domingo, 21 de setembro de 2014

As seleções portuguesas para Ponferrada

Portugal estará muito bem representado em Ponferrada, com uma seleção numerosa e bem composta de qualidade e experiência.

Houve um período, não muito distante, em que os melhores ciclistas nacionais recusavam representar a seleção nacional por se considerarem em má forma. Um caso extremo deu-se em 2000, nos Mundiais de Plouay, um ano antes de Lisboa, quando Portugal não teve qualquer representante na prova principal, a prova de fundo de elites. Felizmente, nos últimos anos representar Portugal voltou a ser visto como um privilégio e um orgulho.

Continua a existir um grande fosso entre a Volta a Portugal e os Campeonatos do Mundo, um fosso muito difícil de preencher considerando a escassez de provas internacionais realizadas em Portugal. Por isso os ciclistas que representam equipas estrangeiras apresentam-se em melhor forma, mais rodados. Sobre o tema, Filipe Cardoso, que representou Portugal em 2011, deu uma interessante entrevista à Agência Lusa esta semana.

A convocatória dos elites portugueses para estes Mundiais é aquela que aqui tinha sido apontada há um mês, a que me parece mais acertada. O campeão mundial Rui Costa, os repetentes do ano passado André Cardoso e Tiago Machado, o duplo campeão nacional Nelson Oliveira, o experiente Sérgio Paulinho e José Mendes que, apesar de estar a realizar uma temporada inferior a 2013, me parece uma escolha acertada. De qualquer modo, é impossível agradar a todos e é perfeitamente normal que haja contestação sobre uma escolha que é subjetiva.

Portugal tem um candidato à vitória e tem cinco ciclistas para trabalhar em prol desse chefe-de-fila, que é o Rui Costa. Com seis ciclistas não será possível controlar a corrida nem assumir as mesmas responsabilidades que Espanha, Itália ou Bélgica, mas Portugal não se pode alhear das responsabilidades inerentes a ter um candidato à vitória.

Vencer um Campeonato do Mundo é extremamente difícil. Não basta ser muito bom, é preciso ter um percurso à sua medida, uma corrida que se desenvolva da forma mais conveniente e estar sempre no lugar certo. Muitos ciclistas de inegável qualidade nunca conquistaram o arco-íris, como por exemplo Fabian Cancellara ou Alejandro Valverde, que tem cinco medalhas na carreira. Encerrados estão os casos de Erik Zabel e Miguel Indurain, cada um com três medalhas mundialistas mas nunca a de ouro. E se ganhar um Mundial é extremamente difícil, dois consecutivos ainda mais, mas nada deve tirar a Portugal o foco de lutar pelo título na próxima semana.

Existem ciclistas para os quais "apenas" bastará resistir às dificuldades de um percurso que não é tão duro quanto o do ano passado, e são os casos de Gerrans, Degenkolb, Sagan ou Matthews, todos eles homens muito rápidos. Outros precisam que a corrida se torne mais dura, como são os casos de Valverde, Rui Costa, os holandeses (por exemplo Tom Dumoulin mas não só), Tony Gallopin, entre outros. Às restantes seleções, com nove ciclistas, cabe endurecer a corrida para eliminar sprinters e evitar fugas perigosas de favoritos de segunda linha. Com seis, não se pede a Portugal que corra como uma seleção de nove mas, dentro do que a limitação numérica permite, que tente manter Rui Costa em condições de disputar o final e, se possível, que ajude a eliminar sprinters.

No contrarrelógio correrá o campeão nacional Nelson Oliveira e o Tiago Machado, não correndo o Rui Costa para se focar na prova de fundo.

Sub-23

Nos sub-23 Joaquim Silva e Ruben Guerreiro parecem-me duas escolhas óbvias. Poderá ser injusto comparar ciclistas que representam equipas de clube e ciclistas que correm por equipas continentais, uma vez que estes têm menor liberdade durante o ano, mas estes dois fizeram uma excelente temporada ao serviço da Anicolor e da Liberty Seguros. Foram os dois melhores sub-23 nacionais em Portugal e depois na Volta a França do Futuro. 

Depois mandava a lógica que a seleção fosse composta por ciclistas que correram o Tour do Futuro e entre os outros que o fizeram o selecionador escolheu o mais experiente Rafael Reis e Ricardo Ferreira, que também ele esteve bem nas duas primeiras chegadas em alto da prova francesa. Dos cinco que estiveram por França, fica de fora o Carlos Ribeiro. Poderia estar lá, tem qualidade para isso mas alguém tinha que ficar de fora.

Depois da excelente forma mostrada em França, acredito que o Ruben e o Joaquim (pelo menos) têm condições para estar entre os melhores até ao final. Porém, espera-se uma disputa entre um grande grupo e não é a sprintar que estes se destacam. Por norma, a prova sub-23 tem sido menos seletiva que a prova de elites, devido à baixa quilometragem. Provas de 250-270 quilómetros para elites são provas em que a distância se torna também ela uma dificuldade, mas os sub-23 correm apenas em torno de 170 km (este ano 182), uma distância a que estão mais acostumados, pois muitos deles correm por equipas continentais. No caso dos portugueses, mesmo os que não correm por equipas continentais estão habituados a correr com os profissionais.

Rafael Reis será o único representante no contrarrelógio, campeão nacional nesta especialidade e por isso também uma escolha lógica.

Juniores

A escolha mais difícil talvez tenha sido nos juniores, uma vez que ao longo da temporada as principais provas tiveram diferentes protagonistas. De qualquer forma, o vencedor da Taça Tiago Antunes, o campeão nacional André Carvalho e Rui Oliveira são três jovens que merecem a convocatória, bem como o Ivo Oliveira que disputará o contrarrelógio (e o Tiago Antunes as duas provas). Considerando as últimas participações lusas na Taça das Nações deste escalão, as expectativas devem ser mais modestas.

Feminina

No que toca ao sexo feminino, a única participante será a Daniela Reis, vice-campeã nacional. Depois de vários anos sem participação feminina, Portugal tem uma ciclista com condições para completar a prova e, com apenas 21 anos, margem de progressão.

*****

Programa dos Mundiais:


Segunda-feira, 22 de setembro: 
9h00-10h30: Contrarrelógio juniores feminina
13h00-15h35: Contrarrelógio sub-23 masculinos (Rafael Reis)
Terça-feira, 23 de setembro:
9h00-11h40: Contrarrelógio juniores masculinos (Ivo Oliveira e Tiago Antunes)
13h30-15h45: Contrarrelógio elites femininas (Daniela Reis)
Quarta-feira, 24 de setembro:
12h30-16h00: Contrarrelógio elites masculinos (Nelson Oliveira e Tiago Machado)

Sexta-feira, 26 de setembro:
8h00-10h10: Prova de fundo juniores femininas
12h00-16h40: Prova de fundo sub-23 masculinos (Joaquim Silva, Rafael Reis, Ricardo Ferreira e Ruben Guerreiro)
Sábado, 27 de setembro:
8h00-11h15: Prova de fundo juniores masculinos (André Carvalho, Rui Oliveira e Tiago Antunes)
13h00-16h20: Prova de fundo elites femininas (Daniela Reis)
Domingo, 28 de setembro:
9h00-15h35: Prova de fundo elites masculinos (André Cardoso, José Mendes, Nelson Oliveira, Rui Costa, Sérgio Paulinho e Tiago Machado)

(Hora de Portugal Continental. Os horários de término são apenas previsões).

Programação RTP 2

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