domingo, 8 de março de 2015

E se Alexander Kristoff for o homem desta Primavera?

Kristoff a vencer em Sanremo em 2014
Alexander Kristoff parece-me passar demasiado despercebido face à sua qualidade. E uma grande ameaça a todos os que querem brilhar no próximo mês.

Sem que seja um dos três sprinters sempre referidos, Kristoff venceu duas etapas ao sprint no último Tour. Sem que seja um dos classicomanos mais mencionados, venceu a última Milano-Sanremo e a Vattenfall Cyclassics. Sem que seja frequentemente considerado uma ameaça para os pavés e muros, foi 4º e 5º nas duas últimas Voltas a Flandres.

Kristoff mostrou ao longo dos últimos anos tudo o que é necessário para brilhar no mês que aí vem. É perfeitamente tolerante às largas distâncias, capaz de ultrapassar subidas curtas, adapta-se aos muros de Flandres, é um excelente rolador e melhor sprinter. 

Na Volta a Flandres de 2014 podemos vê-lo a endurecer muito a corrida no Oude Kwaremont (penúltimo muro), antes do ataque de Cancellara e Vanmarcke, os únicos capazes de se distanciarem. Por fim, no Paterberg, foi o norueguês quem se distanciou dos restantes favoritos para encetar uma solitária mas corajosa perseguição à frente-de-corrida e concluir no quinto posto. De todos os homens de Flandres, em teoria apenas Boonen e Degenkolb poderão bater-se num sprint com Kristoff. E a todos assustará saber que Kristoff pode resistir a qualquer dificuldade do percurso, ainda que sprintar em Oudenaard e em Roubaix, depois de todo o calvário que estes Monumentos representam, seja bastante diferente de fazê-lo num pelotão compacto embalado por lançadores.

Em 2014 foram 14 vitórias, registo apenas superado por Arnaud Démare (15) e André Greipel (16), e no já corrido de 2015 Kristoff vai em quatro: três no Qatar e uma em Omã. Poderá dizer-se que vencer na Arábia não é o mesmo que vencer na Bélgica, e tal é verdade. Mas muitas vezes vimos Boonen começar no Médio Oriente um caminho para uma Primavera triunfal.

Em qualidade mas sobretudo pelas suas características, Alexander Kristoff lembra-me Tom Boonen nos seus primeiros anos - o mais rápido dos favoritos, ou um dos mais rápidos, mas que nas clássicas corre de modo muito flemish, atacando e respondendo diretamente a ataques, sem se esconder. Mas aos 27 anos que tem agora o norueguês, já Boonen levava um título mundial, um Paris-Roubaix, duas Voltas a Flandres e uma vasta coleção de subidas ao pódio de grandes provas.

No final, são as vitórias que fazem a diferença entre os grandes ciclistas de cada geração e aqueles que perduram entre os melhores da história. Veremos do que é capaz Kristoff no caminho que vai daqui até Roubaix, no dia 12 de abril.

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Questões para a Primavera:
Até onde chega Peter Sagan?
Ainda resta uma grande vitória a Tom Boonen?
E se Alexander Kristoff for o homem desta Primavera?
O que falta para Sep Vanmarcke vencer?

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