segunda-feira, 24 de novembro de 2014

10 momentos marcantes de 2014

Foto: CyclingTips.com.au
Já faz algum tempo que não temos ciclismo em direto e ainda falta demasiado tempo para que a próxima temporada arranque. Com as saudades a apertar, hora para recordar 10 momentos marcantes de 2014.

Ataque de Contador no Passo Lanciano (Tirreno-Adriático)

Alberto Contador já tinha vencido a chegada ao Alto do Malhão na Volta ao Algarve e tinha vencido a etapa na véspera, mas foi ao quinto dia de Tirreno-Adriático que deu a primeira grande demonstração de capacidade.

Contador lançou o seu ataque a mais de 33 quilómetros da meta da quinta etapa e ninguém foi capaz de o seguir, nem mesmo Nairo Quintana, grande revelação da temporada anterior e um dos ciclistas que bateu claramente o espanhol no Tour de France 2013. No topo do Passo Lanciano, o líder Michal Kwiatkowski estava derrotado, enquanto Contador se situava a menos de um minuto da cabeça de corrida, onde acabaria por chegar já dentro dos derradeiros dez quilómetros. Na última subida do dia, a qual tinha 30% como máxima inclinação, Contador desfez-se da companhia e somou o terceiro triunfo de 2014, com apenas seis segundos sobre Simon Geschke mas quase dois minutos sobre o primeiro grupo de favoritos. Dois dias depois terminou o Tirreno-Adriático com dois minutos de vantagem sobre Nairo Quintana (2º), a primeira prova por etapas que vencia desde a Vuelta 2012.

Sprint final da Volta a Flandres

Foi de Greg Van Avermaet uma das mais impressionantes performances do ano, na Volta a Flandres. Já estava ultrapassada a última dificuldade do dia e estava na entrada dos dez quilómetros finais quando foi alcançado por Fabian Cancellara, Sep Vanmarcke e Stijn Vandenbergh, condenado assim a ir para um sprint a quatro.

Nas duas anteriores vitórias, Cancellara entrou na reta da meta isolado, mas desta vez teve que disputar o triunfo ao sprint. Esperou o ataque de Vandenbergh, já dentro do último quilómetro, para que os seus adversários respondem e o deixassem na última posição do grupo, a que mais lhes convinha. Depois aguentou até à falta de 200 metros para o risco, quando lançou o sprint vitorioso.

Ataque de Terpstra em Roubaix

É incomum que onze ciclistas estejam na cabeça do Paris-Roubaix a sete quilómetros do término, mas foi como se decidiu a edição deste ano do Inferno do Norte. E a decisão da rainha das clássicas torna-se sempre um momento a destacar na conclusão de cada temporada.

Foi a 6,3 quilómetros da meta que Niki Terpstra atacousem reação imediata dos seus adversários. A apatia do grupo perseguidor, delegando a responsabilidade da perseguição a Bert De Backer (colega de Degenkolb) e Geraint Thomas (para Wiggins) valeu no final vinte segundos de vantagem na vitória mais importante da carreira de Terpstra.

Marcel Kittel em Dublin

A primeira grande volta do ano foi curta para Marcel Kittel, dado que em vez das três semanas no programa da corrida o sprinter alemão apenas cumpriu três dias. Curta, mas proveitosa, com duas vitórias em outras tantas etapas em linha disputadas.

A segunda foi sobretudo marcante. Quando parecia fora da discussão, Marcel Kittel passou da quinta para a primeira posição em escassos cinquenta metros, para o mais incrível sprint da temporada.

Descida do Stelvio

Foi num dos cenários mais adversos que os ciclistas encontraram esta temporada que se decidiu a Volta a Itália.

Depois de encontrarem temperaturas mínimas nos nevados Gavia e Stelvio, gerou-se a confusão na segunda grande descida do dia, com alguns diretores desportivos a passarem a mensagem (errada) aos seus corredores de que a descida estaria neutralizada e os ataques proibidos. Nairo Quintana, que não tinha recebido essa indicação do seu diretor desportivo, foi um dos ciclistas que se adiantou, como Ryder Hesjedal e Pierre Rolland.


Já na subida final, enquanto Quintana tinha a liderança virtual, os seus adversários na luta pela camisola rosa continuaram a confiar nos respetivos gregários, claramente incapazes de igualar o andamento da frente de corrida. Foi um erro, porque aos ataques dos líderes, a responsabilidade de resposta é dos líderes adversários. Quintana chegou assim pela primeira vez ao comando de uma grande volta e venceu a Volta a Itália 2014.

Contador vs Froome no Critérium du Dauphiné

Apesar das vitórias em Omã e na Romandia, Chris Froome não vinha a apresentar o mesmo domínio da época anterior, enquanto Alberto Contador, tão inferior em 2013, tinha arrasado o Tirreno-Adriático e na Volta ao País Basco. Mas foi no Critérium du Dauphiné que se defrontaram pela primeira vez aqueles que já eram, à altura, os principais candidatos à vitória no Tour de France.


Com três chegadas em alto, um combate a três rounds, Chris Froome levou a melhor no primeiro, mas sem conseguir tirar o adversário da sua roda. Após uma queda nas etapas intermédias, Froome foi batido na penúltima etapa. No último confronto, o britânico pareceu ainda mais débil, perdendo demasiado tempo, mas as mazelas que tinha no corpo não permitiam tirar grandes conclusões. Pelo meio, entre a guerra de Contador e Froome, Andrew Talansky escapou-se para a vitória. Uma vitória da tática sobre a força individual.

3ª vitória de Rui Costa na Suíça

Tony Martin partia para a última etapa da Volta à Suíça com uma margem que parecia segura, sobretudo depois de se ter defendido tão bem na chegada em alto da véspera. Mas um ataque da IAM e a Belkin colocou a descoberto a fragilidade da Omega Pharma, deixando o camisola amarela desamparado. Quem tirou mais proveito foi Rui Costa, que se mostrou o mais forte em Saas-Fee, conquistando a etapa e subindo ao pódio para vestir a camisola amarela sobre a arco-íris.

Pavés do Tour

O pelotão enfrentou os pavés do Norte de França em julho num cenário muito mais adverso ao que é habitual na primavera, em plena época de clássicas. Com muita lama, empedrado escorregadio e as bermas praticamente inutilizáveis, os cuidados eram redobrados, até mesmo para os ciclistas mais habituados a disputar o Paris-Roubaix.

Entre a lama, foi o camisola amarela Vincenzo Nibali e a sua equipa quem mais arriscaram, numa exibição não apenas de força, mas também de coração. Enquanto os adversários procuravam o trilho mais seguro, Nibali procurava o mais rápido, ainda que com um risco maior. Nesse dia ganhou mais de dois minutos aos adversários diretos.

A vitória na etapa foi para Lars Boom.

Contador nos Lagos de Somiedo

Alberto Contador já vestia a camisola vermelha, mas ainda sem uma firme demonstração de supremacia face aos adversários, ainda a uma distância recuperável. A 16ª etapa, uma das mais difíceis, seria por isso um exame vital à capacidade e à liderança de Contador.

O Pistoleiro passou no teste com nota máxima. Seguiu na roda de Froome enquanto lhe interessou e depois atacou para a vitória na etapa, mostrando ser o mais forte em prova e que a sua liderança estava à prova de qualquer ataque.

Ataque de Kwiatkowski em Ponferrada

Mesmo sem se tratar de uma superpotência, a Polónia assumiu a sua ambição e desde os primeiros quilómetros controlou o pelotão que disputava o Campeonato do Mundo. O seu líder, Michal Kwiatkowski respondeu de modo perentório, atacando a oito quilómetros da meta, lançando-se na descida da Confederación para alcançar o quarteto que circulava adiantado.


Já nos primeiros quilómetros da última subida, com o grupo perseguidor a escassos metros, Kwiatowski voltou a lançar-se, desta feita subida a cima. E por entre sol e chuva, chegou ao arco-íris de Ponferrada.

Quais momentos acrescentariam?

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