domingo, 25 de janeiro de 2015

Australianos no Tour Down Under e sul-americanos em San Luis

Rohan Dennis venceu a terceira etapa e a geral 
Tour de San Luis e Tour Down Under marcaram o arranque da temporada para alguns dos melhores ciclistas do mundo e ambas as provas tiveram vitória de homens da casa, com a segunda de Daniel Díaz na principal prova argentina e a primeira de Rohan Dennis na principal australiana.

Pergunta a um dos melhores portugueses da atualidade sobre a Volta a Portugal e todos dirão que sonham em vencê-la, mas não entra no calendário das suas equipas. Pergunta a um australiano sobre o Tour Down Under e todos dirão igualmente que o querem vencer, mas neste caso é uma opção real, por estar inserido no World Tour. E além do natural apreço que têm pela principal prova do seu país, os australianos têm a vantagem meteorológica de se encontrarem em pleno verão, enquanto os adversários europeus e norte-americanos enfrentam o inverno. É por isso fácil de explicar o momento de forma dos aussies mais adiantado e cuidado que a maioria dos rivais que apenas aparecerá nessa fase a partir de março.

Apesar de um bom andamento generalizado ser norma, este ano os australianos foram mais além, ocupando os três lugares do pódio, com Rohan Dennis, Richie Porte e Cadel Evans.

Cadel Evans (BMC) apresentava-se com a ambição de triunfar, mas o seu companheiro Rohan Dennis foi mais forte na terceira etapa, a primeira a originar diferenças entre os principais aspirantes à vitória, num final inaugurado este ano e perfeitamente adequado ao que vem a ser norma no Tour Down Under. Depois de anos totalmente entregue aos sprinters, ultimamente o TDU tem apresentado etapas que colocam à prova os trepadores e classicomanos presentes, que lhes permitem dar nas vistas e discutir vitórias, mas que fazem magras diferenças, deixando tudo em aberto para o penúltimo dia.

Nesse, com a já habitual chegada ao Willunga Hill, Richie Porte (Sky) voltou a ser o mais forte (como em 2014), mas não o suficiente para destronar da liderança Dennis, que vence pelas bonificações. Na estrada, ao longo dos seis dias, Porte foi quatro segundos melhor que Dennis, que por seu lado amealhou mais seis nas bonificações. Aos 24 anos, é uma grande vitória para aquele que os adeptos australiano esperam ser o sucessor de Evans, que dentro de uma semana termina carreira, na prova realizada em sua homenagem.

Rohan Dennis já havia sido camisola amarela durante o Critérium du Dauphiné 2013 e no ano passado segundo na geral da Califórnia, trocando em agosto a Garmin pela BMC. Mais um sinal de que algo vai mal na forma como Vaughters lida com os seus ciclistas na Garmin (agora Cannondale). Curiosamente, também Steele Von Hoff venceu uma etapa (a quarta), apenas um mês depois de deixar a Garmin e correndo ao serviço da seleção australiana.

De referir ainda a vitória na primeira etapa de Jack Bobridge (seleção australiana), que sofre de artrite reumatoide e tenta construir a sua carreira apesar da doença. Na segunda de Juan José Lobato (Movistar), um espanhol com condições para vencer alguma grande prova, por ser mais que um sprint puro (mas é excessiva a comparação com o tricampeão mundial Freire). E hoje a etapa de encerramento foi para Wouter Wippert, holandês ao serviço da Drapac, equipa continental profissional australiana.

Tom Dumoulin (Giant), que se está a fazer um grande ciclista, ficou a dois segundos do pódio. Rubén Fernández (Movistar), vencedor do Tour do Futuro 2013 e de 24 anos ainda por cumprir, foi quinto. Domenico Pozzovivo (Ag2r), que fraturou a perna em 2014, foi sexto. Tiago Machado, que se preparava para ser oitavo na classificação geral, ficou envolvido numa queda no circuito do último dia e baixou ao 12º posto. De todas as formas, fica a demonstração da boa forma a menos de um mês da Volta ao Algarve.

Também no Tour de San Luís houve um domínio local... com ajuda vizinha. Daniel Díaz (Funvic), vencedor da prova em 2013, voltou a levar a classificação geral, com duas etapas de montanha vencidas. A isto junta-se a etapa do brasileiro Kléber Ramos (Funvic) e duas do colombiano Fernando Gaviria (Seleção Colômbia), de 20 anos, batendo duas vezes Mark Cavendish.

Se na Austrália a leitura é fácil, com australianos World Tour a baterem estrangeiros World Tour, em San Luís é algo mais peculiar, com sul-americanos de equipas continentais a impôrem-se face a corredores World Tour. Particularmente dominante esteve a equipa brasileira Funvic, a dar paulada nos europeus. Venceram a geral e cada uma das três chegadas em alto, sempre com dois ciclistas entre os três primeiros. Adriano Malori (Movistar) venceu o contrarrelógio, tal como já havia feito no último ano, e Mark Cavendish (Etixx-Quick Step) a derradeira tirada.

Na próxima semana as atenções estarão viradas para Maiorca, com as suas clássicas de quinta-feira a domingo.

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