sábado, 5 de julho de 2014

Um mar de gente na rua, e aí está Kittel

Inglaterra saiu à rua para ver passar o Tour. São sempre questionadas as partidas das grandes voltas fora das próprias fronteiras mas a etapa de hoje serve como brilhante resposta a essas questões.

As neutralizações de percurso que os ciclistas e o seu staff terão de fazer nestes dias não são brandas, mas também não tão duras como outros com que se deparam durante a temporada. A região de Yorkshire e as suas cidades pagaram (e muito) para receber o Tour e o público respondeu positivamente. Foi perante uma incrível massa humana que os 198 ciclistas deste Tour percorreram os 190 quilómetros de hoje. As imagens essas foram belíssimas, levando ao mundo os verdes campos do Norte de Inglaterra e a enorme sensação de paz que provocam. O final, numa larga e longa reta, era propícia a um excelente sprint.

A fuga inicial a três era de manual. O pelotão podiam estar tranquilo perante o grupo pouco numeroso, Benoît Jarrier e a Bretagne-Séché Environnement estrearam-se no Tour em fuga, a outra continental francesa, Cofidis, estava presente com Nicolas Edet, e Jens Voigt acrescentava à fuga aquele toque que só ele pode dar.

A paz do trio ficou sentenciada logo na primeira contagem de montanha do dia. Voigt percebeu que não tinha pernas para os outros dois nas subidas e teve que se isolar para garantir que nas duas montanhas que restavam seria ele a pontuar e a garantir a camisola branca dos pontos vermelhos. Estreou-se no Tour em 1998 e esta é a sua 17ª participação consecutiva. Já por várias vezes anunciou que seria a última mas parece que não consegue largar isto. Em 98 também entrou em fugas e também liderou a classificação da montanha por um dia.

Neste espaço de tempo chegou a ser uma referência em provas por etapas, vencendo algumas importantes, lutando por outras. Quando as pernas já não davam para isso, dedicou-se a apoiar os seus colegas e a entrar em fugas, animar as corridas, mostrar os patrocinadores, como qualquer jovem. No seu caso, um jovem próximo dos 43 anos.

Houve quem se atrasasse. A estrada era em muitos sítios estreita e o público ainda a estreitava mais, sobretudo nas subidas. Alguém perdia um pouco o equilíbrio e todos atrás tinham que parar. Vários foram os homens importantes momentaneamente atrasados, mas no final todos os que importam para as contas da geral estavam juntos.

Voigt já tinha mostrado o porquê de ser um ciclista-fetiche e no final foi Fabian Cancellara que o fez, com um surpreendente ataque que certamente assustou muita gente. Mas o maior perigo de todos seria Mark Cavendish, que causou uma enorme e desnecessária queda. A perícia de Bryan Coquard evitou que fosse maior, mas muitos vão passar a noite a insultar Cavendish enquanto recebem assistência médica.

Marcel Kittel fez o que já tinha feito no ano passando, entrando a vencer e vestindo de amarelo. Já no Giro tinha vencido duas etapas naquelas bandas, na Irlanda do Norte e na República da Irlanda, e agora espera-se que não aconteça o mesmo que na prova italiana, onde foi forçado a desistir por problemas de saúda ainda antes de chegar ao país que dá nome à prova..

Peter Sagan foi segundo e, salvo azares, não vejo ninguém capaz de impedir outra vitória na camisola verde. Talvez não vença nenhum sprint massivo contra Kittel, mas há várias etapas em que os sprinters puros perderão tempo e ele estará lá a lutar pelo primeiro posto e a somar pontos. Como a de amanhã, por exemplo.

Para os portugueses, foi um dia tranquilo. Nelson Oliveira foi chamado a ajudar Chris Horner a recolar depois de um problema mecânico mas todos evitaram quedas e chegaram no pelotão.

Estamos oficialmente no Tour e Nelson Oliveira, Tiago Machado e José Mendes fizeram hoje a sua estreia. Faltam 20 dias de festa até Paris.

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