segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Quantos minutos vale o crono de Burgos?

A vez de Purito?
Se há um mês lhe dissessem que Tom Dumoulin poderia vencer a Vuelta, qual a sua reação? E se lhe disserem agora? Entre ele, Joaquim Rodríguez, Fabio Aru e Rafal Majka se decidirá muito provavelmente a Vuelta de 2015, que assim marcará a estreia de alguém enquanto vencedor de grandes voltas.

Sem que seja o mais forte na montanha, sem sequer estar ao nível dos melhores, mas a minimizar os danos, o holandês de 24 anos é o homem a bater à falta de cinco etapas. Apesar de contar com três corredores diante de si na classificação geral, Tom Dumoulin é um dos melhores contrarrelogistas da atualidade, como atesta a sua medalha de bronze nos últimos mundiais. No ano passado, apenas Tony Martin impediu Dumoulin de vencer os cronos da Volta à Suíça e do Tour. Já este ano venceu o crono da corrida helvética e também o da Volta ao País Basco, no caso, com Purito na segunda posição. Mas esse foi um crono muito acidentado, permitindo a trepadores lutarem pelas primeiras posições. O de quarta-feira será plano e longo (38,7 km). No inicial do último Tour, ainda que seja um esforço diferente, mais explosivo, Dumoulin ganhou minuto e vinte a Purito, em 14 km.

Contrarrelógio de quarta-feira
Dumoulin não está ao nível dos melhores a subir, mas soube tirar partido da apatia alheia na primeira semana, quando Froome ainda estava em prova e Quintana, Valverde e todos mais entravam para as contas da vitória final. Entrou muito forte na Vuelta, sim, foi segundo logo na primeira etapa em linha, venceu no final da primeira semana superando Froome nos metros finais, sim. Mas também é certo que quanto atacou, não foi levado a sério pelos principais favoritos, tal como não foi Esteban Chaves. E assim, aproveitando também as bonificações, chegou ao final da primeira semana com quase um minuto de avanço para Purito, o segundo. Desde então, foi sempre a perder, como seria de esperar. Mas defendeu-se na etapa rainha (de Andorra), defendeu-se ontem e sobretudo defendeu-se hoje, onde vários ciclistas, se ainda podiam e queriam atacar a camisola vermelha, teriam que o fazer de longe. Não o fizeram.

Joaquim Rodríguez é camisola vermelha. Em 2010 partiu na mesma posição para o (também) único contrarrelógio longo da prova e perdeu-se. Não foi apenas nesse dia que perdeu essa Vuelta e não é tão mau contrarrelogista como nesse dia, mas é de esperar que, em condições normais, a camisola vermelha regresse ao corpo de Dumoulin no final do crono. "Em condições normais", como se as houvesse. Melhor esperar por quarta-feira à tarde, mas a Vuelta pode sair de Burgos com os quatro muito igualados.

E depois? Três etapas, com montanhas, não as mais duras desta Volta a Espanha, não coincidentes com a meta, mas quem ainda quiser arrebatar a liderança, terá que as aproveitar.

Para já, os dez primeiros são:
1 Joaquim Rodríguez
2 Fabio Aru + 0.01
3 Rafal Majka + 1.35
4 Tom Dumoulin + 1.51
5 Mikel Nieve + 2.32
6 Esteban Chaves + 2.38
7 Daniel Moreno + 2.49
8 Nairo Quintana + 3.11
9 Alejandro Valverde + 3.58
10 Louis Meintjes + 5.22

As três etapas entre o contrarrelógio e a consagração de Madrid

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Nelson Oliveira conseguiu na sexta-feira uma fantástica vitória. Há muito venho dizendo que não acho que o ciclismo se faça de lutar por um top-qualquer-coisa que nem aparece na televisão, mas de vitórias, de quem as obtém e de quem trabalha bem para que os líderes as obtenham. Com maior liberdade nesta Vuelta, e à procura de melhores argumentos para as negociações do contrato que termina no final da temporada, o Nelson já tinha corrido atrás de um triunfo em etapas anteriores, e na 13ª soube aproveitar da melhor forma a sua capacidade para rolar, atacando na hora certa. Parabéns!


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