sábado, 28 de fevereiro de 2015

Ian Stannard derramou um balde gelado na Etixx

(Foto PezCyclingNews)
Há coisas que não acontecem e Tom Boonen vencer o Circuito Het Nieuwsblad é uma delas, mas a derrota de hoje é particularmente difícil de explicar.

A 40 quilómetros da meta do Omloop Het Nieuwsblad apenas quatro ciclistas seguiam na frente, com Stijn Vandenbergh, Niki Terpstra e Tom Boonen (três Etixx-Quick Step) contra Ian Stannard (vencedor de 2014). Eram apenas quatro na dianteira e lá atrás muitos mais, mas quando a corrida se configura assim, dificilmente a maioria de trás anula a distância. É a repetida situação em que o grau de organização vale mais que a dimensão dos grupos.

Mas o grupo perseguidor também não demorou muito até se desintegrar. Sep Vanmarcke, talvez o ciclista mais forte hoje, tinha perdido contacto com os da frente por um furo, mas num novo ataque apenas Greg Van Avermaet e Zdenek Stybar foram capazes de responder. O checo não colaborava porque no primeiro quarteto tinha três colegas, e Van Avermaet não colaborava porque não podia fazer mais do que estava a fazer Vanmarcke. Um grande esforço do líder da LottoNL-Jumbo, que merecia melhor sorte. Mas a sorte e muitas vezes a justiça não se encontram por entre as pedras.

Vanmarcke não merecia o furo e Vandenbergh não merecia que os seus colegas deixassem a vitória escapar. Foi um enorme trabalho que realizou em prol de Terpstra e Boonen, impedido que Vanmarcke e Van Avermaet reentrassem na discussão, mas lá na frente também estava Stannard.

Foi um erro levar Stannard? Nesta fase, não me parece. Para forçar Stannard a desgastar-se seria necessário abdicar da organização, e abdicar da organização poderia permitir que os perseguidores conectassem. Nesta fase a prioridade era eliminar Vanmarcke e Van Avermaet, que (com Stybar) estiveram durante muito tempo a cerca de vinte segundos. O problema foi depois.

Tom Boonen atacar não foi um erro, o erro foi o tempo que tardou. Porque apesar do belga ser o mais rápido dos quatro que estavam em cabeça-de-corrida, tanto ele como Terpstra tinham dado alguns relevos com Vandenbergh, e Stannard era claramente o mais fresco. Depois de ter vencido Van Avermaet nesta mesma prova ao sprint em 2014, a Etixx conhecia o risco que representava levar a discussão para um duelo Boonen vs Stannard, desaproveitando Niki Terpstra, vencedor do último Paris-Roubaix.

Cabia à Etixx atacar à vez com Boonen e Terpstra, obrigando Stannard a responder às acelerações de ambos até rebentar. O erro foi a demora, porque tendo lançado a primeira ofensiva tão tarde (4,6 km da meta), Boonen e Teprstra permitiram que Stannard apenas tivesse que dar resposta a um ataque e pudesse, pouco depois, lançar-se ele. A três quilómetros da meta, eliminou Vandenbergh e Boonen, mais desgastado do que queria e do que esperavam os seus companheiros.

Stannard teve a corria praticamente perdida durante quase quarenta quilómetros, mas soube o que tinha a fazer, mantendo-se frio na cola dos três dos homens da Quick Step, poupando cada watt que podia ser poupado, para o seu segundo Omloop consecutivo.

A Etixx não contaria com um Stannard tão forte, não cometeu demasiados erros, mas os que cometeu foram enormes. Com três ciclistas num grupo de quatro, e todos eles ciclistas muito experientes, teriam que ser mais organizados. Não podiam ter esperado tanto para lançar os primeiros ataques, e quando Terpstra atacou Vandenbergh teria que o deixar ir, em vez de fechar o espaço que o seu colega abriu para Stannard. Falhas que se pagaram muito caro.



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Amanhã há Kuurne-Bruxelas Kuurne. 


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