sexta-feira, 2 de maio de 2014

Giro d'Itália 2014: percurso da Irlanda a Trieste

Nibali foi o vencedor em 2013
Começa dia 9 de maio na Irlanda do Norte, passa pela República da Irlanda e percorre a Itália de Sul a Norte para terminar em Trieste, num canto da Itália colado à fronteira com a Eslovénia, uma das mais importantes cidades do Império Austro-Húngaro e anexada à Itália após a primeira Guerra Mundial. Uma prova com três dias de descanso - uma novidade, uma prova para trepadores - como vem sendo norma.

Um Giro com muitas montanhas longas e duras, algumas pouco frequentes no ciclismo de elite, mas também com crono-escalada e o bem conhecido Monte Zoncolan, ambos na última semana, a que se espera decisiva.




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Belfast, capital da Irlanda do Norte, receberá o contrarrelógio coletivo que marca o início do Giro 2014 (9 maio), sucedendo a Herning (Dinamarca, 2012) e Amesterdão (Holanda, 2010). Em cinco edições de Giro, será a terceira com as primeiras pedaladas no estrangeiro, desta vez numa sexta-feira, pois a viagem para a Itália levará a um dia de descanso suplementar. 

Após o primeiro contrarrelógio de 21 quilómetros haverá mais uma etapa com começo e final em Belfast e ao terceiro dia chegada a Dublin (República da Irlanda), de onde saiu a Volta a França 1998. Curiosamente, num tempo em que o Tour tinha apenas um dia de descanso.

Segue-se então o primeiro dia de descanso competitivo, com os ciclistas a viajarem de Dublin para Bari, no Sul da Itália.
17 de maio, 8ª etapa
A primeira etapa em solo italiano (12 maio) sai de Gionivazzo, pequena mas bela localidade da província de Bari, colada ao Adriático. Bari, onde terminará a etapa com um circuito urbano, num total de apenas 112 quilómetros.

Inicia-se aí a caminhada rumo ao Norte do país, onde está o maior poder económico mas também os Alpes e os Dolomitas, motivo pelo qual lá serão passadas as últimas duas semanas de prova.

A travessia pelo país inicia-se com duas etapas em que se esperam as primeiras indicações relativamente ao estado de forma dos ciclistas, primeiro com um final em contagem de quarta e depois numa contagem de segunda categoria.

Uma etapa para sprinters antecede os dois primeiros finais a cima dos mil metros de altitude, numa Volta a Itália em que a dificuldade das montanhas vai aumentando de forma gradual. Primeiro será a chegada ao Santuário da Madonna del Faggio e depois a chegada a Sestola (quase 20 quilómetros de extensão), no fim de semana de 17 e 18 de maio.

18 de maio, 9ª etapa
Como dito, a dificuldade das montanhas vai aumentando ao longa das três semanas e estas estão longe de ser as etapas mais duras do Giro 2014, mas será interessante ver os primeiros confrontos mais a sério entre Nairo Quintana, Purito Rodríguez, Cadel Evans, Rigoberto Urán, Michele Scarponi, Daniel Martin, Domenico Pozzoivo, Rafal Majka.... os homens que serão tema para outro dia. E mais alguém que aparece a animar a prova.

Depois de Sestola, dia de descanso, já por cima de Florença e com o pelotão muito próximo dos Alpes.

A meio da segunda semana (22 maio) os ciclistas terão o primeiro de dois contrarrelógios individuais, um crono que foi apresentado com um traçado que favorecia especialistas mas foi sofrendo alterações para ficar cada vez mais duro. Começa e acaba a subir, ainda que não seja todo ele assim.

24 de maio, 14ª etapa
No sábado haverá a primeira etapa alpina (24 maio), com final no Santuário de Oropa, onde Marco Pantani conquistou uma das suas quatro vitórias na edição de 1999 e mostrou estar num nível ao qual nenhum adversário poderia chegar paralhe tirar aquele Giro. A última etapa que lá terminou foi a cronoescalada de 2007 vencida por Marzio Bruseghin. 

25 de maio, 15ª etapa
No domingo (25 de maio) etapa monosubida com chegada em contagem de primeira categoria, com 19,3 quilómetros a 7,6%, uma contagem realmente muito dura mas a qual deverá iniciar-se com o pelotão compacto e os principais candidatos à vitória na classificação geral descansados. Descansados dentro do que é possível depois de duas semanas de competição e 200 quilómetros.

A última semana é claramente a mais dura, com três chegadas em alto previstas mais uma crono-escalada, algo que se vem tornando um símbolo da prova italiana.


27 de maio, 16ª etapa
A primeira delas (27 maio) tem no menu Passo Gavia (16,5 km a 8%), Passo dello Stelvio (21,7 km a 7,1%) e chegada a Val Martello (22,3 km a 6,3%). Apesar de serem apenas 139 quilómetros, está prevista uma tirada de grande dureza. Porém, é melhor esperar para ver o que se passa até lá. No ano passado a etapa foi cancelada devido à neve, pois é grande a probabilidade de nevar a 2600m de altitude durante o mês de maio... nos Alpes. Para este ano a organização optou por repetir o risco. Felizmente o inverno foi menos rigoroso que o anterior e a primavera está a ser amena, mas nunca fiando.


31 de maio, 20ª etapa
A 18ª etapa (29 maio) terá chegada ao Rifugio Panarotta, com 16,3 quilómetros a 7,8% de inclinação média. Na última sexta-feira (30 maio) haverá uma cronoescalada mais longa que nos últimos anos, com um total de 26,85 quilómetros, 19 dos quais na subida para Grappa, a 8% de inclinação média. Se no ano passado Nibali meteu o segundo classificado da cronoescalada a quase um minuto, não será de estranhar que alguém faça diferenças semelhante no Monte Grappa. Claro que tal só é possível se alguém estiver numa forma soberba, como estava o italiano. 

A classificação geral ficará decidida num dos pontos mais emblemáticos da Corsa Rosa, o Monte Zoncolan, com os seus dez quilómetros a 11,9% de inclinação média. Estando no "último" dia, será um teste à capacidade de resistência de cada um e é de esperar que algum ciclista estrague um desempenho até então positivo.

O Giro d'Itália 2014 termina em Trieste. Milão, sede do organizador da prova e coração da economia italiana, deixou de ser o local fixo de chegada em 2009, quando o Giro soprou as velas do seu centésimo aniversário. Dessa vez foi Roma e no ano seguinte Verona a receber as últimas pedaladas da Volta a Itália. Mais dois anos Milão e em 2013 Bréscia.

Este ano será em Trieste, uma das mais importantes cidades do Império Austro-Húngaro (e com o mais importante porto marítimo) e que foi anexada à Itália após a primeira Guerra Mundial. Apenas em 1975 as disputas terminaram, quando ficou definitivamente traçada a fronteira entre a Itália e então a Jugoslávia.


Cima Coppi

Na Volta a Itália não existem contagens de especial categoria. A classificação vai de quarta a primeira categoria e depois há a Cima Coppi, nome dado ao ponto mais alto de cada edição da Volta a Itália, este ano no Stelvio a 2758m de altitude.

O prémio Cima Coppi surgiu em 1965 como homenagem a Fausto Coppi, falecido cinco anos antes e vencedor de cinco Giri d'Itália.


Giro vs Giri

O plural de Giro é Giri.

Giri no meio de uma frase em português, sem d'Itália, fica algo impercetível, e porque não faz sentido comunicar sem ser compreendido, torna-se mais fácil e prático utilizar o plural aportuguesado: Giros. Giros d'Itália. Mas estamos a falar da prova e o conhecimento não ocupado lugar. Fica a curiosidade.

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