segunda-feira, 10 de março de 2014

Tirreno-Adriático: percurso, favoritos e antevisão

Nibali venceu em 2012 e 2013. Este ano optou pelo Paris-Nice
Começa na próxima quarta-feira o Tirreno-Adriático (12 a 18 de março), uma mini-grande volta de uma semana, com contrarrelógio coletivo, individual, chegada em alto e etapas para sprinters. Em termos de diversidade de percurso nenhuma prova de uma semana lhe supera, e quanto ao nível do pelotão também é difícil.

Percurso

O Tirreno-Adriático deixou de ser uma prova cuja classificação geral era disputada por sprinters e classicomanos para se tornar uma prova disputada por grande-voltistas. Poderá soar estranho, mas o Tirreno-Adriático que nos últimos anos foi disputado por Nibali, Froome, Contador, Horner e Evans, há dez anos era disputado por Pozzato, Bettini, Freire, Petacchi ou Di Luca. E quando falo em disputa refiro-me ao primeiro lugar.

A Corrida dos Dois Mares tornou-se uma mini-grande volta com etapas ao jeito de todos os ciclistas mas tornou-se também rotineira. Este será o quarto ano com crono coletivo de 16 quilómetros a abrir e crono individual de 9,2 km planos a terminar, este último sempre em San Benedetto del Tronto, sempre no mesmo percurso. A segunda e a terceira etapas serão para sprinters, também aí dentro do habitual, ainda que mude o percurso de uns anos para os outros.
4ª etapa, 15 de março (sábado)
A quarta etapa terá chegada em alto, com 14 quilómetros a 5,3% de inclinação média para finalizar uma jornada de 244 quilómetros. No dia seguinte serão 192, talvez com a jornada que mais massacrará os ciclistas.

Terão 12,5 km a mais de 8% de inclinação média numa subida que termina a trinta quilómetros da chegada, dezasseis deles em descida. Enfrentam depois uma pequena subida para aumentar o desgaste, descem e por fim terão o Muro de Guardiagrele, com 600 metros a 21% de inclinação média, que é de prever que muitos ciclistas o façam a pé, num triste espetáculo muito apreciado pela RCS Sport. Esperemos que não esteja tão mau tempo como na penúltima etapa do ano passado, em que tal aconteceu.
5ª etapa, 16 de março (domingo)
A etapa que antecede o crono final será toda ela perto da costa, com 90 quilómetros em que os ciclistas têm o Mar Adriático logo ali ao lado, numa paisagem belíssima para eles mas que não deverá ser vista no direto, pois esse apenas começará mais tarde. Ainda assim, na televisão será possível ver os últimos quilómetros no circuito urbano de Porto Sant'Elpidio, cidade que tem como principal ponto turístico a sua praia.

Ver perfis:
Etapa 1 | Etapa 2 | Etapa 3 | Etapa 4 | Etapa 5 | Etapa 6 | Etapa 7
Ciclismo da RCS Sport. Foi assim no ano passado

Favoritos

Chris Froome seria o principal favorito à vitória depois do segundo lugar no ano passado e da demonstração de força que vem dando desde a Vuelta 2011, mas o britânico sofre de uma inflamação nas costas e falhará a prova. Richie Porte (Sky), que era um dos principais candidatos à vitória no Paris-Nice, toma o lugar de Froome no Tirreno-Adriático, o que motivou duras críticas do organizador da prova francesa. Christian Preudhomme não gostou de ver o detentor do título entregar a coroa desta forma, mas a cadeia Sky tem interesses em Itália e o Tirreno-Adriático serve melhor esses interesses que o Paris-Nice. E atendendo ao percurso mais montanhoso e com contrarrelógio, Porte é aqui mais favorito do que seria na Corrida do Sol.

O outro grande favorito está na Omega Pharma e é o polaco Michal Kwiatkowski, que já leva cinco vitórias nesta temporada, superado neste particular apenas por Greipel e Valverde. A formação belga tem ainda Rigoberto Urán. São os dois homens da Omega Pharma para as gerais das grandes voltas, que se encontram aqui para depois seguirem caminhos distintos. Kwiatkowski estará focado nas Ardenas e no Tour enquanto Urán aponta baterias para o Giro, mantendo em aberto a possibilidade de participar na Volta a França. No Giro terá como adversário Cadel Evans (BMC), com quem já se cruzou no pódio do ano passado e se cruzará neste T-A, sendo o australiano um candidato ao pódio.

A Movistar conta no Tirreno-Adriático com Nairo Quintana, a Tinkoff-Saxo com Alberto Contador e Roman Kreuziger e a Belkin com Bauke Mollema, ou seja, estarão presentes segundo, quarto, quinto e sexto do último Tour, faltando pelo meio Froome e Purito. O contrarrelógio deixa Quintana em desvantagem face a outros candidatos, mas na montanha será um perigo para todos.

Num pelotão de elevada categoria, não faltam voltistas a destacar ainda que as suas possibilidades de pódio pareçam mais reduzidas. São os casos de Domenico Pozzovivo e Jean-Christophe Peraud (Ag2r), Tanel Kangert e Michele Scarponi (Astana), Robert Gesink (Belkin), Andrew Talansky (Garmin), Ivan Basso (Cannondale), Diego Ulissi Chris Horner (Lampre).

***** Porte e Kwiatkowski
**** Contador, Evans e Mollema
*** Quintana, Kreuziger e Urán
** Ulissi, Horner, Pozzovivo, Kangert e Gesink.

Também estarão presentes Cancellara, Tony Martin, Wiggins, Malori, Cavendish, Greipel, Kittel, Modolo, Démare, Sagan, Gilbert, Van Den Broeck, Daniel Martin, Pinot, Leopold Konig e o português Tiago Machado. Um pelotão de luxo.

Chave-da-corrida

Nos contrarrelógios (coletivo a abrir e individual a fechar), Porte e Kwiatkowski deverão levar vantagem sobre os restantes candidatos*. Deverão ser diferenças curtas, mas duas diferenças curtas podem resultar em algo significativo. Por exemplo, no ano passado Kwiatkowski ganhou 38 segundos a Contador no total dos dois contrarrelógios.

Também é de prever que a Sky assuma o controlo da quarta etapa para preparar o ataque (ou a defesa) de Richie Porte, mas mais difícil de prever será a postura dos seus adversários. Porque se toda a gente esperar pelo último quilómetro, as diferenças serão curtas e esse é o cenário que favorece quem pode ganhar tempo nos cronos, como Porte e Kwiatkowski.

Mas se os ataques sérios começarem mais longe, poderão existir maiores diferenças de tempo. E apesar da Sky ter um bom bloco, se Quintana estiver próximo do seu melhor nível (2013) ou Contador (2009, bem mais rebuscado), não é Kennaugh ou Cataldo que vão manter o comboio a 10s à espera do ataque de Porte*. Caso Quintana ataque ao seu nível, Porte terá que sair à sua roda.

Estamos em março e claro que o colombiano não está a 100%, mas o australiano também não. E nem precisa de ser o Quintana. É preciso é que haja alguém com força e vontade para criar diferenças, seja na quarta ou na quinta etapa, onde o Passo Lanciano poderá ser atacado. Tudo dependerá dos trepadores com força e vontade para dinamitar a prova na montanha. Força sem vontade ou vontade sem força não chegam.

* Obviamente, trata-se apenas de uma previsão da corrida e leitura das características e momentos de forma dos favoritos. Até pode ser o caso de Porte e Kwiatkowski perderem tempo para os seus adversários nos contrarrelógios. Até pode ser o caso de aparecer algum Santambrogio da vida a ganhar a prova. Sabe-se lá.

Transmissão

O Tirreno-Adriático terá transmissão em direto no Eurosport 1, exceto no domingo em que passa para o canal 2.


A Corrida dos Dois Mares

Em 1996 surgiu a corrida Tre Giorni del Sud (Três dias do Sul), a qual deu origem ao Tirreno-Adriático e a partir do segundo ano passou a ter cinco dias. Chegou a ter oito na década de 90 mas desde 2002 que tem sete.

Inspirado na ligação dos dois mares, a camisola de líder é azul e o troféu para o vencedor é um Tridente de Neptuno, o deus do mar na mitologia romana.

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Na Strade Bianche, Michal Kwiatkowski deu uma demonstração de força incrível. Peter Sagan, que está cada vez mais inteligente, maduro e ofensivo, atacou a 20 quilómetros da meta, com Kwiatkowski a juntar-se de pronto ao eslovaco. Os dois ganharam uma vantagem confortável para discutir entre eles a vitória, num duelo que vem deste os tempos de juniores e pode durar mais dez anos.

Sagan tentou forçar na rampa do último quilómetro, mas o ataque lançado por Kwiatkowski foi demolidor e o polaco conquistou a quinta vitória da temporada depois de uma em Maiorca e três no Algarve. Dois homens a ter em conta para Sanremo.

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Na Roma Maxima, Alejandro Valverde atacou a cerca de 35 km da meta para conquistar a sua primeira vitória em território italiano. O espanhol foi o mais valente e quis evitar o sprint. O pelotão chegou-lhes nos calcanhares, com Davide Appollonio a ser segundo apenas a um segundo de Valverde.

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Diego Ulissi venceu o GP Cidade de Camaiore. Não é a prova mais importante do mundo, mas no ano passado o italiano venceu três provas de um dia em outubro, em janeiro foi 3º na Austrália (e venceu uma etapa) e está a tornar-se um dos principais candidatos a vencer nas clássicas das Ardenas.

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No Paris-Nice, Tejay Van Garderen desistiu na primeira etapa devido a problemas estomacais. Nacer Bouhanni venceu a primeira etapa depois de uma queda. No ano passado foi ao contrário. Primeiro caiu e vestiu de amarelo e só depois caiu e foi forçado a abandonar.

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