segunda-feira, 12 de maio de 2014

2 de 2 para Kittel na Irlanda

O Giro saiu da Ilha da Irlanda com Marcel Kittel em grande destaque. O alemão conquistou duas vitórias, a segunda das quais com uma das maiores recuperações que me recordo e que ficará como um dos mais espetaculares da temporada. A 50 metros da meta Kittel ainda estava na quinta posição.

Bouhanni, Viviani ou Matthews são sprinters de grande qualidade, jovens de enorme potencial, mas na atualidade há três de outra liga. Enquanto Greipel ainda procura regressar à sua melhor forma depois da queda na Gent-Wevelgem e consequentes lesões e Cavendish está na Califórnia (já tem uma vitória e pode continuar a somar), Kittel é candidato a sair do Giro com meia dúzia de triunfos. Porém, verdade seja dita, a Giant tem desiludido enquanto bloco pela incapacidade de apoiar o seu chefe-de-fila da melhor forma. Costumam estar muito melhor do que nestas duas etapas.

Pela negativa, a passagem pela Irlanda fica marcada pela queda coletiva da Garmin e abandono de Daniel Martin logo no contrarrelógio por equipas. Duas semanas antes, Martin tinha caído na Liège-Bastogne-Liège a 200m da meta, quando parecia ter a vitória nas pernas. Dan Martin caiu nos seus dois principais objetivos da temporada e aqui há que acrescentar que a prova passaria na sua República da Irlanda dois dias depois, motivo pelo qual o seu primo Nicolas Roche também definiu o Giro como prioridade para 2014.

Todas as quedas custam mas pelo contexto e pela importância que a prova tinha para o ciclista esta é horrível. Mesmo assim, ainda Dan Martin se estava a levantar e agarrado à clavícula (fraturada) e já um dos eurocómicos de serviço estava a dizer que "por um lado, a queda de Daniel Martin é boa para André Cardoso" (que também caiu). São poucas palavras que mostram o nível deste visionário, capaz de ver o lado bom de uma queda e do sofrimento de um atleta lesionado. Talvez por ter uma visão mais curta, não consigo ver o lado bom da dor de alguém.

Nas contas da geral, Rigoberto Urán e Cadel Evans foram os principais beneficiados do contrarrelógio coletivo vencido pela Orica-GreenEdge. A equipa australiana tem apostado nesta especialidade, já tinha vencido o CRE do último Tour e é vicecampeã mundial.

Urán chega a Itália com menos 50 segundos que Quintana e 1'28'' que Purito, enquanto Evans está dois segundos atrás de Urán. O Giro é longo e esta distância não permite um dia mau aos da frente nem retira ninguém da luta, mas mais vale estar um minuto à frente do que um atrás.

Quintana é um ciclista de atacar de longe, mas Purito é um ciclista que prefere aguentar e atacar apenas nas últimas centenas de metros para a etapa e as bonificações. Perspetivando o tempo que ainda perderá no contrarrelógio individual do início da segunda semana, aqui terá que correr de outra forma, atacando mais distante da meta. Não será a primeira vez que o faz, mas só o faz quando é mesmo necessário porque não é a sua forma favorita de correr.

Hoje - dia de descanso - os ciclistas tiveram mais de três horas de voo entre Dublin e Bari, ao qual acresce o tempo de espera no aeroporto, desembarque e viagem até aos respetivos hóteis. Já o staff teve/tem que fazer 2700 km (uma parte deles de ferry) para levar a frota automóvel da capital da República da Irlanda até ao Sul de Itália. Dia de descanso, dizem.

Esta semana chegam os primeiros testes às pernas dos trepadores. Quarta-feira com a chegada a Viggiano (4ª cat) e quinta-feira com a chegada a Montecassino (2ª cat), quase com 240 quilómetros acessíveis e depois a subida para a meta. São apenas testes. Não será aqui que se ganha o Giro mas em qualquer sítio se perde uma prova de três semanas. Depois no fim de semana, duas chegadas em alto, em Montecopiolo (1ª cat) e Sestola (2ª cat).

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Entretanto também se disputa a Volta à Califórnia, uma das mais importantes, interessantes e espetaculares provas criadas nos últimos anos. De resto, no que toca a novas provas, Tour Down Under e Califórnia estão num patamar superior.

No caso da Volta à Califórnia, é a principal montra para o mercado norte-americano, irrelevante para empresas europeias focadas nos mercados domésticos mas de extrema importância para as empresas da indústria do ciclismo. Por isso estão presentes quatro das cinco equipas de fábrica (BMC, Cannondale, Trek e Giant, faltando a Lampre-Merida). Também a Omega Pharma (em defesa dos interesses da Specialized) e a Garmin. O pelotão fica completo com a Sky (pelo patrocínio da 21st Century Fox), a Belkin (sponsor norte-americano), a Orica, a NetApp-Endura (NetApp é californiana) e as norte-americanas UnitedHealthcare, Novo Nordisk, Optum, Jelly Belly, James e Bissell.

Tratando-se de uma corrida na América do Norte, é disputada em horário noturno do nosso fuso, quando a maioria já acabou a jornada laboral e pode ver ciclismo tranquilamente, o que nem sempre é possível nas provas transmitidas à tarde.

Sagan, Cavendish, Boonen, Wiggins, Phinney, Van Avermaet, Hushovd, Danielson, Rohan Dennis, Acevedo, Zubeldia, Ten Dam, Hofland, Boom, Degenkolb, o recente vencedor da Volta à Turquia Adam Yates, Tiago Machado e José Mendes são ciclistas a seguir com atenção.

À hora de publicação deste artigo, disputa-se o contrarrelógio individual. Há duas chegadas em alto: terça e sexta-feira.

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