quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Em busca da afirmação nos pavés

Vanmarcke, Van Avermaet e Stybar
Após as provas disputadas no Sul da Europa, Austrália, Argentina e Arábia, é tempo dos ciclistas rumarem ao centro da Europa para as primeiras clássicas de pavé, a Omloop Het Nieuwsblad (ex-Het Volk) no sábado e a Kuurne-Brussel-Kuurne no domingo. Para uns, é o objetivo é continuar a vencer, para outros é tempo de dar o salto.

As provas deste fim de semana servem de abertura ao calendário belga, que continuará depois com algumas provas menos cotadas enquanto as estrelas se distribuem por Paris-Nice e Tirreno-Adriático antes da Milano-Sanremo. A época de pavés continuará depois, no final de março, com destaque para E3 Harelbeke (25/03), Gent-Wevelgem (27/03), Volta a Flandres (3/04) e Paris-Roubaix (10/04).

Para Tom Boonen (Etixx) e Fabian Cancellara (Trek), provavelmente a realizar a sua derradeira tempora, o melhor que podem fazer é repetir as suas melhores épocas. Alexander Kristoff (Katusha), vencedor da Milano-Sanremo em 2015 e Volta a Flandres em 2016, ainda não venceu em Roubaix, mas saiu de 2015 com uma prestação tal que, dobrar Flandres e Roubaix este ano, seria mais a confirmação do seu favoritismo do que propriamente um salto de qualidade. John Degenkolb (Giant), último vencedor de Sanremo e Roubaix, falhará as clássicas devido a acidente sofrido num estágio da equipa. Niki Terpstra (Etixx), vencedor do Paris-Roubaix 2014 e que já foi segundo em tudo o resto, também não tem nada a provar, ainda que não lhe seja dado tanto destaque como aos anteriores. Todos os outros parecem ter um degrau para subir.

A Etixx-Quick Step, que leva treze vitórias neste arranque de temporada, além de Terpstra, conta com Zdenek Stybar, mais até que Boonen, que parece capaz de disputar a vitória ocasionalmente mas já não oferece a garantia que requer uma formação como a Etixx. Focado na estrada apenas desde 2013, Stybar já mostrou capacidade para os muros e os pavés, para rolar como os melhores e sprintar ao cabo de 260 quilómetros. Foi 2º em Harelbeke e Roubaix em 2015. Falta-lhe mostrar-se capaz de subir ao principal degrau do pódio.

Outro a quem falta vencer é Greg Van Avermaet (BMC), com três pódios nos últimos dois anos entre Ronde e Roubaix. Rápido, agressivo, mas pouco ganhador, já leva seis ocasiões entre o segundo e o quarto posto esta temporada, e entre as suas mais marcantes derrotas está o Omloop de 2014, quando Ian Stannard puxou durante largos quilómetros e, no sprint a dois, ainda levou a melhor diante do belga. A sua última vitória foi no Tour, relegando para segundo Peter Sagan.

O campeão do mundo é outro dos ciclistas que procura a afirmação nos pavés. Peter Sagan, que já venceu Gent-Wevelgem em 2013 e E3 em 2014, por varias vezes mostrou problemas em resistir à longa quilometragem. Por outros, claro, não foi provável, como demonstra o arco-íris que leva vestido. Além da sua ponta final e da valência para os muros, é um excelente rolador e cada vez mais maduro.


Gent-Wevelgem 2015 marcada pelo vento. Roelandts destacou-se com uma longa fuga.
Debusschere esteve no principal grupo
Sep Vanmarcke, que em 2012 venceu o Omloop, já podia ter ganho tudo e ainda não ganhou nada. Sep, que é a abreviatura para Sempre Em Perseguição (não sabiam?), um dos maiores especialistas em quedas, furos e outros problemas mecânicos, já esteve no pódio da Ronde e de Roubaix, tem sido continuamente um dos mais regulares, é rápido (não tanto como Kristoff ou Sagan mas é) mas falta-lhe a vitória que já tanto fez por merecer.

Um conjunto muito engraçado é o da Lotto-Soudal, com o gorila André Greipel, Jurgen Roelandts e Jens Debusschere. Com uma excelente relação entre todos eles (no caso de Roelandts e Debuscchere são mesmo cunhados através da irmã do primeiro), cada um ao seu nível mas todos rápidos, agressivos e ao serviço de uma equipa que faz da combatividade a sua arma para enfrentar muros e pedras. Greipel, que fraturou uma costela no Algarve e está em processo de recuperação, será a aposta para as provas menos acidentadas, como a Gent-Wevelgem (e falha Kuurne pela lesão), mas ano após ano tem tentado ser cada vez mais participativo na estratégia da equipa e nenhum adversário quer leva-lo para um sprint. Roelandts, terceiro na Ronde 2013, será teoricamente o mais talhado para os muros. Debusschere, o mais novo, tem vindo a ganhar espaço dentro da equipa e foi uma das revelações dos pavés em 2015.


Os jovens

Um jovem que pode surpreender nas próximas semanas é Jasper Stuyven (Trek). Ex-campeão mundial e vencedor do Paris-Roubaix em junior, a liderança da sua equipa pertence a Fabian Cancellara, mas Stuyven está a apostar para este primeiro fim-de-semana (Omloop e Kuurne). Depois será um dos principais apoios do suíço. Recordando que venceu um etapa ao sprint na última Vuelta e na primeira etapa do Algarve foi terceiro atrás de Kittel e Greipel.


Vitória de Stuyven na Vuelta 2015
Por último Tiesj Benoot, a revelação da última Volta a Flandres, com o quinto lugar alcançado aos 21 anos (faz 22 em março) e logo apelidado d'O novo Tom Boonen. Não faltam candidatos apontados pela imprensa belga à sucessão no trono, mas Benoot é um ciclista diferente, que pode render nas clássicas de pavé mas também nas Ardenas ou inclusive em subidas mais longas, mas não parece tão adequado para uma prova plana como o Paris-Roubaix. Este ano focar-se-á nas provas de um dia que vão desde o Omloop até à Amstel Gold Race (incluíndo Roubaix) mas não descarta num próximo ano estar a Liège-Bastogne-Liège. Já mostrou boa forma em Maiorca e no Algarve (9º na Fóia).


Calendário

27/02: Omloop Het Nieuwsblas
28/02: Kuurne-Brussel-Kuurne
23/03: Dwars door Vlaanderen
25/03: E3 Harelbeke
27/03: Gent-Wevelgem
03/04: Ronde van Vlaanderen
06/04: Scheldeprijs
10/04: Paris-Roubaix


Tiesj Benoot lidera a Lotto. No futuro?

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