quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Volta ao Algarve 2015: percurso e onde ver

A duas semanas do arranque da competição, o Carro Vassoura inicia a cobertura da Volta ao Algarve. Além da habitual apresentação do percurso, este ano é publicada, pela primeira vez, uma série de dicas que poderão (espero) ser úteis para quem vem assistir ao vivo à prova, que terá lugar de 18 a 22 deste mês.

Em todos os horários indicados ao longo do artigo, foram consideradas sempre as melhores previsões por parte da organização (44 km/h), de modo a prevenir atrasos. No entanto, com exceção da última etapa (e do contrarrelógio), todas se devem realizar a um ritmo inferior, até porque estamos no começo da época. Significa isto que se espera algum atraso em relação aos horários indicados.

Mais, as sugestões dadas têm por base a minha experiência, mas certamente que haverá programas melhores. Quem queira fazer alguma correção ou dar as suas sugestões, poderá fazê-lo através de comentários.


1ª etapa (18/02): Lagos - Albufeira, 167 km

A Volta ao Algarve 2015 arranca de Lagos. O Algarve já foi promovido como o segredo mais bem guardado da Europa e Lagos está aí para o comprovar. Longe da popularidade de Portimão, Vilamoura ou Albufeira, tem algumas das mais bonitas praias da região, como a Praia do Camilo ou de Dona Ana. Também não convém promover muito, porque são pequenas e ficam rapidamente lotadas, mas aqui entre amigos, que ninguém nos ouve, fica a sugestão. A etapa começa com uma volta pelo concelho para encontrar a primeira meta volante aos 30 quilómetros, em frente à Marina de Lagos.

Daí o pelotão segue para o barrocal algarvio pelos concelhos de Silves e Loulé, onde começarão a sentir dificuldades os ciclistas que chegam com excesso de peso, algo que se vê todos os invernos. Mas não é terreno que coloque em dificuldades quem realmente interessa. A entrada em Albufeira será a mesma dos últimos dois anos e o final será o mesmo dos últimos cinco, possivelmente o mais estranho e sem sentido que os ciclistas encontram ao longo da temporada. A descer e em curva (ainda que larga), para terminar em frente da Câmara Municipal. É por isso, e porque é onde se aglomera mais gente, que termina ali. Desportivamente (e até com melhor vista) seria preferível terminar à entrada da cidade, sobre a Marina,  como em 2004. Mas seria mais afastada do centro.

Onde ver?
Depois da partida (10h50), poderá dirigir-se para a Marina de Lagos, onde os ciclistas passarão às 11h40 para a primeira meta volante do dia. O estacionamento é fácil, ainda que pago.

Se tem interesse na zona de abastecimento (13h10), poderá apanhar a Via do Infante e sair no nó com o IC 1, apanhando essa estrada em direção a S. B. Messines/Lisboa e depois a estrada para Alte. Se não quer apanhar a Via do Infante para não pagar portagem, depois dos ciclistas partirem, saia direto pela EN 125 até apanhar o IC 1 no mesmo sentido anteriormente mencionado. Depois do abastecimento, volta para trás e em Messines apanha o IC 1 em direção a Albufeira, para ver o final.

Se não tem interesse na zona de abastecimento, pode ver a passagem em Messines (12h50, por fora da vila) e daí, mais tranquilamente, sair para Albufeira, chegando a tempo de ver a primeira passagem pela meta (14h15). A chegada está prevista para as 14h50.

2ª etapa (19/02): Lagoa - Monchique, 197 km

A etapa sai de Lagoa e lá volta ao cabo de dezoito quilómetros, algo que me parece muito bem planeado por parte da organização. O Algarve é uma região pequena e, se os Municípios pagam para ter uma partida ou uma chegada, é bastante fácil fazer com que tenham uma segunda passagem, mesmo que não exatamente no mesmo local. Ganha o público e ganha a autarquia, ganham todos.

Depois da segunda passagem por Lagoa os ciclistas saem em direção ao Autódromo Internacional da Mexilhoeira Grande para dar lá uma volta, seguem para Lagos (de onde saíram no dia antes) e Vila do Bispo (de onde sairão no dia seguinte). Da Costa Vicentina vão para a Serra de Monchique e ainda que não cheguem à Fóia, não falta dificuldade.

A etapa passa pela meta mais uma vez do que no ano passado, mas tal deve-se ao facto de entrarem em Monchique por outro lado. No essencial, o final é igual ao de 2014. Depois de passarem na meta (a 30 km de concluírem), sobem em direção à Fóia mas apenas lhe sentem a fase inicial, voltando a passar na meta à falta de 17 km. A decisão deverá ocorrer na Pomba, com quatro quilómetros e meio à média de 7% de inclinação média, concluídos a cinco e meio do término. Uma subida que este ano já não será novidade mas ainda assim poderá ser palco que maiores diferenças que a etapa rainha. Foi lá que no ano passado Michal Kwiatkowski deu um safanão à concorrência para vencer a Algarvia.

Onde ver?
Se prefere um programa mais calmo, pode ver a partida (10h50), a passagem em Lagoa (11h25) e daí para a meta, para ver as três passagens (duas + chegada, 14h50, 15h05, 15h30).

Se está disposto a sair do sítio, após a partida pode seguir a EN 125. Depois da Figueira, os ciclistas desviam para o Autódromo (12h00), dão uma volta e então regressam à EN 125. Pode ver o pelotão passar uma vez antes de desviar (11h50) e outra quando regressarem (12h20). Daí, então sim, pode seguir para a meta.

Se pretende ir ao abastecimento (13h35), depois terá que fazer muitos quilómetros atrás do pelotão (o que não é agradável) ou terá que voltar para trás para dar uma grande volta. Sinceramente, não recomendo. A menos que valorize muitos os bidões e outros brindes que ali se apanham e/ou conheça a região.

Última sugestão: ver na última subida pode ser melhor do que ver na meta. Afinal, quando se vê na Senhora da Graça, na Torre, no Malhão ou em muitos outros "finais em alto", também se perde aquela imagem do vencedor de braços no ar. Mas ver ciclismo ao vivo não é, não pode nem deve ser o mesmo que ver na televisão. Ver o ataque decisivo na Pomba pode ser mais interessante. A chegada está prevista para as 15h30.

3ª etapa (20/02): Vila do Bispo - Cabo de São Vicente, 19 km (CR)

O contrarrelógio desta Volta ao Algarve estará à terceira etapa, com saída de Vila do Bispo em direção a Sagres, à semelhança do ano passado. Mas nesta ocasião, os ciclistas irão percorrer mais alguns quilómetros até o Cabo de São Vicente, por paisagens espetaculares. São no total 19 quilómetros, uma distância perfeitamente adequada para contrabalançar a dificuldade do dia anterior e do dia seguinte.

Além da quilometragem, de referir a forte possibilidade de vento nesta zona que, a ocorrer, poderá assumir uma dificuldade extra.

Onde ver?
Contrarrelógios são ocasiões de excelência para ver cada ciclista. À partida é possível ver as estrelas à conversa com os membros da sua equipa (ciclistas e não só) e depois a aquecer. Mas não precisa de se restringir a isso. Se cumprir as normas necessárias, poderá percorrer o percurso até à meta.

Ao longo do percurso, pare onde poder e veja as arribas, que valem bem a pena. Quando circular, circule sempre atrás de um carro de apoio, de modo a não incomodar nenhum ciclista. Caso veja algum ciclista aproximar-se por trás para dobrar o da frente, encoste o quanto antes, para não interferir na corrida. Acompanhe ciclistas que estão atrasados na geral, não os favoritos. Ou seja, não espere pelos últimos a partir para fazer a distância entre a partida e a meta. Em vez disso, saia mais cedo e vá com calma. Por fim, sempre que estacionar, estacione fora da estrada e longe de curvas. Seja responsável.

4ª etapa (21/02): Tavira - Alto do Malhão, 218 km

A etapa rainha sai de Tavira, onde mora a mais antiga equipa do mundo, e da capital do ciclismo algarvio vai para aquele que se tem tornado o final de etapa mais emblemático nos últimos anos, no Alto do Malhão, concelho de Loulé.

É a única jornada que andará pelo Sotavento. O pelotão desloca-se para Castro Marim e então vira a Norte, acompanhando durante vários quilómetros o Guadiana até Alcoutim. Penetrando a Serra do Caldeirão pelo concelho de Tavira, os ciclistas começarão a acumular desgaste num constante sobe-e-desce e subirão ao Malhão pela primeira vez à falta de 40 quilómetros, num final igual ao de 2014.

Terão, a onze quilómetros da meta, a subida para Ameixeirinhas, curta mas muito inclinada e um excelente aperitivo para o prato principal, com os cerca de dois quilómetros e meio que levam os ciclistas de Pé do Coelho até ao Alto do Malhão.

Onde ver?
Está disposto a maior stress para ver a etapa em mais locais? Se não está, se quer algo mais tranquilo, depois da partida (10h50) deve esperar a segunda passagem dos ciclistas por Tavira (11h30), perto da partida, e daí seguir para o Malhão. Tem cerca de uma hora de caminho e os ciclistas iniciam a primeira subida às 15h00. É opção mais tranquila.

Se pretende ver mais ciclismo e para isso está disposto a maior confusão, depois de Tavira siga pela Via do Infante para Castro Marim e espere o pelotão no cruzamento para a Junqueira (12h00). Daí seguimos pela EN 122 para o Azinhal, onde os primeiros ciclistas devem passar ás 12h15. Após essa passagem, seguimos pelo IC 27 em sentido a Beja, até ao desvio para Alcoutim, onde a prova passará às 13h00. Estando à frente da corrida, podemos com maior tranquilidade seguir até Martim Longo e esperar a passagem da caravana (13h35). Dois quilómetros depois de Martim Longo terá um cruzamento à direita com indicação para o Ameixial e a A2. A partir daí, tem 45 quilómetros a percorrer até ao Malhão, que subirá pelo lado contrário aos ciclistas.

Três notas:
- Se a distância entre fugitivos e pelotão for grande, em alguns pontos talvez não seja recomendável esperar pelo pelotão;
- Se não conseguir planear a segunda hipótese num mapa, não arrisque;
- Se se perder... eu avisei que esta hipótese era mais stressante.

O Malhão será subido pela primeira vez às 15h00 e a segunda às 16h00. Se não conhece a subida e vai assistir pela primeira vez, algumas coisas que deve saber:
- Pode estacionar pelo lado Norte (os ciclistas sobem pelo Sul). Nesse lado é mais fácil estacionar mas para ir embora no final, terá que esperar muito mais tempo. Por isso recomendo que estacione no lado pelo qual sobem os ciclistas, mesmo que tenha que estacionar mais longe.
- Dificilmente estaciona no último quilómetro. Não tenha grandes ilusões quanto a isso, mas também não se apoquente. Mesmo que tenha que estacionar antes da subida, tem tempo para subir tranquilamente.
- Se na primeira passagem não estiver perto do topo, também não se preocupe - não haverá grandes mexidas.

5ª etapa: Almodôvar - Vilamoura, 185 km

Almodôvar, no Alentejo, volta a receber uma partida da Algarvia, uma experiência que no ano passado correu muito bem, com muitos adeptos presentes para ver os ciclistas.

Já com a classificação geral decidida, haverá ainda uma última contagem de montanha e duas metas volante, classificações que poderão, essas sim, ainda estar em aberto e animar o dia.

A segunda metade da etapa é rápida, levando o pelotão até à costa e até Vilamoura, onde terminará a Volta ao Algarve pelo segundo ano consecutivo. Desta vez apenas haverá uma passagem pela meta antes do sprint final, menos três que no ano passado. O "circuito final" este ano será maior, mas ainda assim propício aos sprinters, com extensas e largas retas para colocar em marcha os comboios dos velocistas.

Onde ver?
Este é o dia que os ciclistas partem mais cedo, logo às 10h20. Voltam a passar por Almodôvar aos trinta quilómetros (11h10), mas o melhor será seguir tranquilamente, até ao Barranco Velho (12h20) ou ao abastecimento (12h40). Se optar pelo Barranco Velho, siga depois por Loulé para Vilamoura. No segundo caso, em Alte siga por Paderne e Boliqueime para a meta. A primeira passagem está prevista para as 14h00 e o final da Volta ao Algarve para as 14h40.

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