domingo, 6 de julho de 2014

Vincenzo Nibali, um Tubarão inteligente

A região de Yorkshire e as cidade de Leeds, Harrogate, York e Sheffield podem estar satisfeitas. A afluência do público foi magnífica, tudo o que a organização podia controlar nestes dois dias decorreu sem incidentes e a chuva não aparece. Mas mesmo sem chuva, é um tubarão quem lidera o Tour, Lo Squalo Vincenzo Nibali. Um ciclista fantástico.


O percurso de hoje deixava desde logo antever uma grande jornada de ciclismo. Marcel Kittel certamente gostaria de uma etapa mais acessível que lhe permitisse manter a camisola amarela, mas o constante sobe-e-desce deixava os adeptos alerta para não saírem do sofá.

Também os ciclistas tinham que estar alerta. As subidas de ontem causaram alguns cortes que no final não tiveram consequências mas hoje seria mais difícil recuperar qualquer atraso. Por isso cedo se viu as principais formações bem posicionadas no pelotão, salvaguardado as suas hipóteses na luta pela classificação geral.

Como esperado, o grupo ficou muito selecionado e a corrida tornou-se incontrolável. Alberto Contador esboçou um ataque e durante boa parte da última subida comandou o grupo. Depois foi Chris Froome que acelerou forte. Foram agressivos mas inexplicavelmente imaturos. Não parece a melhor opção para dois consagrados do ciclismo, que já venceram a Volta a França, correrem assim uma quarta categoria na segunda etapa do Tour, como se fosse a última oportunidade. Vincenzo Nibali mostrou a maturidade que faltou aos dois principais candidatos.

O italiano já venceu Giro e Vuelta mas ainda é um homem cheio de sonhos e de vontade de ganhar. Como mostrou no Campeonato do Mundo onde foi quarto, na Milano-Sanremo onde sempre ataca mesmo tendo todas probabilidades contra si, ou nos campeonatos nacionais que na semana passada conquistou. Mas apesar da enorme vontade de vencer, sabe controlar-se.

Foi o que fez durante a subida e durante a descida. Sabia que de nada valia atacar em quantidade mas sim em qualidade. Precisava de um ataque que o isolasse de imediato.

Nibali atacou forte o suficiente para ninguém o seguir e a partir daí valeu mais a sua organização solitária do que um plural desorganizado. Para tornar a situação ainda mais desagradável lá atrás, Jakob Fuglsang colocou-se nos primeiros lugares do grupo, e não mais chegariam ao seu companheiro. Primeira vitória no Tour e camisola amarela para um homem a quem, em termos de provas por etapas, apenas falta a vitória na Volta a França. E é para isso que corre.
Rui Costa ainda atacou, mas não conseguiu isolar-se como Nibali. Chris Froome estava atento para seguir o campeão do mundo mas demorou a aceitar os pedidos do português por colaboração, e quando o fez já era tarde. Rui Costa (14º) conseguiu salvar mais um dia sem problemas, tal como Tiago Machado (18º), chegando no primeiro grupo. Mais importante do que ser 5º ou 25º, é não perder tempo, e os dois portugueses conseguiram-no.

Com as primeiras diferenças de tempo feitas, as próximas etapas devem ser mais tranquilas no que diz respeito à aproximação à meta. Quem perdeu tempo hoje e não tem hipóteses de sprintar com os melhores já não deverá estar disposto a correr tantos riscos amanhã na chegada a Londres. Mas na quarta-feira, na etapa de pavés, as coisas voltarão a ficar tensas.

A etapa de hoje não serve para tirar conclusões sobre quem tem e quem não tem equipa. Veja-se o que aconteceu no Giro, com a Movistar mais apagada nas primeiras semanas e depois em força quando precisou de defender Nairo Quintana.

O Tour pode perde-se em qualquer dia mas ainda nenhum dos grandes candidatos o perdeu. Apenas se vence no final e ainda estamos muito longe de Paris.

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