quinta-feira, 7 de maio de 2015

Giro d'Itália: os favoritos

Sorrisos sinceros...
As clássicas ficaram para trás e entramos no próximo sábado no período em que as grandes voltas assumem o protagonismo. A primeira delas, o Giro d'Itália, com Richie Porte e Alberto Contador como principais favoritos à vitória, mas também Rigoberto Urán e Fabio Aru.

Richie Porte ou Alberto Contador, qual é mais favorito? A resposta é difícil, tal como no ano passado no Tour entre o espanhol e Froome. Então Contador estava a realizar uma exímia temporada e Chris Froome tinha os maiores motivos de favoritismo na temporada anterior. Desta vez, Contador é favorito sobretudo pelo que fez no ano passado, e o australiano pelo nível em que se tem exibido.

"A felicidade é melhor quando é partilhada"
Richie Porte, que se apresenta este ano ainda muito mais magro que anteriormente, já leva nove vitórias em 2015, um número absolutamente espantoso para um não-sprinter. Mais do que ele, só mesmo Kristoff (11) e igual a ele Cavendish (9). Porte venceu o título nacional de contrarrelógio, a etapa rainha do Tour Down Under (2º na geral), a etapa rainha da Volta ao Algarve, duas etapas e a geral do Paris-Nice, a geral da Volta à Catalunha, a etapa rainha e a geral do Giro del Trentino. É muito, muito mesmo.
Tem estado fortíssimo tanto nas montanhas como nos contrarrelógios e terá uma excelente equipa ao seu redor (Konig, Kiryienka, Nieve, Siutsou, Sebastian Henao). Veremos se consegue aguentar as três semanas num nível suficientemente alto para disputar a classificação geral, pois nunca o vimos fazer tal coisa.
Ainda na Sky, Leopold Konig também apresenta capacidade para discutir os primeiros lugares, ainda que a sua obrigação seja trabalhar para Porte. O checo foi sétimo no Tour do ano passado e vem de um terceiro lugar no Giro del Trentino, bom indicador.


"A felicidade é melhor quando é partilhada"
Por seu turno, Alberto Contador tem estado este ano abaixo das expectativas, com apenas uma vitória, numa etapa da Volta à Andaluzia (2º na geral), em fevereiro. Depois disso, 5º no Tirreno-Adriático e 4º na Volta à Catalunha. Seriam resultados bastante satisfatórias para quase todos os ciclistas, mas para Contador a fasquia está mais elevada. No ano passado, por esta altura, tinha vencido o Tirreno-Adriático (e com duas etapas) e a Volta ao País Basco, sido segundo no Algarve e na Catalunha. Ainda assim, há que ter em conta que este ano, para objetivos diferentes a preparação é forçosamente também ela diferente. A questão passa por saber se Contador conseguirá repetir nas próximas semanas o seu melhor nível de 2014.
Consigo terá uma excelente equipa, mas falta liderança à Tinkoff-Saxo. Não na estrada. Na estrada a equipa tem Contador, Kreuziger como braço-direito e ainda a experiência de Ivan Basso e Michael Rogers, mas a direção da equipa está em modo Espírito Santo, Bjarne Riis já saiu, a Saxo Bank deixa de patrocinar no final da época e o império de Tinkoff parece a caminho da destruição. Uma vitória no Giro poderia mudar o rumo de coisas.
Ainda dentro da Tinkoff-Saxo, outro possível candidato à vitória será Roman Kreuziger. Não é o chefe-de-fila, mas durante o Giro de 2012, em quatro dias (de esforço), conseguiu subir o seu hematócrito de 44,8% para 48,1% e não sobram dúvidas de que consegue colocar-se em forma muito rápido. Até porque o Giro deverá ser a última grande volta antes de sair o veredicto do TAS sobre o seu caso.


As medidas já estão tiradas
Rigoberto Urán alinha neste Giro d'Itália depois de dois segundos lugares consecutivos, o que, se não é situação única, é pelo menos muito rara, pois o mais habitual é que um ciclista depois de uma grande performance no Giro ou na Vuelta, no ano seguinte se foque no Tour. No caso de Rigoberto Urán, depois de duas excelentes prestações no Giro, continua a focar-se na prova italiana, ainda que este ano também corra o Tour, mas com menores ambições e responsabilidades. Urán prefere lutar para vencer uma grande volta do que lutar por um top-5 no Tour, e é italiano por adoção.
Até ao Giro, Urán sagrou-se campeão nacional de contrarrelógio, especialidade em que tem evoluído bastante, foi 3º no Tirreno-Adriático, 5º na Catalunha e na Romandia, progredindo significativamente face a 2014.


Aru queixa-se da barriga. "Vírus estomacal"
Atrás de Urán no ano passado ficou Fabio Aru, que este ano se apresenta com ambições reforçadas. Há um ano era um jovem promissor que se esperava apoiar Scarponi, mas após a queda do seu chefe-de-fila foi terceiro no Giro e seguindo o caminho quinto na Vuelta. Para 2015 é o líder declarado da Astana para o Giro e mais tarde deverá estar no Tour para apoiar Nibali e conhecer a prova francesa, mas os planos de Aru facilmente se alteram.
Este ano correu apenas o Paris-Nice (39º) e a Volta à Catalunha (6º), falhando a sua participação no Giro del Trentino e na Liège-Bastogne-Liège por um "vírus estomacal". Incluiu a Romandia no seu programa como último teste mas também não pôde participar. Em condições normais, a sua preparação deveria ter sido afetada pela falta de competição, mas "em condições normais" a normalidade escasseia por aqui e a melhor preparação que um ciclista pode ter parece ser fora de competição e de preferência num sítio isolado em que ninguém o incomode nem visite de surpresa, como o Teide, nas Ilhas Canárias, lá no meio do Atlântico. O contrarrelógio também poderia ser uma desvantagem para Aru, mas diz que trabalhou muito nessa área. E quanto um italiano precisa de ser contrarrelogista para disputar o Giro, é. Assim foi também com Pantani e Basso.
Na Astana realço ainda Mikel Landa, vencedor de uma etapa no País Basco e segundo em Trentino. E Diego Rosa. Se Aru, por algum motivo, não poder disputar os primeiros postos, atenção a Diego Rosa. Não existe nenhum motivo para isso, e esse é o motivo.



Um candidato muito sério ao pódio parece-me Domenico Pozzovivo, depois de quatro grandes voltas consecutivas entre os dez primeiros, a última delas o Giro de 2014, em quinto lugar. Tem melhorado no contrarrelógio, todas as provas disputadas este ano terminou entre os dez melhores e leva inclusive duas vitórias, na Catalunha e em Trentino, ele que não é um ciclista vencedor por natureza, não alcançando nenhum triunfo dos dois últimos anos. Pessoalmente não estranharia se discutisse a vitória.


Este é Zakarin
Outro candidato ao pódio, e nem eu acredito no que vou escrever, é Ilnur Zakarin, o recente vencedor da Volta à Romandia, mais um que apresenta uma magreza cadavérica. Em 2009, com apenas 19 anos (tome nota, caríssimo leitor), foi suspenso por esteroides anabolizantes. Após dois anos de suspensão, regressou, e no ano passado venceu três provas por etapas, tão importantes como a Volta ao Azerbeijão, o GP Adygeya e o GP Sochi... esse era o nível de provas que disputava. Este ano revelou-se na Volta ao País Basco, onde foi nono, e na semana passada venceu a Volta à Romandia, subindo melhor que Quintana, Froome, Nibali, Urán ou Majka, e fazendo um contrarrelógio onde apenas uma problema mecânico e a consequente mudança de bicicleta o impediram de bater Tony Martin.
Atendendo ao seu historial farmacológico e à sua meteórica ascensão ao topo do World Tour, parece-me um forte candidato à vitória em qualquer prova. Tanto pode ser que discuta o Tour ao estilo Evgeni Berzin (de 90º para 1º), como pode ser que a meio da prova o mandem acalmar ou diretamente para casa, estilo Diego Ulissi ou Mauro Santambrogio.

O último candidato ao pódio que saliento é mesmo Diego Ulissi, que no ano passado venceu uma etapa de média montanha, uma chegada em alto e foi segundo no contrarrelógio, antes de entrar em quebra e de o mandarem para casa por tomar salbutamol suficiente para combater a sua asma, a asma de meia família e duas aldeias da sua Toscana. Após nove meses de suspensão, ainda não deu nenhuma demonstração de ser capaz de regressar ao melhor nível, mas há que lhe dar tempo para ver como será este Ulissi pós-suspensão. Pode ser que volte apagado como alguns, ou volte ainda melhor como tantos. Recorde-se que a Lampre abandonou o Movimento por um Ciclismo Credível (MPCC) propositadamente para acolher o regresso de Ulissi, impossível ao abrigo do código do MPCC. Mostra uma elevada expectativa sobre o seu bambino.

***** Porte e Contador
**** Urán e Aru
*** Pozzovivo
** Kreuziger, Konig, Zakarin e Ulissi

À parte dos nomes já citados (e que nem todos acabarão por estar no seu melhor nível), outros se poderão juntar para animar as etapas de montanha. Nesse sentido seria interessante ter o melhor de Jurgen Van Den Broeck, Przemyslaw Niemiec ou Damiano Caruso. Mas também, porque não, a primeira grande exibição numa grande volta de Esteban Chaves ou Davide Formolo. E uma última menção para Ion Izagirre, que me desperta especial curiosidade pelo começo de época que tem realizado, ainda que este possa ter causado demasiado desgaste e para ele seja difícil aguentar cinco dias consecutivos sem cair ou furar.

De entre os sprinters, André Greipel é o mais galardoado, mas à espreita estarão Michael Matthews, Giacomo Nizzolo, Juanjo Lobato, Moreno Hofland e Tom Boonen.

Fábio Silvestre fará a sua estreia em grandes voltas, André Cardoso participa pela segunda vez consecutiva e Sérgio Paulinho estará na Tinkoff de Contador.

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