quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Vuelta com 6 portugueses, não havia tantos desde 97

André      Bruno      Hernâni      Manuel       Sérgio        Tiago
 Cardoso     Pires        Brôco      Cardoso     Paulinho    Machado

Vai sábado para a estrada a 67ª edição da Volta a Espanha, com seis portugueses presentes: Tiago Machado, Sérgio Paulinho, Manuel Cardoso e os estreantes Hernâni Brôco, André Cardoso e Bruno Pires. A nível geral, a grande atracção é o regresso de Alberto Contador às grandes voltas e as dez chegadas ao alto.


Em 1997, Lisboa recebeu a partida da Volta a Espanha, numa manobra de promoção da Expo 98. Lisboa-Estoril, Évora-Vilamoura e Loulé-Huelva foram as três primeiras etapas, tendo eu assistindo à partida de Loulé, uma das minhas primeiras experiências no ciclismo, então com 6 anos. Com Orlando Rodrigues em representação da Banesto, José Azevedo, Cândido Barbosa, Joaquim Andrade, Paulo Ferreira, Paulo Barroso, Joaquim Sampaio e João Silva pela Maia-CIN, essa Vuelta a Espanha contou com 8 portugueses e foi a última edição que passou a meia dezena. Apesar das posteriores presenças de Benfica (99), LA-Pecol (2000) e Milaneza-MSS (01, 02 e 03), o máximo registado desde então foi de cinco lusos, e porque José Azevedo corria na ONCE, pois as formações portuguesas eram maioritariamente compostas por estrangeiros, sobretudo espanhóis. Aliás, não é de esquecer que na Volta a Portugal 2004 apesar de existirem 9 equipas nacionais e apenas 3 espanholas, os ciclistas portugueses estavam em inferioridade (53 espanhóis contra 45 portugueses).

Mas o tema deste artigo é a Vuelta 2012 e os seis portugueses que lá estão (com objectivos bem diferentes).

Tiago Machado


Começo pelo Tiago Machado porque é aquele que leva um desafio maior. Juntamente ao Maxime Monfort, o Tiago vai liderar a Radioshack com vista a classificação geral e uma classificação geral positiva para o Tiago passará por um lugar nos dez primeiros.

Com o 19º lugar no Giro e 32º na Vuelta, as grandes voltas não correram bem ao Tiago Machado na temporada passada e por isso os seus directores alteraram o plano para este ano, tendo começado a competir mais cedo, logo em Janeiro no Tour Down Under (3º lugar), mas sem disputar o Giro e sem nenhum grande bloco de corridas para chegar mais fresco à Vuelta. Machado será um dos cerca de 20 corredores a aspirar a um lugar entre os 10 melhores, lugares esses que serão para quem melhor subir, uma vez que existem dez chegadas em alto e o único contra-relógio existente (acidentado), assumirá menor importância para as contas finais.

Se, por algum motivo, o Tiago ficar fora da luta pelos dez primeiros, deverá dedicar-se à luta por etapas, já que outro 19º ou 20º lugar nada lhe valerá para progredir, dentro da RadioShack ou noutra equipa.

André Cardoso e Hernâni Brôco e Manuel Cardoso


Agrupo os três corredores da Caja Rural porque o seu objectivo deverá ser semelhante, ainda que por diferentes caminhos.

Manuel Cardoso será a aposta da Caja Rural para as chegadas ao sprint e nesta Vuelta há 9 tiradas com características para isso, ainda que nalgumas acabarão por vingar fugas. O Manuel não terá um grande comboio, mas terá ajuda para se colocar da melhor forma na parte final, principalmente através de Aitor Galdós. Sem a presença dos principais sprinters mundiais, as suas possibilidades de vencer aumentam.

Para Hernâni Broco e André Cardoso a primeira semana será decisiva para decidir até que ponto devem ser cautelosos pela classificação geral ou arriscar na busca de vitórias em etapas. Achando eu difícil que fique no top-10 da geral (tal como acho para o Tiago), obviamente prefiro que lutem por uma etapa do que pelo tal 19º ou 20º posto. De qualquer forma, com chegadas em alto logo na segunda e terça-feira, as dúvidas poderão ficar desfeitas.

Sérgio Paulinho e Bruno Pires


Com Alberto Contador na equipa, o objectivo de Paulinho e Bruno Pires será, naturalmente, ajudar o madrileno a chegar à vitória geral. Apenas se Contador falhar os portugueses terão liberdade para algo mais, ponto final, parágrafo.

Alberto Contador, favorito número 1


Apesar dos seis meses sem competir (do Tour de San Luís ao Eneco Tour), Contador é o principal favorito à vitória. A teórica desvantagem pela falta de competição é compensada pela frescura que ele tem e a maioria dos seus adversários não. Froome vai para Espanha depois de um Tour desgastante (ainda que sem ir ao limite), e Valverde, Gesink, Van Den Broeck, Mollema e Menchov tinham a temporada centrada no Tour e só se viraram para a Vuelta depois de terem ficado aquém do desejável na prova francesa. Joaquin Rodríguez (2º no Giro) volta a tentar a fórmula que no ano passado falhou redondamente Giro+Vuelta e Thomas de Gendt (3º no Giro) é uma incógnita. Igor Antón é o único que chega a esta prova sem nenhuma outra grande disputada antes e Juanjo Cobo é o único que, apesar de ter estado no Tour, fez toda a preparação a apontar para a Vuelta. São muitos homens com teóricas aspirações ao pódio, mas não me parece que nenhum deles consiga bater Contador. Espero estar enganado e que tenhamos interessantes duelos.

Dez chegadas ao alto


Não sou fã da extrema dureza em grandes voltas, mas admiro bastante o percurso desta Vuelta e as suas dez chegadas em montanha. É que, apesar disso, a prova tem um nível de dificuldade dentro do que julgo aceitável e é equilibrada, mantendo nove oportunidades para sprinters. A fórmula encontrada para ter muitas chegadas ao alto sem prejudicar os sprinters, foi a de abdicar de todas aquelas habituais etapas de montanha com final em descida.

Há duas chegadas em terceira categoria (6ª e 12ª etapas), uma de segunda (17ª), quatro de primeira (3ª, 4ª, 8ª, 14ª) e três de especial (15ª, 16ª, 20ª), todas elas entre os 150 e os 190 quilómetros e a grande maioria com apenas uma ou duas contagens de montanha antes da subida final. Importa relembrar que duas das etapas mais espectaculares do ano passado, Alpe d’Huez (Tour) e Anglirú (Vuelta), tinham, respectivamente, 110 e 142 quilómetros

Além destas, do contra-relógio colectivo inicial e do contra-relógio de 40 km a meio da prova, há a chegada a Barcelona, que oferece uma pequena dificuldade nos quilómetros finais, e oito feitas por medida para sprinter. Seis delas não têm qualquer contagem de montanha e duas têm uma terceira categoria mas ainda na parte inicial. Fica assim descrito um percurso que acho espectacular. Os perfis, são estes:

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Desviando um pouco da Vuelta: Boas notícias!

Retirado do site do Governo:
O Governo aprovou um diploma que define o regime de policiamento de espetáculos desportivos, realizados em recinto desportivo, e de satisfação dos encargos com o policiamento de espetáculos desportivos em geral. Com este diploma ficam definidas as regras relativas ao policiamento dos espetáculos desportivos, a responsabilidade dos promotores e a comparticipação do Estado nos encargos com o policiamento.

“Em geral”, incluirá o ciclismo. Passando o Estado a pagar uma parte do policiamento das provas de ciclismo, poderá ser um grande balão de oxigénio para a modalidade, depois de tantas e tantas provas anuladas nos últimos anos por falta de verba para o policiamento obrigatório.


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Regressando à Vuelta para terminar:
A organização da Vuelta alterou o sistema de bonificações para a edição deste ano, o que não deverá alterar nada face à habitual trapalhada que são os comentários da Eurosport neste aspecto. Andam sempre às aranhas nisto porque não conhecem os regulamentos, algo que o comum adepto não necessita de ler, mas os comentadores devem faze-lo, tal como eu já fiz e faço sempre que tenho dúvidas para poder levar até aos leitores a informação correcta.

Ora, dizem os regulamentos da UCI que, quando há bonificações, devem ser: em grandes voltas (Giro, Tour e Vuelta), 20, 12 e 8 segundos para os três primeiros de cada etapa e as 6, 4 e 2 nas metas volantes, podendo existir até três por etapa; nas restantes provas (como a Volta a Portugal) é 10-6-4 na meta e 3-2-1 nas metas volantes (máximo 3). Isto, excepto o caso de haver duas etapas no mesmo dia, mas isso é um caso muito particular que para aqui não interessa.

Os organizadores podem decidir se há ou não bonificações, mas quando decidem por haver, seguem o regulamento da UCI, pelo que não há motivos de engano… excepto nesta Vuelta, pois a organização decidiu que será 12-8-4 na meta, mantendo os habituais 6-4-2 em metas volantes. Fica o leitor informado. Quando tiver dúvidas, apenas tem que vir procurar este artigo.

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