sexta-feira, 8 de julho de 2011

Uma semana de Tour a fugir do azar

Penso que toda a gente já sabia que uma prova de três semanas não se ganha num dia mas pode perder-se em qualquer etapa. Se alguém não sabia, esta Volta a França tem sido prova disso mesmo, com muitas quedas, muitos homens importantes afectados e alguns corredores com pretensões a algo grande verem essas mesmas pretensões serem-lhes roubadas pelo azar.

Bradley Wiggins e Janez Brajkovic foram dois dos grandes desistentes dos últimos dias, a Radioshack viu ainda as aspirações de Leipheimer e Chris Horner ficarem pelo alcatrão e toda a gente viu que a Radioshack não tem equipa para tantos galos.

Uma semana de quedas

As quedas foram o grande destaque da semana que passou. Mesmo com Alberto Contador afectado por uma logo no primeiro dia e perdendo mais de um minuto para os seus principais concorrentes, poucos de nós poderíamos prever uma semana marcada por tantas quedas. Ou melhor dizendo, por quedas tão significativas. Sem me apoiar em qualquer dado estatístico, arrisco-me a dizer que esta primeira semana teve um número de quedas semelhante ao que o aconteceu nos últimos anos, porém, afectando gente mais mediática e importante para as contas da classificação geral.

Contador, Luis León Sánchez e Samuel Sánchez foram as mais destacadas vítimas do primeiro dia, Contador e Gesink voltaram a estar azarados mas sem consequências para a classificação geral, Janez Brajkovic desistiu ao 5º dia, Levi Leipheimer caiu ontem e perdeu tempo na chegada à meta, e hoje houve mais uma queda que deixou muita gente bloqueada na estrada e levou à desistência de Bradley Wiggins com a clavícula fracturada. Chris Horner, com uma comoção cerebral e fractura do nariz, perdeu mais de 12 minutos e Leipheimer perdeu mais 3 minutos, juntamente a Rigoberto Uran e Roman Kreuziger, dois jovens que poderiam fazer uma boa classificação geral e agora têm essa tarefa mais complicada.

Tom Boonen também já desistiu, vítima de uma queda que deixou o seu colega Sylvain Chavanel a pedalar apenas com o dia de descanso no pensamento. Hoje Gert Steegmans e Gerald Ciolek foram ao tapete e deixam a Quick Step na luta pelo prémio de equipa mais marcada.

Depois destas quedas, a primeira pergunta que me surge à ideia, é: do que vale a Radioshack ter quatro líderes, se não tem equipa para eles?

O Estranho Caso da Radioshack

Apesar deste subtítulo ser inspirado no filme protagonizado por Brad Pitt, não vou fazer qualquer paralelismo entre os dois casos. Este subtítulo serve apenas para o autor do blog parecer mais culto do que realmente é.

Johan Bruyneel começou a dizer muito cedo que para este Tour teria a liderança partilhada por Andreas Klöden, Janez Brajkovic, Leipheimer e Chris Horner. A idade que foi transmitida foi sempre a de “não sei qual deles é melhor, por isso eles que me mostrem a resposta”. Não eram dois líderes nem três (o que já seria muito)… eram quatro! Nenhum deles para o Giro, todos para o Tour e fazer figas para que algum fique nos dez primeiros.

A seguinte grande cena de Bruyneel consistiu em criar uma votação no Facebook para se eleger os cinco gregários que acompanhariam os quatro líderes. Sinceramente, nunca acreditei que Bruyneel levasse ao Tour os cinco mais votados pelos adeptos apenas porque sim, pois o Sérgio Paulinho já estava certo e certamente mais dois ou três também o estavam. De qualquer forma, voltou a transparecer a ideia de “não sei muito bem o que fazer”.

Neste Tour, a Radioshack ainda não teve que controlar o pelotão nem teve ninguém em fugas, por isso não há a desculpa de já terem trabalhado muito. Talvez os comentadores da Eurosport já tenham elogiado 300 vezes o grande trabalho da Radioshack, como é costume, mas neste Tour ainda não fizeram nada para além de carregar bidões. Quando estão metidos portugueses no assunto, é difícil sermos imparciais, mas qualquer estrangeiro, que não tenha que elogiar a Radioshack em todas as situações e lugares, dirá que eles ainda não trabalharam.

Quanto á queda e consequente desistência de Brajkovic, nada havia a fazer, mas ontem a Shack poderia ter feito mais quando Leipheimer caiu. Popovych (salvo erro, foi ele) ainda deu uma ajuda ao colega, mas Paulinho e Muravyev já tinham perdido o contacto fazia muito tempo, de Irizar não sei se estava atrasado ou não mas terminou junto a Popovych e Zubeldia permaneceu no grupo principal (a pensar na classificação por equipas?). Ok, aceito que a cinco quilómetros para o final já nem todos os equipiers têm que ir no grupo principal, mas Zubeldia deveria ter ficado para ajudar o seu colega e ficou demonstrado que 5 ciclistas não conseguem estar com 3 líderes, muito menos com 4 como se queria inicialmente.

Por outro lado, Leopard, Rabobank, Sky e Euskaltel mostraram como deve estar uma equipa com aspirações à geral. A Leopard terminou com Fuglsang, Gerdemann e Monfort junto dos Schleck, a Rabobank tinha Mollema, Barredo, Ten Dam, LL Sánchez e Tjallingi com Gesink na parte decisiva, a Sky tinha quase toda a equipa e a Euskaltel contava com Egoi Martínez, Gorka Verdugo, Rubén Pérez e Txurruka.

Na etapa de hoje, também não havia nada a fazer quanto a Horner, que estava demasiado lesionado para chegar à frente, mas os ex-colegas de Armstrong deixaram muito a desejar e até mesmo Bruyneel. Queda a 35 km da meta, numa etapa muito lenta (com muito vento, é certo, mas muito lenta e sem que fossem os da Radioshack a puxar), Paulinho, Popovych e Irizar estavam no grupo mas de Leipheimer sem puxar (nas imagens de TV era claro: várias equipas a puxar e os Radioshack lá no meio como se nada fosse com eles. Até entendo que Muravyev e Zubeldia tenham permanecido no grupo dianteiro para precaver algum incidente com Klöden, mas será normal os outros não puxarem por Leipheimer? O que tinham a perder?

Infelizmente para os afectados pela queda, a Garmin aumentou ligeiramente o ritmo e a HTC começou a preparar o Sprint Intermédio que estava próximo. Pelo que me disseram, na Eurosport houve críticas para a Leopard por alegadamente ter subido o andamento do pelotão logo após a queda. O que eu vi, não foi nada disso. A Leopard, a Saxo Bank e a BMC aproximaram-se rapidamente da frente do pelotão para colocar os seus líderes (Andy Schleck e Alberto Contador chegaram a estar lado a lado nessa fase) mas era a Garmin (e depois a HTC) quem impunha o ritmo. Mais tarde, só após o Sprint Intermédio, é que a Leopard impôs o seu próprio ritmo (não percebi se era para tentar cortes ou para o que era, mas impôs), contudo nessa altura já muitos tinham reentrado e o grupo traseiro estava com minuto e meio de atraso, sem chance de voltar à frente. Aliás, na RTP N também não houve qualquer crítica para nenhuma equipa devido a essa situação, e até agora ainda não vi nenhuma equipa ou ciclista apontar o dedo à Leopard ou a qualquer outra equipa. Apenas o director desportivo da Europcar falou sobre o tema e foi para dizer que a HTC tinha acelerado no pelotão antes do sprint intermédio mas que era normal.


Dois dias e média montanha

Sobre as vitórias de Mark Cavendish e Edvald Boasson Hagen, pouco há a dizer. Com mais ou menos história, pouco fugiram ao que é habitual em etapas planas e, como vocês já sabem, este blog é de opinião e não para publicar classificações.

Final da etapa de sábado
Este fim-de-semana disputar-se-ão duas etapas de média montanha. A de amanhã, com chegada a Super-Besse (3ª categoria) e com a primeira contagem de segunda categoria deste Tour, certamente fará diferenças entre os favoritos, ainda que sejam pequenas. Já a etapa de domingo, apresenta o perfil mas acidentado até ao momento mas um final menos exigente, ao jeito de sprinters como Rojas ou Hagen.

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Tal como já disse, este blog é de opinião. Nada aqui é escrito como se fosse a verdade absoluta e não existe o objectivo de levar os leitores (que cada vez são mais) a pensar como o autor. São apenas opiniões e análises com base em factos. Quem quiser discordar, poderá usar a caixa de comentário, tal como já aconteceu.
Ah, e não pensem que estou esquecido do Rui Costa. Simplesmente, por agora não há muito a dizer. Tem estado lá, com os primeiros. Vamos ver o que faz esta fim-de-semana, com etapas mais ao seu jeito.

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Até domingo, está na estada o Troféu Joaquim Agostinho. Podem segui-lo pelo seu site, e segunda-feira farei o seu balanço. Por agora, é tempo de Tour.

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