terça-feira, 2 de setembro de 2014

E Nairo Quintana caiu literalmente da liderança

A caminho do quarto título?
Tony Martin está nesta Vuelta para preparar o ataque ao seu quarto título mundial de contrarrelógio (consecutivo) e hoje teve o principal teste, o qual passou com uma vitória. Foi onze segundos mais rápido que Fabian Cancellara, o qual no final se queixava do mau piso e da falta de segurança, ele que ultimamente se tem queixado demasiado de demasiadas coisas.

No que respeita à classificação geral, Alberto Contador está de camisola vermelha e posiciona-se como o principal candidato à conquista desta Vuelta. Perante isto e tão fabulosa prestação até ao momento, irão os Contadoristas ler esta pequena crónica neste pequeno blog sem se exaltarem? Não creio.

Quanto ao contrarrelógio em si, apesar das queixas de Cancellara, decorreu  com poucos incidentes conhecidos, mas a queda do camisola vermelha Nairo Quintana acaba por marcar o dia pela negativa, baixando para o décimo primeiro lugar a quase três minutos e meio do novo líder.

Apesar de registar o segundo melhor tempo, Cancellara apenas foi terceiro, penalizado em sete segundos. Entre o alemão e o suíço, o segundo classificado do contrarrelógio foi Rigoberto Urán, que na primeira semana não mostrou condição necessária para acompanhar os mais fortes a subir mas hoje realizou um excelente crono, no seguimento do que já tinha feito na Romandia (4º) e no Giro (com vitória). O quarto na etapa foi Alberto Contador, demonstrando que neste novo ciclismo uma excelente forma de preparação é a não preparação.

Como se explica o que digo? A verdade é que não encontro grande explicação. Mas repassemos a história.

Contador caiu no Tour e fraturou a tíbia a 14 de julho, logo no dia seguinte declarou que iria estar 5 ou 6 semanas sem tocar na bicicleta e uma semana mais tarde anunciou o adeus à Vuelta porque a recuperação estava pior do que esperava. Na realidade tudo isto eram bons indicadores para a recuperação de Contador, porque na realidade nada é como diz, ainda que para muitos seja difícil ou até impossível de perceber. Dirão que era para tirar pressão, mas tem sido assim durante toda a carreira.

A recuperação foi possível porque a lesão não era tão grave quanto dizia Contador e, recuperado da lesão, anunciou a sua presença na Vuelta, onde se tem exibido num nível muito alto. Mas a aquela que me parece ser a questão principal é outra. Como é possível que, 6 semanas apenas após a fratura da tíbia, Contador esteja muito mais forte do que em qualquer momento de 2013? O que mudou na sua preparação? Não sabemos, mas deverá ser esse o motivo da extrema confiança de Tinkoff no seu ciclista (depois de tantos problemas entre eles no ano passado) pois o russo saberá o que pagou e quanto pagou. Os adeptos também saberão um dia, mesmo que demore 10 anos. Lembre-se que foi necessário esperar até 2007 para que os ex-ciclistas da Telekom assumissem o esquema que estava por trás das suas fantásticas prestações e das vitórias no Tour de 96 (Riis) e 97 (Ullrich), forçando Bjarne Riis também ele a confessar aquilo que já se sabia. Ainda assim, não foi o suficiente para que deixasse o comando da sua equipa e é hoje o líder da Vuelta.

A Movistar tem agora Alejandro Valverde a 27 segundos e Quintana 3’25’’, o que poderia motivar o colombiano a atacar de longe nas etapas mais duras, tentando aproveitar a fraqueza da Tinkoff-Saxo. Porém, é prematuro conjeturar essa ou qualquer situação no que respeita ao colombiano enquanto são desconhecidas as consequências da queda de hoje. E de qualquer forma, a Vuelta não tem a dureza do Giro nem do Tour, o que torna mais fácil de controlar o pelotão até mais próximo da meta.

Chris Froome desiludiu, perdendo tempo num terreno em que deveria ganhar. E mesmo mantendo o quinto posto a uma distância recuperável (1'18''), os indicadores são negativos. Nem Froome nem Contador estão na condição em que se defrontaram no ano passado. Froome está pior, talvez debilitado pelas lesões no Tour e o que isso atrapalhou a sua preparação, Contador está melhor... ainda que não faça qualquer sentido.


Joaquim Rodríguez é sexto a 1'37'' e Fábio Aru oitavo a 2'27'', podendo ambos subir na classificação geral e animar a corrida nas montanhas que faltam, já a começar pela tirada de amanhã, mas sobretudo no próximo fim de semana alargado, de sábado a segunda-feira com três chegadas em alto consecutivas.

Estão colocados sobre a mesa ingredientes necessários para uma deliciosa Vuelta. E podem inspirar-se no Critérium du Dauphiné vencido por Andrew Talansky para colocarem a debilidade da Tinkoff em evidência.

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