quinta-feira, 14 de maio de 2015

Giro 2015: manda Tinkoff

Este Giro começou ameaçado pela reduzida quantidade de candidatos ao pódio. Descontados os golfinhos de Zoomarine que de vez em quando vêm à superfície, fazem uns números engraçados e voltam a desaparecer, e descontados aqueles que têm que trabalhar para os seus chefes-de-fila, apenas cinco ciclistas pareciam capazes de lutar pelos três postos de pódio: Contador, Porte, Urán, Aru e Pozzovivo. Pode sempre existir alguma surpresa, mas à priori existiam um fosso significativo entre estes cinco e os demais, sendo poucos para manter a luta pelo pódio emotiva até final, pois há sempre alguns azares e alguém que não está na melhor forma.

Não começou nada bem para o espetáculo com a(s) queda(s) e desistência de Pozzovivo ainda ao terceiro dia, mas tem piorado à medida que Rigoberto Urán vai dando sinais de debilidade. A 1'22'' da liderança e cerca de um minuto do pódio, Urán está a uma distância perfeitamente recuperável. Porém, este tempo foi perdido em apenas cinco etapas, nas quais não havia dificuldade que justificasse este atraso. As indicações são más para as suas hipóteses de vitória e a luta parece agora restringida a Contador, Porte e Aru. E ainda é muito cedo para estarem tão poucos.

Com apenas três aspirantes ao primeiro posto antes de se concluir a primeira semana, pode dar-se o caso da vitória ficar sentenciada ainda antes da última semana, algo que não seria bom para o espetáculo e espero não se verifique. Porém, abre-se o espaço para alguma surpresa no pódio, a aguardar a quebra de um destes. De todos os modos, falta muita estrada por pedalar.

No seguimento do descrito na última crónica, a Tinkoff-Saxo voltou a correr muito mal na quarta etapa. Colocou em fuga o seu segundo melhor homem, Roman Kreuziger, e assim retirou de si a pressão de perseguir um grupo muito numeroso, até porque o checo era claramente o mais perigoso dos escapados e uma ameaça para as intenções de Sky, Astana e Etixx. Pode até dar-se o caso de Kreuziger não estar na melhor forma, o que veremos com o desenrolar da prova, mas as equipas adversárias da Tinkoff não o sabem e teriam que se desgastar em perseguição do grande grupo que incluáa Kreuziger e chegou a rodar em torno dos dez minutos de vantagem. Contundo, quem assumiu a perseguição atrás foi a própria Tinkoff.

O diretor desportivo Bruno Cenghialta disse à RAI que corriam para Contador, e Kreuziger, se quisesse, teria que fazer a sua corrida sozinho. A Tinkoff pode até vencer o Giro porque tem um excelente ciclista para isso, mas não é assim que se corre, desgastando e fragmentando a equipa. Como é claro, a crítica aqui é apenas para a direção e não para os ciclistas, que se limitam a cumprir ordens.

Até à meta, a Astana mostrou ser (para já) a equipa mais forte, Aru atacou, mas a vitória de etapa foi para o jovem Davide Formolo. A de ontem para o também jovem Jan Polanc, igualmente como sobrevivente de uma fuga, e a de hoje para André Greipel, ao sprint.

No sábado haverá nova chegada em alto, em Campitello Matese, com 13 quilómetros a 6,9% de inclinação média. Na sexta e no domingo, duas etapas com finais acidentados.

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Se no percurso do Tour 2013 critiquei a existência de um contrarrelógio por equipa à quarta etapa, este ano pior ainda, com o crono coletivo ao nono dia, que me parece um disparate. Vejamos que neste Giro, com apenas seis etapas disputadas, Urán já perdeu dois companheiros de equipa. Imagine-se Urán a disputar um CRE numa equipa de sete ciclistas, contra equipas de nove. Sairia demasiado prejudicado sem ter qualquer culpa das quedas e outros infortúnios que podem acontecer ao longo de uma semana. Já no Tour do ano passado, Lampre, Lotto, Trek e Sky ficaram reduzidas a sete elementos antes da nona etapa.

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