguição à fuga. Se ontem havia três portugueses entre os quatro fugitivos do dia, hoje eram apenas estrangeiros, de equipas estrangeiras: Andreas Schillinger (Bora), Fabricio Ferrari (Caja Rural), Wesley Kreder (Roompot), Ivan Balykin (Rusvelo) e Marcel Sieberg, o gigante homem de confiança de Greipel na Lotto-Soudal, a única World Tour representada na cabeça-de-corrida.

A LA Alumínios esteve na frente do pelotão nos primeiros quilómetros, talvez a pensar na classificação das metas volantes, mas desistiu depois da primeira delas. E na meta volante do Autódromo do Algarve o primeiro tinha que ser... Ferrari. Anulada a fuga na primeira passagem por Monchique, rapidamente se deram novas tentativas, com a Astana, Sky e Movistar presentes através de ciclistas secundários, mas mais uma vez anulada pela Etixx.

A média de 39.4 km/h nos 197 km, grande parte deles no rompe-pernas da Serra de Monchique, mostram as ganas com que o pelotão encarou uma etapa que, sabia-se de antemão, poderia ser decisiva para a classificação final, como de resto o foi no ano passado. Uma média inferior às esperadas pela organização, mas prever médias de 42 e 44 km/h foi um excesso para este percurso e esta altura do ano.

Viu-se o esforço dos ciclistas levado ao extremo na última subida, a Pomba, com muitos adeptos que ali se deslocaram, abdicando de ver o final, para testemunhar a decisão e apoiar os ciclistas. Geraint Thomas (Sky) foi o primeiro lá no alto depois de responder a um ataque de Rein Taaramäe (Astana), que chega ao Algarve bem referenciado depois da vitória na Volta a Múrcia. Na meta, a ordem foi a mesma com 19 segundos entre eles.

O primeiro grupo chegou a 23 segundos de Thomas e nele apenas um português, Tiago Machado (12º). Curiosamente, entre os dezoito primeiros (vencedor+perseguidor+primeiro grupo) chegaram quatro ciclistas da Sky, quatro da Astana e três da Etixx. Entre eles, algumas surpresas, alguns ciclistas que capricharam a preparação invernal; alguns ciclistas muito perigosos considerando o contrarrelógio de amanhã, como Tony Martin, que passou assim o primeiro teste à sua condição; e uma ausência, Ion Izagirre, que atacou na Pomba mas furou a cinco quilómetros da meta. A Movistar voltou a provar o azar na Volta ao Algarve, depois do furo de Castroviejo no contrarrelógio do ano passado.

A classificação geral fica em aberto. Thomas é um contrarrelogista de grande qualidade e está em grande forma, mas Kwiatkowski e Tony Martin também o são. Além do alemão, igualmente Luis León Sánchez passou o primeiro teste à sua forma; a Richie Porte, apesar de ser companheiro de Thomas, amanhã só lhe resta dar tudo o que tem; e Tiago Machado continua igualmente na contenda.

Para amanhã são favoritos Tony Martin, Geraint Thomas e Adriano Malori, mas sem excluir Kwiatkowski e Porte. Sobretudo, espera-se que a corrida continue em aberto para o Malhão.



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