segunda-feira, 2 de maio de 2016

Giro d'Itália 2016: Favoritos e figuras

Com as três grandes voltas no seu palmarés, Vincenzo Nibali dividirá o favoritismo no Giro d'Itália 2016 com a grande revelação da última edição Mikel Landa, mas também o experiente Alejandro Valverde e ainda Rafal Majka, Rigoberto Urán ou Ilnur Zakarin, à procura da primeira vitória numa prova de três semanas. O Giro começará na próxima sexta-feira.


Vincenzo Nibali

Um dos seis ciclistas na história que já venceu as três grandes voltas, Vincenzo Nibali aposta este ano no Giro porque sabe que mesmo os ciclistas mais conceituados não precisam de ser Tour-dependentes. Existe todo um ano e uma vida para além do Tour e o objetivo do Tubarão para este ano está em maio..
Vencedor do Giro em 2013, esteve distante do nível que exibiu no Giro del Trentino desse ano, mais próximo da caminhada que fez para o Tour 2014, onde andava apagado até ao começo da prova. Mas a sua apagada prestação na corrida anterior não é, necessariamente, um mau indicador.
Nibali venceu a Volta a Omã e "não pôde" disputar o triunfo no Tirreno-Adriático porque a etapa que mais lhe favorecia foi anulada devido ao mau tempo. Depois, a prestação na prova de Trento pode significar que ainda estava longe da melhor forma mas também pode significar que simplesmente não fez período de descanso antes dela. Tendo já vencido Giro, Tour e Vuelta, ele lá saberá (o que não o impede de falhar) e conta com uma luxuosa equipa com Michele Scarponi e sobretudo Tanel KangertJakob Fuglsang, segundo e terceiro em Trento e dois inesgotáveis equipiers. Jakob Fuglsang diz que o seu objetivo é o pódio mas tudo dependerá da liberdade que a prestação de Nibali lhe der.


Mikel Landa

Terceiro e grande revelação da edição passada, Mikel Landa conseguiu começar 2016 da melhor forma possível para os seus objetivos: doente.
Em finais de 2014, quando os ciclistas com objetivos para as clássicas e o Giro da Primavera seguinte estavam já a construir a sua forma para essas provas, Landa estava numa situação muito preocupante: doente, com o contrato a acabar e a sua equipa insatisfeita com os resultados de 2014. Foi-lhe comunicado que teria que andar mais em 2015 se quisesse renovar o contrato, mas não podia andar mais porque estava doente. Depois descobriu que tinha uma mononucleose, que se arrastou fevereiro/março e a Astana recusou-lhe um contrato de 400.000 euros por ano como queria o seu empresário, pois Landa era, à data, um ciclista que de vez em quando procurava vitórias de etapa em fuga e estava muito doente. Mas como diz o ditado, para grandes males, grandes remédios. Landa curou-se, regressou à competição em março disposto a conseguir um contrato e de repente já era um dos melhores trepadores do mundo, venceu 2 etapas no Giro, foi terceiro no final e só não foi melhor (na geral e a vencer etapas) porque a sua equipa não estava para aí virada. É a bonita história do rapaz a quem recusaram um contrato de 400 mil euros por ano e meses depois ganhou um contrato superior a um milhão de euros, porque passou de ser um caça-etapas a ser um dos melhores trepadores do mundo, capaz de bater Contador e Aru.
Vem de vencer o Giro del Trentino e, no Giro d'Itália, o céu é o limite. Ao seu lado terá Nicolas Roche e Mikel Nieve, que à última hora substitui Sergio Henao.



Alejandro Valverde

Depois de ter conquistado o seu ambicionado pódio no Tour, Alejandro Valverde vai pela primeira vez fazer o que já deveria ter feito há muito: apontar ao Giro. Estou em crer que, se mais cedo tivesse apostado em Giro e Vuelta, em vez de alguns top-10 no Tour teria mais pódios e vitórias em grandes voltas.
Aos 36 anos, Valverde continua a ser um dos melhores e mais completos do mundo, como mostrou com a sua quarta Flèche Wallonne e apresenta-se com uma boa equipa para seu suporte, com destaque para Andrey Amador, quarto em 2015, mas também com o regressado Carlos Betancur, José Herrada ou Giovanni Visconti, melhor trepador da edição passada.
Todo este mês de maio será muito emocional para Valverde, com as comemorações dos 10 anos de Operação Puerto, e certamente quererá a maglia rosa para dedicar aos seus fãs incondicionais e a Piti.


Rafal Majka

Foi no Giro de 2013 que Rafal Majka surgiu pela primeira vez na liderança de uma equipa, levando o sétimo lugar na geral, onde voltou em 2014 para melhorar uma posição. Logo depois, substituindo à última hora Roman Kreuziger, venceu duas etapas e foi o melhor trepador do Tour, juntando-lhes a Volta à Polónia, num verão estrondoso onde provou que tem a capacidade para aspirar muito alto.
No ano passado calhou-lhe ir ao Tour esperando um deslize de Contador, que, felizmente para os objetivos pessoais de Majka, surgiu logo na primeira chegada em alto, concedendo ao polaco a liberdade de, imediatamente no dia seguinte, fazer uso da sua capacidade para juntar mais uma etapa pirenaica ao seu currículo (duas presenças no Tour, 3 etapas de alta montanha). A partir daí, geriu as suas forças como pôde para chegar fresco à Vuelta, onde, enquanto líder da equipa, foi terceiro na classificação geral.
Excelente trepador e capaz de grandes contrarrelógios, Rafal Majka é um dos candidatos a vencer o Giro 2016.

Rigoberto Urán

Segundo em 2013, segundo em 2014, Rigoberto Urán procura a vitória na Itália que o "adoptou".
Urán tem tido uma temporada discreta (34º Algarve, 49º Tirreno-Adriático, 10º Catalunha) mas apareceu agora melhor nas duas etapas de montanha da Romandia, ainda que tenha falhado no contrarrelógio, onde já obteve grandes resultados. É um ciclista que parece passar ao lado mesmo quando está a lutar pela vitória, porque não é de grandes ataques, mas o seu palmarés fala por si.
Capaz de subir com os melhores e (veremos se ainda) de lhes bater no contrarrelógio, podendo aproveitar os dois primeiros cronos para ganhar tempo aos seus rivais e procurar melhorar os seus pódios do passado.


Ilnur Zakarin

Sendo russo, está afastado dos grandes centros de influência e propaganda mais dedicados a espanhóis, britânicos e norte-americanos, mas Ilnur Zakarin tem sido um dos melhores voltistas desde que ingressou na Katusha no ano passado.
Em 2015 destaca-se a Volta à Romandia vencida, onde demonstrou ser capaz de subir melhor que Froome (numa prova vencida pelo britânico por duas vezes) e de fazer melhores contrarrelógios que Tony Martin (perdendo apenas por um problema mecânico e mudança de bicicleta). Desde então o seu objetivo era o Giro 2016 e na edição passada a sua participação servia apenas para conhecer a corrida, de onde levou uma etapa. Já este ano, sempre a pensar no Giro, foi 7º no Algarve, 7º na Catalunha e pelo meio venceu a etapa rainha do Paris-Nice (4º na geral), superando Contador, Thomas ou Porte.
O quinto lugar da Liège-Bastogne-Liège e a Volta à Romandia, onde foi o primeiro numa etapa de montanha (desclassificado por (desnecessária) mudança de trajetória irregular) mostram a sua boa forma e não estranharia que Zakarin estivesse no pódio final, como os seus compatriotas Menchov, Tonkov ou Berzin. São os únicos russos que estiveram em pódios do Giro (e creio que os únicos em pódios de grandes voltas) e os três venceram a prova italiana.

Tom Dumoulin

Tom Dumoulin foi outra das revelações de 2015. Apesar do holandês já apresentar alguns bons resultados ao nível de provas de uma semana com alguma montanha (5º Suíça 2014; 4º Down Under 2015; 3º Suíça 2015), poucos ou ninguém esperariam a sua prestação na Vuelta a España. Dumoulin venceu uma chegada em alto e um contrarrelógio e liderou a prova até ao penúltimo dia, onde, mostrando pela única vez parte fraca, perdeu a camisola vermelha e o pódio, baixando para sexto. A preparação para este Giro foi feita certamente com maior confiança, até porque o objetivo em 2015 era o Tour, onde abandonou após queda.
Ainda que este não seja um Giro demasiado montanhoso, não me parece que tenhamos Dumoulin no pódio final, mas tudo dependerá da sua evolução na montanha. Já no contrarrelógio, é um dos melhores especialistas do mundo e terá que tirar proveito disso nos dois primeiros. Foi na semana passada segundo no prólogo e no contrarrelógio da Volta à Romandia.


Domenico Pozzovivo

Não será um homem para vencer o Giro, mas Domenico Pozzivivo tem sido um dos mais consistentes na prova ao longo dos últimos anos, com três top-10 de 2012 a 2014 e outro na Vuelta de 2013. No ano passado, uma queda muito feia logo na primeira semana atirou-o para fora da corrida ainda na primeira semana mas, apesar das lesões na face, a mesma não afetou a sua capacidade desportiva.
Se estiver no seu melhor e as estrelas se alinharem, o pódio pode estar ao alcance de Pozzovivo.

Johan Esteban Chaves

Esteban Chaves tem estado apagado ao longo do ano, mas o quinto lugar na última Volta à Espanha, com duas vitórias de etapa, coloca sobre si atenções.
O Giro é o seu primeiro grande objetivo da temporada e, repetindo o nível do final de 2015, será um dos animadores na montanha.

***** Nibali e Landa
**** Valverde
*** Majka, Urán e Zakarin

** Dumoulin, Pozzovivo, Chaves e Fuglsang


Outras figuras


Marcel Kittel

Que Marcel Kittel? Depois de um 2015 atípico, onde não pôde disputar grandes voltas (apesar de vencer uma etapa na Polónia, entre Tour e Vuelta), Kittel parece de regresso ao seu melhor e já leva sete vitórias neste começo de temporada. Veremos se volta a ser o sprinter que ganhou oito etapas em duas edições do Tour, mas tudo indica que vai no caminho para voltar a esse nível. Em 2016 tem 8 vitórias, a última delas na Romandia.

André Greipel

Greipel viu a sua primavera afetada pela queda na Volta ao Algarve e uma costela partida que demorou a curar. Vem da Volta a Turquia com um triunfo, um total de três em quatro meses, pouco para aquilo que é o seu valor. No último Tour venceu quatro etapas.


Caleb Ewan
21 anos e sem teto conhecido para o seu potencial. Caleb Ewan venceu uma etapa na Vuelta do ano passado e duas no Tour Down Under já em 2016. Não estará ao nível de Kittel ou Greipel, mas será interessante ver em que nível já se encontra e do que já é capaz ao longo das várias oportunidades que este Giro oferece.

Outros sprinters presentes será o vencedor da Milano-Sanremo Arnaud Démare e os italianos Elia Viviani, Giacomo Nizzolo e Sacha Modolo.

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Toda a análise está sujeita a alguma mudança na lista de participantes que ainda aconteça.

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Durante o Giro, estarei novamente na África do Sul a comentar a prova para a SuperSport, que pela primeira vez emitirá a prova em português. Estaremos em Angola, Moçambique e África do Sul através dos canais lusófonos SuperSport Máximo e para outros 36 países através de algum dos canais 16 canais em língua inglesa, alterando o idioma para português. O mesmo se aplicará para Tour, Jogos Olímpicos e Vuelta.

Aqui no Carro Vassoura irei deixando bitaites ao longo da prova, dentro do que foi feito na última Volta a França.

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