domingo, 18 de maio de 2014

Uma semana de jovens

Diz o código não escrito do ciclismo que a primeira semana de uma grande volta tem nove dias. Desde o início da prova no sábado até ao final da semana seguinte, antes do primeiro dia de descanso, usualmente na segunda-feira. É por isso uma semana longa. Neste Giro, que começou numa sexta-feira, o conceito de "primeira semana" é ainda mais extenso.

Já foi há dez dias (um de descanso) que se iniciou a Volta a Itália e, ao contrário de outros anos, ainda nenhum dos principais favoritos ao pódio se mexeu. As duas etapas deste fim de semana apenas foram aproveitadas por Domenico Pozzovivo, que hoje ganhou trinta segundos aos seus principais adversários, 26 na estrada e 4 de bonificações.

A Trek fez a quase-dobradinha no sábado. Depois de uma performance de grande nível, assumindo os riscos desde muito longe, Julián Arredondo quase vencia. Depois de alcançado o colombiano (e Rolland), Robert Kiserlovski também quase vencia, mas foi batido por Diego Ulissi nos metros finais.

Não foi a Trek a alcançar a sua primeira vitória em grandes voltas, foi Ulissi a bisar num Giro de jovens. Até então, nas sete etapas em linha disputadas (a primeira foi um contrarrelógio coletivo) o vencedor mais velho era Marcel Kittel no dia em que cumpriu 26 anos de idade. Ulissi cumpre 25 em julho, Bouhanni (leva duas) e Matthews (uma) cumprem 24 em julho e setembro.

Dos homens que ambicionam o pódio, pouco ou nada se viu. Mas Michele Scarponi perdeu quase dez minutos e tem a classificação geral completamente arruinada. À Astana vale Fabio Aru, que ocupa o sexta lugar da geral

Hoje voltou a ser um dia pouco atrativo no que à classificação geral diz respeito. O meio minuto ganho por Pozzovivo valeu-lhe a subida ao quarto lugar mas as distâncias entre os restantes antes do contrarrelógio de quinta-feira serão muito semelhantes ao que eram antes deste fim de semana. Depois do crono se verá em que condições Evans, Urán, Quintana e companhia partem para a última ronda de montanhas. A partir do próximo sábado quase não há descanso.

Com Samuel Sánchez demasiado abaixo do que se esperava (e a BMC gostaria), Evans tem contado sobretudo com o apoio de Steve Morabito. Urán, por seu turno, conta com Poels e Brambilla, Quintana fica desapoiado quando chegam as últimas dificuldades. Para o que aí vem, algum colega terá que estar mais próximo para Don Nairo poder vencer.

Até ao momento, Quintana ainda não mostrou ter pernas para destronar Evans da liderança. Verdade seja dita, nem ele, nem Urán, nem ninguém e nem o próprio Evans mostrou em que forma está. Para já é difícil dizer em que condição estão os favoritos, mas mantenho a minha opinião que estando ao seu melhor nível de 2013 (2º no Tour), Quintana é capaz de bater Evans estando também o australiano ao melhor nível de 2013 (3º no Giro). Falta saber em que nível estão agora.

Rafal Majka é 3º. Num Giro que já perdeu Purito e Scarponi já abandonou a luta da geral, novos valores podem lutar por algo grande. Além do polaco (24 anos), Fabio Aru (23 anos, 6º), Ulissi (25 anos, 7º) e Wilco Kelderman (23 anos, 8º) estão no top-10, aos quais acresce Quintana, este nada surpreendente. O holandês não tem ganho tempo, mas todos os dias se tem mostrado como um dos mais fortes e poderá ganhar tempo importante no contrarrelógio. Com o momento de forma que aparenta, se terminasse o contrarrelógio no segundo lugar da geral não seria uma surpresa. De qualquer forma, a fasquia ainda não está tão alta para ele e há que ter calma para ver o que faz.

A curiosidade permanece quanto ao que ainda vale Ivan Basso. Até agora tem passado ao lado dos principais focos de atenção, mas tem estado sempre no grupo principal, reduzindo as perdas. É um ciclista que mesmo nos seus melhores anos sempre precisou de muita dureza para mostrar a sua melhor cara e apenas a partir do próximo fim de semana poderemos perceber quais os objetivos que ainda tem ao seu alcance.

A Orica leva uma semana de sonho. Vitória no CRE, outra de Matthews e hoje Pieter Weening, ao que acresce sete dias de camisola rosa. Mas poucas equipas têm motivos para sorrir. Em nove dias de prova, a camisola rosa e os triunfos de etapa apenas rodaram por cinco das vinte e duas formações, o que significa que muita gente ainda está de mãos a abanar. No ano passado, à nona etapa já oito equipas tinham "algo".

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Na Volta à Califórnia, vitória de Bradley Wiggins e com Tiago Machado no quarto lugar da geral. Perdeu o terceiro lugar na sexta-feira mas foi uma grande Volta à Califórnia para ele. Aliás, está a ser uma temporada de medida cheia.

Mark Cavendish venceu duas etapas, Peter Sagan uma, Taylot Phinney teve uma soberba prestação para vitória solitária e Esteban Chaves venceu uma das duas etapa de montanha, mostrando que pode recuperar totalmente (ou quase) da terrível queda e lesão do ano passado.


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