segunda-feira, 11 de maio de 2015

Giro d'Itália, outra vez com Matthews no comando

Disputadas as três primeiras etapas do Giro d'Itália 2015, alguns apontamentos podem ser feitos, com a Orica-GreenEdge novamente a arrancar na frente.

George Bennett ganhou o direito ao primeiro destaque deste Giro (e desta crónica) ainda antes do arranque da prova, ao ser expulso por baixo nível de cortisol. Baixo nível de cortisol, não é doping e nem sequer é proibido pela UCI, mas sim pelo MPCC, Movimento Por um Ciclismo Credível, do qual faz parte a Lotto-Jumbo. Esta medida foi criada um pouco à imagem dos limite de 50% de hematócrito. Na década de 90, quando ainda não era possível detetar EPO em situação alguma, a UCI implementou um limite de hematócrito de 50% para limitar o abuso da droga, e quem ultrapassasse a fasquia ia para casa por alegados "motivos de saúde" (recordar caso de Pantani aqui). Atualmente as equipas que pertencem ao MPCC têm também um teste ao cortisol e quem registar níveis muito baixos vai para casa por alegados "motivos de saúde", mas a verdade é que um baixo nível de cortisol pode ser causado pelo abuso de cortisona, proibida sem autorização. Bennett não é o primeiro apanhado pelo baixo nível de cortisol, pois Pierre Rolland foi obrigado a desistir do Dauphiné 2013 pelo mesmo motivo, mas importa dizer que não se trata de um positivo nem dá direito a suspensão. Por exemplo, se a Lotto-Jumbo não pertencesse ao MPCC, Bennett poderia disputar este Giro, tal como Diego Ulissi está a fazer.

Mais. Na última crónica escrevi "a melhor preparação que um ciclista pode ter parece ser fora de competição e de preferência num sítio isolado em que ninguém o incomode nem visite de surpresa, como o Teide." Mesmo a propósito, acontece que Bennett foi o último ciclista a deixar o Teide antes do Giro. Será tudo uma grande coincidência? Será uma grande conspiração do universo? Basta ligar os pontos. E que cada um veja a figura desenhada.

No tocante à competição, a Orica-GreenEdge tem dado réplica ao excelente começo de Giro de 2014, mais uma vez vencendo o contrarrelógio e com a camisola rosa a passar primeiro por Simon Gerrans e depois Michael Matthews. Para Gerrans foi o melhor até ao momento de uma época muito marcada por azares. Para Matthews foi uma repetição e uma vez mais venceu de rosa. Foi na sexta etapa do ano passado e na terceira deste. A segunda etapa foi para Elia Viviani, pela primeira vez a conquistar uma etapa de grande volta.

A Tinkoff-Saxo foi a segunda classificada do contrarrelógio por equipas, a melhor entre os conjuntos com ambições para a classificação geral, e apesar das diferenças terem sido curtas, melhor dez segundos de avanço que dez de atraso. Contador (e Kreuziger) conseguiu seis segundos sobre Aru, doze sobre Urán e vinte sobre Porte (e König) e Zakarin. Não vencer o contrarrelógio poderia até ser uma vantagem para a equipa russa, pois arrecadou segundos à concorrência sem ficar obrigada a trabalhar na frente do pelotão, podendo poupar energias para a terceira semana de prova

Em vez disso, a equipa tem sido a que mais se desgasta na frente do pelotão, muito para lá do necessário. Por vezes, a cabeça do pelotão é o local mais seguro para estar, mas em dias como hoje, como muita subida, não há tanto essa necessidade. No entanto, lá esteve a Tinkoff a puxar pelo grupo, para anular uma fuga em que ninguém ameaçava as ambições de Contador na classificação geral, levando a corrida para um sprint onde a equipa não tinham quaisquer opções de sucesso. Foi apenas um trabalho de desgaste que pode passar fatura na terceira semana, e Contador sabe bem. Aliás, nos anos anteriores muitas vezes vimos os colegas de Contador descaírem do pelotão nos últimos quilómetros das primeiras etapas para poupar energias que poderiam ser úteis mais adiante. Porém, quem comanda esta formação não é Alberto Contador. No carro de apoio vai Oleg Tinkoff, que se comporta como o miúdo dono da bola do recreio. Todos fazem o que ele quer para que os deixe jogar, mas apenas por isso.

Pela negativa, destacou-se a queda de Domenico Pozzovivo no dia de hoje, que ficou durante largos minutos imóveis no chão. Pelo aparato em seu redor e com a cara coberta de sangue, foi um grande susto, mas safou-se sem lesões cerebrais, foi transportado para o hospital consciente e respira sem auxílio.

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Desde ontem, e até ao próximo domingo, também está na estrada a Volta à Califórnia, bom programa para ver à noite, e com excelente cobertura oficial na internet em: http://tourtracker.amgentourofcalifornia.com.

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Por falar em excelentes coberturas televisivas. O Giro d'Itália é transmitido online de forma oficial e aberta para todo o mundo pelo site da RAI. Podem ver aqui:
http://www.raisport.rai.it/dl/raiSport/dirette/ContentItem-6f6877b4-4dcc-4f4d-8825-eb1d47448eed.html

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