segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Porque Portugal leva 6 elites ao Mundial e porque o Carro Vassoura estava errado

Na passada semana o Carro Vassoura tentou antecipar a UCI e adiantou que Portugal teria sete elites, quatro sub-23 e três juniores masculinos nos próximos Campeonatos do Mundo. Estava tudo certo menos um “pormenor”: o campeão mundial título dá um lugar extra à sua seleção sim, exceto na prova de fundo de elites e sub-23. Como tal, Portugal apenas tem lugar a seis vagas na prova de elites.

As contas efetuadas na semana passada estavam certas. Portugal ultrapassou a Republica Checa no Ranking Europeu e qualificou, por mérito próprio, seis elites e quatro sub-23, aos quais acrescem três juniores masculinos e uma feminina, vagas que qualquer seleção tem direito sem necessidade de qualificação.

Existem três regulamentos sobres Campeonatos do Mundo da UCI. O geral, o de prova de fundo masculina sub-23 e o de prova de fundo masculina elites. E o regulamento geral diz no artigo 9.2.009 intitulado Condição Geral:
“Em todas as especialidades individuais, o Campeão Mundial em título deve ser adicionado ao número de inscritos na sua Federação Nacional. O mesmo princípio é aplicado ao Campeão Olímpico por ocasião do primeiro Campeonato do Mundo seguinte aos Jogos Olímpicos ou, para o BTT, nos dois Campeonatos do Mundo seguintes.”
Depois o artigo fala em campeões continentais e em especialidades de pista e até aqui tudo certo. Se ficasse por aqui, o título de Rui Costa daria mesmo uma vaga extra. Porém, o artigo finaliza com:
“No entanto, a participação nas provas individuais de estrada de elites e sub-23 masculinos deve ser regida pelos artigos seguintes.”
Os artigos seguintes dizem que o sistema de participação nestas provas é decidido a cada ano pelo Comité Diretor da UCI e para este ano não foi incluída vaga extra para a seleção do campeão em título (apenas uma vaga caso a seleção em causa não se tenha qualificado de nenhuma outra forma). Foi essa a alínea que ignorei.

Por curiosidade, a Bélgica encontrava-se no ano passado numa situação semelhante a Portugal, com direito a seis vagas através do Ranking Europeu e tinha o Campeão Mundial (Philippe Gilbert). Participou com sete corredores, o que também me induziu em erro. No entanto, a sétima vaga foi uma “herança” de outra seleção, tal como a quarte de Portugal em 2012.

Fica assim explicado meu erro, que altera o número de participantes mas não altera o grosso da análise anterior.

E antes do Mundial, temos a Volta a França do Futuro, tema para abordar em breve, bem como a Vuelta.

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Até ao momento, nenhuma estação televisiva adquiriu os direitos de transmissão dos Mundiais para Portugal.

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