quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Campeonato do Mundo 2015 (elites): percurso, favoritos e antevisão

Pódio de Sanremo, favoritos no Mundial, para repetir?. Kristoff, Degenkolb e Matthews. Sagan foi 4º
16,2 km formam o circuito do Campeonato do Mundo que os quatro sub-23 portugueses enfrentarão na sexta-feira, quatro juniores masculinos e uma elite feminina no sábado e três no domingo, na prova mais aguardado, a de elites masculinos.

Percurso

O percurso tem 16,2 quilómetros de extensão por volta, com muito pouco desnível. Os primeiros doze e meio não incluem mesmo nenhuma dificuldade, e o que resta apenas três pequenas rampas, entre os duzentos e quatrocentos metros. A primeira delas inclui pavé e por isso surgem algumas comparações entre o circuito de Richmond e a Volta a Flandres. Sim, como se a Volta a Flandres se decidisse em rampas de duzentos metros de 16 em 16 quilómetros.

Logo após a entrada no último quilómetro, existe uma rampa de trezentos metros, às quais os velocistas terão que resistir, para enfrentar os últimos 600m em falso plano. Não permite grandes recuperações, mas muitos homens rápidos poderão estar na discussão das medalhas.

A Federação Italiana de Ciclismo fez um vídeo muito interessante com o seu selecionar, Davide Cassani, no circuito.

A distância

Uma das principais característica dos Mundiais é a distância, e ao cabo de 260 quilómetros, com o desgaste acumulado, as subidas fazem-se muito mais duras. O que não me parece fazer sentido são as provas de 160 quilómetros para sub-23.

Nos últimos anos tem sido uma constante a prova de sub-23 terminar com um grupo principal muito mais numeroso que a prova de elites. Enquanto os corredores elites apenas disputam estas distâncias (260 km) três ou quatro vezes por ano, os sub-23 estão mais familiarizados com a sua distância (+-160 km). Sim, existem mais dias de competição muito longa para os elites, mas quem corre a Volta a Flandres não costuma correr a Liège-Bastogne-Liège, quem corre Sanremo não costuma correr a Lombardia, e assim cada ciclista apenas enfrenta esta distância três ou quatro vezes por ano. Já os sub-23, grande parte deles acostumados a correr com os elites, andam constantemente sobre esta distância. Creio que a prova seria mais interessante e digna de um Campeonato do Mundo com mais alguma distância. Fica o apontamento.

Favoritos

Kristoff, Degenkolb, Sagan e Matthews; sprinters versáteis, capazes de ultrapassar as rampas e lutar pelo ouro. São estes os principais candidatos ao arco-íris a atribuir domingo.

São quatro ciclistas muito semelhantes no que realmente interessa para este circuito. Alexander Kristoff, leva vinte vitórias em 2015 (20!) e depois da Sanremo do ano passado, este ano destaca-se o triunfo na Volta a Flandres. Há um mês venceu o GP Ouest France e foi terceiro no Québec, demonstrando boa forma.

Uma posição à sua frente nessa prova ficou Michael Matthews, o campeão mundial sub-23 de 2010, agora já como favorito na prova dos homens grandes. O percurso também seria bom para Simon Gerrans, mas numa temporada muito preenchida por lesões para o ex-vencedor de Sanremo e Liège, a Austrália terá que se focar em Matthews. Este ano tem cinco vitórias, quatro delas no World Tour, às quais se juntam os terceiros lugares em Sanremo e na Amstel Gold Race como principais resultados. Os Mundiais são o seu principal objetivo de 2015.

Vencedor em Sanremo foi John Degenkolb, que três semanas depois venceu em Roubaix, o que por si só já faz da sua época um rotundo êxito. Deixou a Vuelta com uma vitória em Madrid e espera fechar com o ouro de Richmond um ano inesquecível. A Alemanha também conta com André Greipel, ainda que seja mais difícil para o Gorila disputar as medalhas.

Para encerrar este quarteto, Peter Sagan. Leva nove vitórias até ao momento e 16 segundos lugares, muitos outros terceiros, quartos e quintos. O eslovaco é de enorme versatilidade e regularidade, mas há quase sempre alguém mais rápido. Da Vuelta saiu com uma etapa, mas foi obrigado a abandonar antes do previsto devido a um incidente com uma mota. A distância poderá ser uma dificuldade para ele, que durante a Primavera evidenciou algumas quebras nos finais das provas.

A Bélgica apresenta-se com a seleção mais poderosa e maior leque de opções: Van Avermaet, Gilbert, Boonen, Vanmarcke, Benoot. As principais apostas serão os três primeiros. Greg Van Avermaet, este ano terceiro em Flandres e Roubaix, quinto na Amstel, tem-se afirmado como um dos melhores classicomanos da atualidade e tentará repetir o final de Rodez no Tour: vencer. Tanto ele como Phillipe Gilbert, o campeão mundial de 2012, poderão lançar o ataque decisivo na última subida da prova, enquanto a Tom Boonen compete resistir e impor-se no sprint. Já deixou para trás a melhor fase da sua carreira, não tem ao longo do a regularidade dos melhores, mas, de quando em vez, alimenta as esperanças de repetir a vitória de Madrid (2005).

Outro bloco muito interessante e com várias alternativas, ainda que não tão forte, é o francês. Com 11 triunfos em 2015, o último dos quais no domingo passado (GP d'Isbergues), Nacer Bouhanni é uma excelente opção, mas os gauleses têm também Tony Gallopin, não tão rápido, mas mais versátil, e uma das revelações da temporada, o jovem Julian Alaphilippe.

Espanha, que certamente preferiria um percurso mais duro, conta com o recordista de medalhas Alejandro Valverde, e Itália, outras das potências, com Diego Ulissi, vencedor de uma etapa no passado Giro e recentemente do Memorial Marco Pantani. Outro corredores com chances mas numa seleção menos cotada é o checo Zdenek Stybar. Por fim, Michael Kwiatkowski, que não vence desde a Amstel Gold Race, tem as suas hipóteses de renovar o título. Mas pouco.

***** Kristtof e Degenkolb
**** Sagan e Matthews
*** Van Avermaet, Bouhanni, Stybar, Ulissi e Valverde
** Gilbert, Gallopin, Boonen e Kwiatkowski


Portugal

Das Hipóteses de Portugal em Richmond, escrevi aqui.

Os selecionados são, por ordem de prova, são:
Sub-23 masculinos: João Rodrigues, Nuno Bico, Rúben Guerreiro e Rui Carvalho
Juniores masculinos: André Carvalho, Daniel Viegas, João Almeida e Jorge Magalhães
Elite feminina: Daniela Reis
Elites masculinos: José Gonçalves, Nelson Oliveira e Rui Costa.

Boa sorte a todos!


Antevisão

A algumas seleções, como Espanha, Itália ou Holanda, compete tentar partir a corrida, atacar muito para desorganiza-la, desfazer os blocos das equipas dos sprinters, o que espero que Portugal, ainda que apenas tenha três corredores, tente aproveitar. Outras, como a Bélgica ou a França, têm hipóteses em caso de sprint, mas, graças à enorme quantidade de opções, devem tentar marcar as diversas movimentações.

Já a Austrália e Alemanha com nove corredores cada uma e a Noruega com seis, terão a responsabilidade de controlar os ataques para levar a discussão das medalhas para o sprint. Em condições normais, creio que o conseguirão fazer, ainda que o último quilómetro, devido ao desgaste, possa tornar-se muito confuso e descontrolado. Ai será importante que algum dos favoritos ainda tenha equipa para terminar o controlo.


Transmissão


Na RTP 2, a prova dos sub-23 sexta-feira a feminina no sábado, ambas às 23h20, em diferido. A prova masculina domingo às 17h00, em direto.
As três provas serão transmitidas em direto, na RTP Play, aqui: http://www.rtp.pt/play/direto/ciclismo. Não sei as horas a que começam as transmissões online, mas é uma questão de estarem atentos à melhor página do Facebook.

Mundial sub-23 de 2010, quando Michael Matthews e John Degenkolb eram putos.

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