quinta-feira, 17 de julho de 2014

Hora dos Alpes

Entrará novamente sozinho na meta? Diante de todos?
Depois de doze etapas, o Tour chega aos Alpes e às suas longas subidas. O Tour não tem o seu Angliru ou o seu Monte Zoncolan, subidas que chocam pela sua inclinação, mas tem um vasto portefólio de montanhas que se destacam pela extensão. Subidas intermináveis que, umas após as outras, vão transformando o pelotão numa mão-cheia de homens.

Chamrousse é uma dessas subidas. 18,2 quilómetros de extensão a uma pendente média de 7,3% de inclinação média. Será talvez a subida mais difícil deste Tour. Perde para algumas em distância, perde para outras em inclinação, mas no conjunto desses dois fatores de dificuldade deverá ser a que mais se destaca.

Lá terminará a etapa de amanhã. Não será, contudo, a etapa mais difícil. Não tem o encadeamento de montanhas que salta à vista na de sábado, ou que os ciclistas enfrentarão mais adiante nos Pirenéus.

Mas o que interessa qual a montanha mais difícil, qual a etapa mais dura? O que interessa qual a etapa-rainha, termo criado para chamar à atenção, para vender? O público quer espetáculo e esse não deve faltar ao longo do que resta deste Tour.


Vincenzo Nibali tem 2’23’’ de vantagem sobre Richie Porte, e mais do que dois minutos se ganham ou perdem nestas subidas que demoram perto de três quartos de hora a serem ultrapassadas. Mas até ao momento foi Nibali quem se mostrou mais forte, tem uma equipa fortíssima para o apoiar e isso torna maiores os dois minutos e vinte e três que o separam de Porte.

Se tiver capacidade para tal, Nibali atacará, porque é a sua forma de estar no ciclismo. Na última etapa de montanha do Giro 2013 já tinha a camisola rosa garantida e tinha vencido o contrarrelógio da véspera, mas mesmo assim correu focado na vitória de etapa, porque lhe faltava vencer uma tirada em linha, nas montanhas. Caso se sinta capaz, amanhã tentará ampliar a sua vantagem.

Os adversários mais próximos na classificação são Porte e Valverde.

Até ao Tour, Richie Porte teve um rendimento inferior ao de 2013. Bastante inferior. Para continuar a lutar pelo pódio terá que estar ao melhor nível exibido na temporada passada e mostrar a regularidade que lhe faltou na edição passada do Tour. Quatro anos mais velho, já com 34, Alejandro Valverde chega à segunda metade da prova melhor posicionado do que alguma vez esteve para atacar o pódio.

No campo estratégico não há muito para as suas equipas inventarem. Sem um plano B, sem um outro ciclista que possa ameaçar a liderança de Nibali, apenas poderão endurecer o ritmo do pelotão para preparar o ataque dos seus líderes. Ou, se estes não se sentirem capazes de atacar, esperar que possam defender-se. Entre Nibali, Porte e Valverde será sobretudo uma batalha física.

Ataques precoces apenas poderão acontecer da parte de ciclistas mais atrasados que tentam reentrar na discussão, algo que Pierre Rolland fez constantemente no Giro. E se no Giro os italianos puderam festejar o pódio do jovem Fabio Aru, agora são os franceses que depositam as suas aspirações em dois jovens compatriotas, dois garçons. Romain Bardet e Thibaut Pinot, ambos de 1990, quarto e quinto na geral.

Este ano ou nunca, era a manchete do L'Equipe na quarta feira, depois do dia de descanso. Fotos de Bardet, Pinot e Péraud sobre o mapa francês preenchiam a capa. Veremos se terão a força e a coragem para atacar ou se vão esperar por uma falha dos seus adversários.


Dos portugueses, não é hora para criar grandes expectativas nem para fantasiar sobre entradas em fugas e vitórias de etapas. Antes disso, antes de fantasiar, precisamos saber como estão fisicamente depois dos problemas que afetaram ao longo desta semana os dois que melhor se adaptam às montanhas, Rui Costa e Tiago Machado

E amanhã é dia de montanhas. Começam os Alpes.

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Foto: CyclingTips

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